Período de quarentena para o comércio e serviços é estendido

Assim como era esperado pelos empresários, o governo estadual resolveu estender o período de quarentena para comércio e serviços. Previstas para começarem ser relaxadas nesta quarta (13), com retorno gradual das atividades a partir do dia seguinte, as medidas de restrição foram prorrogadas até 31 de maio, adiando o calendário previamente estabelecido pelo Executivo do Amazonas.

A escalada dos números locais do Covid-19 abortou temporariamente esse retorno. O Amazonas registrou 1.249 novos casos, só nesta terça (12), totalizando 14.168 registros confirmados do novo coronavírus, segundo boletim epidemiológico divulgado pela FVS-AM (Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas). Foram confirmados também mais 42 mortes pela doença, elevando para 1.098 o total de baixas, desde o começo da pandemia no Estado. 

Em linhas gerais, a minuta do decreto submetido à apreciação de representantes de poderes e de órgãos de controle, bem como dirigentes de classe, mantém vários dispositivos previstos no decreto anterior (42.106/2020), segundo fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio. O documento frisa, contudo, em parágrafo único, que “os estabelecimentos comerciais poderão funcionar, exclusivamente, para entregas em domicílio ou como ponto de coleta”. 

As exceções onde ainda é permitido o atendimento presencial vem de segmentos essenciais, como supermercados, drogarias, padarias, bancos, lotéricas, postos de combustíveis e distribuidoras de gás e água, entre outros. Armarinhos saíram da lista e lojas de autopeças só poderão atender por delivery. Esteve em discussão também limitar o drive thru para os subsetores de alimentação. Lojas de materiais de construção e elétrico, por outro lado, não foram contemplados desta vez, embora as fontes ouvidas pelo Jornal do Commercio afirmem que o assunto ainda iria ser avaliado pelo governador, antes da assinatura do novo decreto, prevista para esta quarta (13). 

Sem aglomerações

“O governador ficou de pensar a respeito da flexibilização do funcionamento dos salões de beleza também, mediante critérios de segurança. De positivo, vejo que o governador se sensibilizou com as colocações do comércio, que não é responsável pelo aumento dessa pandemia. Abrir as lojas não significa gerar aglomerações. O que é preciso é atender as medidas de segurança”, afiançou o presidente em exercício da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, 

O dirigente lamentou que ainda não tenha sido desta vez que o comércio de bens não essenciais tenha sido autorizado a voltar a abrir suas portas e lembrou que os efeitos mais dramáticos dessa situação se dão na escalada do desemprego. Frota, no entanto, avalia que a data de reabertura está próxima. “A doença está avançando mais no interior do que na capital, onde os números começam a apontar para alguma estabilidade”, opinou.

“De uma vez”

O presidente da FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas), Ezra Azury, concorda que medidas de restrição são necessárias para conter a escalada da pandemia e lamenta as perdas do setor. Em contraste, o dirigente avalia que os prazos e o grau das medidas não estão sendo adequados e acabam apenas postergando o problema. 

“Ficar 19 dias sem faturamento é muito tempo para o setor aguentar. Mas, acho também que não dá para ficar voltando aqui no dia 29 ou 30, para fazer novas prorrogações. É melhor endurecer logo e fazer tudo de uma vez. Desse jeito, os shoppings, que estavam na última etapa de retorno das atividades, não vão voltar nunca. E cada vez que adiamos esse retorno, a população empobrece ainda mais”, desabafou.

Adesão ou retrocesso

Procurado pelo Jornal do Commercio, o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, informou que não pode participar da reunião, mas defendeu a necessidade do adiamento do retorno das atividades comerciais presenciais, em face da atual situação, sob pena de um eventual recrudescimento da pandemia, caso contrário.

“É uma ação necessária, embora não seja o que o mercado esperava e o que desejávamos. Mas os números indicam que ainda é preciso um esforço extra agora, para não termos que retroceder muito, mais à frente. Para que possamos sair mais rápido dessa situação, a aderência da população ao isolamento, e ao uso de máscara, serão fundamentais. A baixa adesão até aqui, não ajudou em nada. Pelo contrário”, finalizou. 

Fonte: Marco Dassori

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