Petrobras vende Reman para a Atem

A Petrobras vendeu a Reman (Refinaria Isaac Sabbá) e seus ativos logísticos associados à Ream Participações S/A, companhia do Grupo Atem. A transação foi de US$ 189,5 milhões –ou R$ 994,15 milhões, pelo câmbio do dia. Assinado nesta quarta (25), o contrato de venda deixou a petroleira mais perto de liquidar todos os seus ativos no Amazonas. Falta apenas a conclusão do processo de venda do Polo de Urucu, em Coari, para a empresa de capital misto encerrar uma história de 64 anos de presença local. Mas a companhia não exclui a possibilidade de continuar trabalhando na região, em um futuro próximo.

Do ponto de vista do grupo Atem, a operação vai permitir aprimorar o suprimento de combustíveis e derivados de petróleo e gás para a região, com eficiência logística, e sob “condições comerciais isonômicas”, visando a otimização do mercado e o “melhor interesse” de seus operadores. O grupo assinala ainda que tudo isso será aliado ao “desenvolvimento social e econômico da região amazônica”.

A Reman está ao lado das bases das principais distribuidoras de combustíveis de Manaus. Sua capacidade de processamento é de 46 mil barris por dia e seus ativos incluem um terminal de armazenamento. Entre os principais produtos da refinaria estão o GLP, nafta petroquímica, gasolina, querosene de aviação, óleo diesel, óleos combustíveis, óleo leve para turbina elétrica, óleo para geração de energia e asfalto. 

Em seu comunicado, a Petrobras informou que, após a conclusão da operação, continuará operando a refinaria através de um contrato de prestação de serviços por um período transitório –TSA (Transition Service Agreement) –, enquanto o comprador estrutura processos e monta equipes. Isso deve acontecer sob um acordo de prestação de serviços, buscando evitar interrupções operacionais. Ambas as companhias reafirmaram o compromisso com a segurança operacional na Reman. Garantem também que foram tomadas medidas para que não ocorra descontinuidade no fornecimento de gás natural, petróleo e GLP da região.

A Petrobras informa que os empregados que decidirem permanecer na companhia poderão optar por transferência para outras áreas. Mas, quem preferir, pode aderir ao Programa de Desligamento Voluntário, com pacote de benefícios. A petroleira reafirmou que “nenhum empregado da Petrobras será demitido em decorrência da transferência do controle da Reman para o novo dono”.

Gestão de portfólio

Esta foi a segunda refinaria, de um total de oito, a ter seu contrato de venda assinado pela Petrobras, logo após a liquidação da RLAM (Refinaria Landulpho Alves), na Bahia. Trata-se de mais uma etapa no processo de desinvestimento aprovado pelo Conselho de Administração da Petrobras e, conforme a petroleira, seguiu “rigorosamente” parâmetros aprovados pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e em todas as instâncias da governança corporativa da companhia.

Textos de divulgação distribuídos por ambas as empresas ressaltam que a venda está em consonância com a Resolução nº 9/2019 do Conselho Nacional de Política Energética. A referida legislação estabeleceu diretrizes para a promoção da livre concorrência na atividade de refino e integra o compromisso firmado pela Petrobras com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para a abertura do setor no Brasil.

A Petrobras informa que, a partir desse compromisso, definiu os ativos a serem vendidos, por meio da gestão estratégica de portfólio. Mas, a companhia garante que “está desinvestindo para investir mais e melhor”, focando em novos desafios nos campos em águas profundas e ultraprofundas do pré-sal e em inovações tecnológicas no parque de refino remanescente. A meta é permanecer como a maior refinaria do país, com foco na produção de combustíveis mais eficientes e sustentáveis, “nas unidades mais próximas à produção de petróleo e aos maiores centros consumidores”. 

“Oportunidades de negócios”

O diretor de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da Petrobras, Roberto Ardenghy, contou à reportagem do Jornal do Commercio que o processo de venda da Refinaria Isaac Sabbá começou há aproximadamente dois anos e foi competitivo, embora não mencione quantos concorrentes teve. Segundo o dirigente, a empresa ficou “muito contente” de que a melhor oferta tenha vindo de um grupo justamente da região.

“Estamos permitindo a entrada no mercado de novos refinadores. Vendemos a refinaria Landulpho Alves a um grupo dos Emirados Árabes. Agora, vendemos a Reman a um grupo da região amazônica. Esse processo é muito positivo, pois traz mais competição ao mercado brasileiro, que estava muito concentrado nas mãos da Petrobras. É um movimento de gestão do nosso portfólio, e do foco estratégico que estamos fazendo. Estamos muito contentes com o resultado”, comemorou.  

Com relação à saída ou não do Estado, Roberto Ardenghy destaca que a Petrobras continua explorando alternativas e oportunidades de negócios em todo o Brasil e não descarta a região nessa busca. “Estamos, por exemplo, fazendo trabalhos exploratórios na foz do Amazonas, onde haveria uma perspectiva de identificação da presença de petróleo em águas territoriais brasileiras, na chamada margem equatorial”, salientou. 

“Movimento transformador”

O grupo Atem é composto por diversas sociedades no ramo de combustíveis, logística rodoviária e fluvial e construção naval, entre outras, sendo a principal delas a Atem Distribuidora de Petróleo, sociedade anônima, fundada há mais de 20 anos. O Grupo está presente em nove Estados, possuindo, a Distribuidora, mais de 300 postos franqueados, cinco bases de distribuição ativas, quatro bases em construção e mais de 2.000 clientes ativos, movimentando um total de mais de 2 bilhões de litros de combustíveis por ano.

O acionista e um dos fundadores do grupo, Miquéias Atem, assinala que a aquisição da Reman foi um “movimento transformador” para a empresa. “Conhecemos e operamos na região Norte e sabemos das dificuldades logísticas enfrentadas pelas empresas. A aquisição da refinaria por uma companhia que conhece o atacado e o varejo regional trará sinergias e benefícios para todos que atuam neste mercado”, frisou.

A futura presidente da refinaria será a engenheira Flávia Soluri. Com mestrado pela COPPE/UFRJ e MBA pela Kellogg School of Management, ela atua há mais de 15 anos com recursos naturais, tendo passagem por diversas posições globais nas multinacionais Vale e Newmont Corporation. Conforme a executiva, a meta é fazer uma “transição tranquila”, oferecendo “alto nível de serviço” e custos competitivos.

“Apesar do desafio que se apresenta em gerir um ativo tão importante para a região, temos convicção de que a Reman estará em ótimas mãos, não somente pela larga experiência do grupo Atem na região, como também pelo time de executivos que comporão os quadros da refinaria (…) É desta forma que asseguramos ao mercado que todos os preceitos ambientais, sociais e de governança serão diligentemente observados”, concluiu.

Foto/Destaque: Divulgação

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