13 de agosto de 2022
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Petrobras eleva preço do Diesel, que fica 8,87% mais caro

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (9) um aumento do preço médio do diesel de 8,87% nas suas refinarias. A alta era esperada pelo mercado, diante da escalada das cotações internacionais nas últimas semanas.

Com isso, o preço médio do combustível nas refinarias passa de R$ 4,51 para R$ 4,91 por litro -o repasse aos consumidores depende de políticas comerciais de distribuidoras e postos de combustíveis.

O reajuste é anunciado em meio a críticas do próprio presidente Jair Bolsonaro (PL) aos elevados lucros da estatal. Na quinta (5), a empresa anunciou lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022 –classificado pelo presidente como um “estupro”. Bolsonaro também pediu à estatal que não fizesse novos aumentos.

Base eleitoral do presidente, entidades de caminhoneiros reclamaram do reajuste, assim como empresas de ônibus.

Nos últimos dias, com a alta das cotações internacionais, a Petrobras vinha sofrendo pressão do mercado para anunciar reajustes. O setor de combustíveis também alertava sobre o risco de falta de produtos, devido à dificuldade para importações por empresas privadas.

Segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), no entanto, mesmo com o reajuste anunciado nesta segunda, o diesel vendido no Brasil ainda tem uma defasagem de R$ 0,61 por litro. Antes do aumento, esse valor estava em R$ 0,94 por litro -há 60 dias a estatal não alterava o preço do combustível.

A Abicom também reclama da alta defasagem da gasolina, que está em 0,93 por litro. Há 60 dias a Petrobras não reajusta o preço do combustível.

Considerando a mistura obrigatória de 90% de diesel A e 10% de biodiesel para a composição do diesel comercializado nos postos, a parcela da Petrobras no preço ao consumidor passará de R$ 4,06, em média, para R$ 4,42 a cada litro vendido na bomba. Uma variação de R$ 0,36 por litro”, afirmou a empresa.

“Com esse movimento, a Petrobras segue outros fornecedores de combustíveis no Brasil que já promoveram ajustes nos seus preços de venda acompanhando os preços de mercado”, disse a estatal em comunicado.

Mesmo sem reajuste há 60 dias, o preço do diesel vinha com tendência de alta nas bombas. Na semana passada, o combustível foi vendido, em média, a R$ 6,630 por litro, R$ 0,02 acima do verificado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

Na sexta (6), em evento com analistas e jornalistas para detalhar o balanço do primeiro trimestre, a direção da Petrobras defendeu a política de preços e repetiu discurso defendendo que o bom desempenho da empresa gera ganhos ao país sob a forma de pagamento de impostos e dividendos.

“Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado, condição necessária para a geração de riqueza não só para a companhia mas para toda a sociedade brasileira, fundamental para atrair investimentos para o país e para garantir o suprimento de derivados que o Brasil precisa importar”, disse o presidente da companhia, José Mauro Coelho.

O último ajuste de preços aplicado pela Petrobras havia acontecido em 11 de março e, naquele momento, refletia apenas parte da elevação observada nos preços de mercado. Naquela oportunidade, a estatal elevou o diesel em cerca de 25%, a gasolina em quase 19% e o GLP em 16%.

“Desde aquela data, a Petrobras manteve os seus preços de diesel e gasolina inalterados e reduziu os preços de GLP, observando a dinâmica de mercado de cada produto”, disse a estatal.

“Nesse momento, no entanto, o balanço global de diesel está impactado por uma redução da oferta frente à demanda. Os estoques globais estão reduzidos e abaixo das mínimas sazonais dos últimos cinco anos nas principais regiões supridoras”.

Segundo a estatal, esse desequilíbrio resultou na elevação dos preços do diesel no mundo inteiro, com a valorização deste combustível muito acima da valorização do petróleo.

A Petrobras destacou que as refinarias da companhia já estão operando próximo do seu nível máximo (fator de utilização de 93% no início de maio), considerando as condições adequadas de segurança e de rentabilidade, e que o refino nacional não tem capacidade para atender toda a demanda do país.

“Dessa forma, cerca de 30% do consumo brasileiro de diesel é atendido por outros refinadores ou importadores. Isso significa que o equilíbrio de preços com o mercado é condição necessária para o adequado suprimento de toda a demanda, de forma natural, por muitos fornecedores que asseguram o abastecimento adequado”, observou.

“O Brasil é importador de derivados, portanto não seguir a paridade dos preços pode levar a desabastecimento do mercado”, disse à Reuters Pedro Rodrigues, do Cbie (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

“Independente da reclamação e insatisfação do presidente e de todos os consumidores, não seguir o preço internacional pode causar desabastecimento. Quando a margem começa a abrir muito, ou seja, combustível mais barato aqui dentro, o aumento é inevitável”, acrescentou Rodrigues.

No comunicado, a Petrobras disse reiterar “seu compromisso com a prática de preços competitivos e em equilíbrio com o mercado, acompanhando as variações para cima e para baixo, ao mesmo tempo em que evita o repasse imediato para os preços internos da volatilidade”.

Caminhoneiros e representantes de associações de empresas de transporte público voltaram a criticar a política de preços praticada pela Petrobras após a divulgação do reajuste do diesel.

Pelos cálculos da ANTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), o reajuste do combustível já é de 81% em 12 meses.

Caso fosse repassado integralmente para os preços das tarifas urbanas, representaria aumento de 27% a partir de maio, afirma a entidade.

“Se fosse para repassar, uma tarifa de R$ 5 passaria a R$ 7 só para cobrir o aumento do custo do diesel. É assustador, para dizer o mínimo”, diz Francisco Christovam, presidente da ANTU.

“O prefeito terá de tomar uma decisão. Ou repassa esses aumentos para as tarifas de utilização, e está cada vez mais difícil o passageiro dar conta de pagar sozinho, ou pratica subsídio”, diz Christovam.

A Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros), que reúne empresas de ônibus com linhas interestaduais, diz ter sido pega de surpresa com a notícia do novo reajuste do diesel.

A alta do combustível chega em um momento em que as empresas estavam deixando de lado os problemas decorrentes da pandemia, diz a associação.

“Depois de dois anos de intensos prejuízos no setor de transporte, com linhas completamente paralisadas, agora em abril estávamos finalmente voltando ao volume de embarques do início de 2019. Isso vai dificultar muito a recuperação financeira das empresas porque a população não está em condições de pagar”, diz Letícia Rio, conselheira da Abrati.

“Se não mudar essa política de preços, vai quebrar tudo o que é brasileiro, pequeno, médio empresário, vai quebrar todo mundo. Nós brasileiros não ganhamos em dólar, não tem mais como vincular todos os combustíveis vendidos no Brasil ao dólar”, diz José Roberto Stringasci, da ANTB (Associação Nacional de Transporte do Brasil Liberdade e Trabalho) e diretor do CNTRC (Conselho Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas).

A próxima mobilização da categoria, marcada para o dia 20, é uma caravana pela mudança da política de preços da estatal, organizada pelo site Soberano Brasil, com apoio da ANTB, começando por Curitiba (PR).

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