Petrucio Magalhães avalia avanço do agronegócio no AM

Com o sucesso da Expoagro Digital que movimentou mais de R$ 60 milhões em negócios, o secretário de Produção do Estado, Petrucio Magalhães Júnior, comemora o avanço da atividade agrícola de maneira sustentável no Amazonas. 

Petrucio destaca ainda o crescimento da produção de grãos no Sul do Estado que faz reduzir a importação local e os investimentos em apoio ao agricultor familiar, com o Amazonas destacando-se como o Estado que mais abriu mercado para atividade. A seguir, a entrevista com o secretário da Sepror. 

JC – Secretário, depois de seis anos sem ser realizada, a Expoagro voltou em outubro de 2019, com total sucesso. Agora, de forma inovadora, em edição totalmente digital, por causa da pandemia do Covid-19, transmitida pela Rádio e Tv Encontro das Águas. Também um sucesso. E para 2021, também teremos um novo Parque de Exposição? Qual a expectativa para a Expoagro, edição 43?

Petrucio Magalhães – Primeiro devemos reconhecer o esforço e comprometimento do governador Wilson Lima que assumiu o compromisso de resgatar a Expoagro, um clamor dos produtores rurais tem uma tradição. Esta edição deveria ser a 48 edição e ficou parada por seis anos. Os produtores perderam oportunidades de integrar-se com tecnologias novas. No ano passado foi um sucesso, mais de 300 expositores, 350 mil pessoas, 78 milhões de reais movimentados em negócios, e a cidade respondeu positivamente.

Para este ano estava tudo certo para a realização da Expoagro, e o mundo foi surpreendido pelo novo Coronavírus. Tivemos que readaptar o planejamento. Não podíamos deixar de realizar e o esforço foi muito grande, devemos agradecer a Deus, ao governador, a todos os patrocinadores e ao produtor rural, foco principal do evento. E hoje estamos aqui com apoio da TV, da Rádio Encontro das Águas, da internet, conectando o mundo todo. Até ontem, o segundo dia, 13 países já tinham acessado nosso portal com 107 mil visualizações. É um instrumento para levar o Amazonas para o mundo todo, mostrando que aqui a gente tem todas as condições para produzir com sustentabilidade.

JC – Esta plataforma se tornou uma ferramenta de conhecimento muito importante. Navegando pelo site  tem muita coisa importante.

Petrucio – Tem muitos cursos, muito conhecimento, muita coisa importante no portal. E é importante dizer que todo este conteúdo ficará disponível para os internautas até o dia 20 de outubro. Então o conteúdo pode ser baixado. Temos o canal “Produzir Amazonas”, no site da Sepror, com vídeos curtos que são aulas produzidas por nossos técnicos e que se destinam a quem quer se informar como empreender no agro.

Passado este problema da pandemia, em 2021 deveremos ter a 43ª Expoagro presencial e mantido o formato digital. Portanto, teremos o evento em dois formatos, e no novo Parque de Exposições.

JC – O Amazonas foi quem mais abriu mercado para a agricultura familiar. Quantos milhões de Reais o sistema Sepror vai operar em parceria com o Ministério da Cidadania?

Petrucio – No ano passado, o Amazonas foi o estado que mais abriu mercado para o produtor familiar. É importante destacar este resultado do Ministério, pois o Amazonas teve o melhor desempenho com um orçamento de 2,4 milhões de Reais. Agora, em 2020, o governador Wilson Lima e o ministro Onix Lorenzoni assinaram um valor recorde para este ano. Temos o maior orçamento do Norte, com 13 milhões de Reais (um dos cinco maiores orçamentos do país para o PAA). Tudo graças ao resultado da aplicação correta dos recursos, transparente.

Este programa gera renda no município, faz com que o agricultor possa produzir sabendo que tem mercado que vai comprar, e as pessoas carentes recebem o benefício alimentar. É um universo de mais de cem mil pessoas que serão beneficiadas ao longo deste ano.

JC – Secretário, recentemente o IBGE, com dados obtidos em 2018 no Amazonas, mostrou que 71% de seus domicílios tinha algum grau de insegurança alimentar. Metade da população vivendo na pobreza naquele ano. O setor primário é o caminho para reverter este quadro de pobreza?

Petrucio – Assunto muito importante para reflexão. O Amazonas foi o que mais preservou a floresta no mundo, com 97% por cento de nossa floresta em  pé, intacta. Só três por cento usada pelo homem.

Lamentavelmente este número sobre a pobreza é oficial. Outro dado mostra que 50% no Amazonas vive na linha da pobreza. 

A ONU estabeleceu 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para as décadas 20 e 30. O primeiro ODS é reduzir a pobreza em todas as suas formas e lugares. Temos pobreza no Amazonas. É grave. Faz com que jovens não tenham oportunidade de se desenvolver, estão em desigualdade social. Precisamos desenvolver a floresta, e para isso o cidadão que mora aqui precisa ser ouvido, ter acesso a uma vida digna, ser mais respeitado. Eu que conheço todas as calhas de nossos rios, onde conversei com produtores, o que eles querem é muito pouco: o direito a estradas, escolas, saúde, água tratada, energia, acesso a crédito rural, precisam de assistência técnica e toda ajuda necessária com apoio até da tecnologia. O Amazonas é o que tem menos acesso ao crédito rural, está em penúltimo lugar, e isso gera essa pobreza, gera a impossibilidade de alternativa a não ser queimar, desmatar ilegalmente. Se tivesse benefícios, teria também dignidade.

Nossas regiões dentro do estado são totalmente diferentes, tem vocações diferentes, potencial natural de cada uma é diferente. Só como exemplo, só o sul do Amazonas tem uma área duas vezes maior que o estado de Roraima.

JC– Dados da Conab e IBGE apontam o crescimento da produção de grãos em nosso estado, principalmente no sul. Isso é bom porque reduz a importação. Com isso, a região sul é a que mais tem conhecimento para manter este crescimento de forma sustentável, usando a experiência e a tecnologia através da Embrapa?

Petrucio – Eu gostaria de falar sem começar pelo sul. Vamos ver nossas várzeas. Há 30 anos, quando estudei agronomia aqui, ouço falar do potencial das várzeas do Amazonas. Potencial gigantesco para a produção, onde o rio aduba a terra, que produz milho, melancia, cará, e todas as culturas de ciclo curto que podem ali ser utilizadas, e a gente não aproveita.

Tem o produtor que já tem a tradição de trabalhar com produtos do ciclo curto, como o milho. E o governo entrega sementes de milho a eles. Mas nosso potencial é muito maior.

E devemos entender que o Amazonas não tem apenas um bioma. Tem o bioma amazônico no Sul, e o bioma de campos naturais para o qual o código florestal dá um tratamento diferenciado. Pelo código florestal, 80% de área é legal e só 20% pode ser destinada a produzir. No campo natural a área é maior porque não tem floresta, e neles temos milhares de hectares de área já antropizadas, foram utilizadas e estão degradadas.

Fomos recentemente até Matupi de carro, e na BR 319 se percebe muitas áreas degradadas que podem ser utilizadas sem necessidade de derrubar uma única árvore. Precisa apenas de regularização fundiária, ambiental e uma presença maior do estado para que não haja necessidade de novas pressões sobre a floresta.

Utilizar a área que já existe com o sistema de lavoura, pecuária e floresta, que produz o boi verde, e é área reconhecida pelo Ministério da Agricultura. Se houver ação junto com a tecnologia já desenvolvida pela Embrapa, teremos condição de sair de 0,7 Unidade Animal por hectare para 6 a 7 U.A. por hectare, trabalhando a lavoura de pastagem, a rotação, o sistema  de piquetes, para eficiência e produtividade, para gerar muitos empregos, com o Amazonas sendo exemplo de manter a floresta em pé. De aproveitar áreas degradadas com melhoria de vida e geração de emprego. Exemplo de como reduzir queimadas e desmatamento ilegal.

JC – Esta semana, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged, a imprensa apontou que o setor primário é um dos setores da economia onde o emprego avança no interior do estado. Qual atividade da agropecuária com maior potencial para acelerar este crescimento no interior?

Petrucio – Como já disse, é preciso compreender o Amazonas com estado diverso. Extrativismo, temos em Tapauá a agroindústria no Abufari, que gera emprego em área de total presevaçao. Outros setores, como o entorno de Manaus, onde temos uma produção de hortaliças diversificada, que gera emprego. Estamos entre as principais aviculturas do Brasil, com produção de ovos em que somos quase auto sustentaveis. É preciso entender que temos espaço para a produção orgânica, e há também espaço e mercado para a cultura convencional, com uso mais intensivo das tecnologias. É preciso quebrar paradigmas. Em Matupi os produtores nos pediram cursos técnicos, pois precisam contratar e não encontram a mão de obra qualificada. Formar parceria com o Cetam para criar cursos técnicos. Temos emprego no estado, muitas oportunidades surgindo Precisamos gerar emprego e renda no interior.

Os dados do Caged não surpreendem, pois o setor primário tem sido o retorno para geração de emprego.

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