Pessimismo freia consumo local

A instabilidade política ainda gera insegurança no consumo. Pesquisa de Intenção de Compra e Confiança do Consumidor, divulgada ontem pelo IFPEAM (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas), aponta que no mês de setembro o consumidor se mantém pessimista quanto ao desenvolvimento da economia na capital, quando comparado a igual mês do ano anterior. Conforme o levantamento, 62,5% dos entrevistados desacreditam em recuperação econômica nos próximos seis meses. Mesmo assim, o amazonense demonstra intenção de compra para bens de consumo pessoal e duráveis, com destaque para o segmento de vestuário. Para os empresários, a inconstância no cenário político nacional e também Estadual, somada ao alto índice do desemprego, assusta o consumidor, que fica receoso de fazer novos investimentos.

A pesquisa foi aplicada no mês de agosto e contou com a participação de 400 pessoas. Conforme os dados, 76% dos entrevistados relatou que a situação econômica atual é considerada um pouco ou muito pior, quando comparada a setembro de 2016. Enquanto 22,2% afirmaram que a situação econômica pode ser considerada melhor que o observado em igual período do ano passado. Apenas 1,8% dos consumidores afirmou que a situação contábil permanece igual à registrada em setembro de 2016.
Conforme o relatório, maior percentual dos entrevistados (62,5%) acredita que a economia do Amazonas para os próximos seis meses estará um pouco ou muito pior. O percentual também foi expressivo em relação aos consumidores que afirmaram que a situação financeira piorou (52%), sendo que para 22,8% houve melhora.

Segundo o presidente da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), José Roberto Tadros, o Brasil passa por momentos complicados no meio político, o que afeta diretamente o desempenho econômico do país e consequentemente do Estado. Ele afirma que as inconstâncias registradas por meio de fatos diários no Congresso Nacional e o desencadeamento de novas fases de investigações policiais relacionadas aos crimes de corrupção, somados a outros fatores políticos, geram uma sensação de insegurança e resultam na retração do consumidor, que teme investir em meio aos anúncios de aumentos em taxas diversas.

“As notícias provocam pânico. Anúncios relacionados a aumentos abusivos sobre taxas, que muitas vezes não são aplicados, criam insegurança. Existem pessoas interessadas em tumultuar o ambiente e anunciam alta do combustível e demais itens, mas sem haver nada palpável. Os números mostram que a economia melhorou. Houve recuo nas taxas dos juros e também da inflação, como resultado, vemos o índice de emprego se recuperando lentamente”, disse o empresário. “Essa crise vem sendo fabricada há alguns anos com excesso de renúncias fiscais e práticas eleitoreiras, fatores que levaram à queda da economia”, completou.

Apesar do pessimismo apresentado pelo consumidor da capital, o empresário acredita que as vendas alusivas ao Dia das Crianças deverão apresentar bons resultados. Na pesquisa, 96,4% dos entrevistados também declararam acreditar que os preços dos produtos estarão mais caros em outubro, em comparação ao mês atual. Porém, Tadros negou a possibilidade de aumento nos itens.

“Acredito em boas vendas, mas nada que seja espetacular, devido ao tumulto criado a nível nacional decorrente de práticas de revanchismo político. Os preços estão relacionados à lei da oferta e da procura. Vivemos em um momento de poucos consumidores, então como poderá se ter aumento em preços? Os valores deverão permanecer como estão”, afirmou.

Na avaliação do presidente da assembleia geral e do conselho superior da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ismael Bicharra, o país vive um período de crises moral, política e econômica. Dentre as problemáticas, ele ressalta que a situação econômica é a que aponta sinal de recuperação, evidenciado por meio de números positivos, o que começa a gerar ânimo entre os empresários, que começam a investir e empregar. Ele afirma que a retomada da confiança do empresário reflete diretamente na população.

“Houve crescimento do PIB, queda da inflação e dos juros. Os números são positivos. Porém, temos uma crise política e moral que constantemente gera escândalos por meio de novas denúncias e isso deixa alguns empresários temerosos. O Estado também passa por instabilidade política e ao mesmo tempo, a indústria sofreu um alto índice de desemprego. Mas, no contexto geral a confiança do empresário tem melhorado sensivelmente, ao mesmo tempo em que vemos o consumidor respondendo positivamente”, disse.

De acordo com Bicharra, a elevação dos preços dos produtos no comércio está descartada. “A situação está difícil. Há uma guerra nos preços pela sobrevivência”.

Intenção de compra
Apesar do pessimismo, a intenção de compra do consumidor permanece com foco em bens de natureza pessoal e duráveis. Destacam-se os setores de vestuários (14,5%), calçados (8,0%), artigos desportivos (6,3%), veículos (5,8%), celular (5,3%), relojoaria (4,3%), ótica (1,8%), livraria e papelaria com 1,5%.
Quanto ao local onde os consumidores costumam fazer as compras, a preferência continua sendo o centro da cidade (68,5%). Enquanto 18% preferem fazer as compras nos shoppings da cidade e 13,5% no comércio próximo da residência.

Qual sua opinião? Deixe seu comentário

Gostou do Conteúdo? Assine nossa Newsletter

Compartilhe:

Facebook
Twitter
LinkedIn
Telegram
WhatsApp
Email

Compartilhe:

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email