Pesquisa analisa conflitos dos pescadores

Fazer uma analise dos conflitos sociais que envolvem a atividade pesqueira com relação a utilização do recurso na cadeia produtiva por comunidades próximas ao município de Manacapuru é o que propõe a pesquisa “A ressignificação dos comuns conflitos sociais, ação comunicativa e cultura política no uso dos recursos pesqueiros na Amazônia Central” do doutorando Tiago da Silva Jacaúna.
Por meio da pesquisa foi evidenciado que a atividade da pesca é problematizada por meio da ótica de quem utiliza o recurso pesqueiro no início da sua cadeia produtiva. Dessa forma, o peixe se apresenta como elemento de disputa no jogo de interesse dos seus diversos usuários.
O autor do trabalho, que também é sociólogo, disse que o objetivo da pesquisa foi analisar o uso comum dos recursos pesqueiros em lagos de ‘livre acesso’ e os conflitos em torno da atividade em unidades sociais rurais do Município de Manacapuru (AM). Ele conta que procurou compreender os motivos históricos do surgimento dos conflitos envolvendo a prática da pesca, além de identificar e caracterizar os sujeitos sociais envolvidos nos conflitos e investigar as iniciativas locais para assegurar o uso sustentável dos recursos pesqueiros.
Entre os envolvidos com a questão o pesquisador aponta os pescadores de subsistência ou de autoconsumo (habitantes das próprias comunidades, que utilizam a pesca para o consumo familiar), os pescadores comerciais locais (àqueles que utilizam o peixe como principal atividade econômica servindo ao comercio pesqueiro de Manacapuru) e os pescadores comerciais citadinos (os que moram em Manacapuru e que trabalham por conta própria ou em barcos de pesca.
A pesquisa foi apresentada no curso de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), e continua sendo desenvolvida, agora no curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). De acordo com Tiago Jacaúna, os pescadores envolvidos na pesquisa são vistos como sujeitos que possuem racionalidades, interesses e formas específicas de perceber e utilizar os recursos pesqueiros.
“A análise dos resultados foi feita travando um diálogo próximo com teorias explicativas da ação coletiva, teorias essas que serviram como plano de fundo para várias políticas públicas relacionadas a gestão ambiental, como a tragédia dos comuns, o dilema dos prisioneiros, e a lógica da ação coletiva”. Ele explica que essas teorias sugerem que os grupos sociais não seriam capazes de criar mecanismos de controle do uso e dos usuários dos recursos utilizados de forma comunal.
A pesquisa também aponta que diante do dilema social causado pela diminuição de alguns estoques de peixe, os acordos de pesca celebrados entre os pescadores de subsistência de algumas comunidades, é exemplo do equívoco das teorias da ação coletiva, pois verifica-se a presença de cultura política, capital social, ação comunicativa e capacidade organizativa entre os pescadores de subsistência.

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