Pesquisa mostra rico potencial da quebra-pedra

Quem nunca tomou chá de quebra-pedra (Phyllanthus amarus), que quebre a primeira pedra, afinal de contas a planta cura tantos problemas, e é tão fácil de ser encontrada, que é quase impossível existir alguém que não a conheça. Empiricamente sabe-se que a quebra-pedra serve para ajudar a emagrecer, devido ter ação diurética; aliviar os sintomas da azia, e as dores, porque tem ação analgésica; melhorar a prisão de ventre; reduzir espasmos, atuando como relaxante muscular; controlar a diabetes, pois ajuda a baixar o açúcar no sangue; combater infecções no fígado, como a hepatite B; e principalmente, daí vem seu nome, tratar e prevenir pedras nos rins e na vesícula.

Mas agora, com o apoio da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), pesquisas realizadas na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em parceria com o CPQBA (Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícola, da Unicamp), mostraram que a planta pode ser excelente no combate à doença de Chagas e à leishmaniose cutânea.

O projeto ‘Prospecção e identificação de compostos isolados de Phyllanthus amarus Schum and Thonn com potencial atividade leishmanicida’, foi realizado por um grupo de pesquisadores de Manaus e de Campinas e concluído em quatro anos e meio.

“A escolha em estudar a Phyllanthus amarus e as substâncias presentes nas suas folhas, foi  devido ao seu potencial etnofarmacológico, ou seja, é uma planta medicinal amplamente utilizada pela população no tratamento de diferentes doenças e em diferentes lugares do mundo”, falou a pesquisadora Gabrielly Galdino Conrado, doutora em Ciências, na área de concentração em Fármacos, Medicamentos e Insumos para Saúde.

“Porém, eu e o grupo de pesquisa da Divisão de Química Orgânica e Farmacêutica do CPQBA, ainda não tínhamos encontrado muitos estudos científicos investigando o seu potencial contra os protozoários causadores da doença de Chagas e leishmaniose cutânea”, explicou.

Estudada há décadas

Tanto a doença de Chagas quanto a leishmaniose cutânea são mais comuns entre populações rurais, ou bairros periféricos, desassistidos por órgãos de saúde pública. As duas doenças atingem principalmente populações de baixa renda, que vivem em áreas com saneamento básico precário.

Estudos iniciais demonstraram que as substâncias presentes nas folhas da quebra-pedra combatem os parasitas causadores dessas doenças, porém, ainda necessitam mais estudos acerca da atividade antiprotozoária destes possíveis candidatos a fármacos.

“Como existem algumas similaridades entre as duas doenças, o tratamento com quebra-pedra deve servir para ambas. Elas são parasitárias, causadas por protozoários tripanosomatídeos; fazem parte da lista de DTNs (Doenças Tropicais Negligenciadas), responsáveis por alta mortalidade anual em países tropicais subdesenvolvidos; acometem principalmente populações de baixa renda; e apresentam complicações terapêuticas, reforçando a urgência de medicamentos alternativos”, informou.

Devido o quebra-pedra ser uma planta estudada há muitas décadas, diversos resultados científicos já comprovaram suas propriedades: antiinflamatória, analgésica, antitumoral, antiparasitária, entre outras.

“Mas estudos científicos da planta voltados ao combate da doença de Chagas e leishmaniose cutânea, são escassos”, completou.

E não é com o chá que os protozoários serão combatidos.

“O tratamento com o chá não é eficaz. Substâncias isoladas da quebra-pedra são capazes de combater os parasitas, porém, outros estudos precisam ser realizados para que essas substâncias possam vir a se tornar um medicamento”, concluiu.

Habitat nos trópicos

O Phyllanthus amarus é popularmente conhecido no Brasil como quebra-pedra sendo utilizado tradicionalmente na medicina popular para problemas de saúde associada ao aparelho urinário. A distribuição dos centros de diversidade desta espécie ocorre em toda região tropical do mundo, sendo o Brasil um dos maiores destes centros. Devido ao uso antiviral da espécie na cultura tradicional asiática, cientistas e empresas farmacêuticas investem há mais de uma década em pesquisas com a P. amarus

Doença de Chagas: é uma enfermidade infecto-parasitária causada pelo protozoário T. cruzi, encontrado nas fezes de insetos conhecidos como barbeiros. A doença se manifesta em duas formas clínicas, uma fase aguda e uma fase crônica. Nas duas fases, pode haver manifestação ou não de sintomas clínicos. Quando há manifestação na fase aguda, os sintomas podem ser febre, miocardites, mialgia (dor muscular) e na fase crônica, problemas cardíacos e digestivos são os mais frequentes.

Leishmaniose cutânea: é uma doença infecciosa não contagiosa causada pelo protozoário leishmania, transmitido ao homem e aos animais silvestres pela picada do mosquito-palha infectado. O parasita é controlado pelo sistema imunológico do hospedeiro. Indivíduos que não possuem uma resposta imunológica eficaz contra leishmania desenvolvem úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas superiores. Há duas formas de leishmaniose: a cutânea e a visceral. 

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