Périco diz que alto nível de estoque gera desperdício

Segundo Wilson Périco, as empresas precisam manter os estoques de matéria-prima e de mercadorias prontas em patamares pré-estabelecidos, porque assim como o excesso representa desperdício, a falta de componentes e mercadorias prontas no estoque também traz prejuízo às fábricas. “Quando as indústrias estão com baixo nível de matéria-prima armazenada, há redução na produção. E quando a quantidade acumulada de produtos acabados está abaixo do estipulado, ocorre a queda nas vendas”, observou o presidente do Sinaees.

Dólar influenciou

Com base na explicação de Wilson Périco, que aponta o alto nível de estoque de mercadorias prontas como motivo para a suspensão das atividades, o presidente do Corecon-AM/RR (Conselho Regional de Economia dos Estados Amazonas e Roraima) e especialista em desenvolvimento industrial, Martinho Azevedo, analisou que a alta súbita da moeda americana e os preparativos para as vendas de fim do ano foram determinantes para que a Gradiente reduzisse seu estoque.
Desde o dia 15 de maio, o dólar vinha sendo cotado abaixo de R$ 2. Entretanto, nos últimos meses a moeda americana passou da casa de R$ 1,80 para a de R$ 1,90, até atingir ontem o maior patamar desde o dia 4 de maio deste ano (R$ 2,032). No final do pregão, o dólar indicou alta de 2,26%, ao chegar a R$ 2,028 na compra e a R$ 2,030 na venda. “A moeda americana teve um ganho financeiro significativo e as empresas não podem ficar com dinheiro parado no estoque”, interpretou.
O economista lembrou ainda que nesse período a produção das empresas aumenta devido aos contratos de fornecimento fechados para o fim do ano, de forma que a manutenção de grandes volumes no estoque se torna inviável.

Modelo de produção

De acordo com o especialista em engenharia econômica, Cláudio Barbosa, a utilização de medidas paliativas para a diminuição de estoques é um problema habitual do sistema de produção em massa ou sistema ‘fordista’, criado por Henry Ford e utilizado até hoje pela maioria das indústrias brasileiras.
Segundo Barbosa, esse modelo teve sua importância no século 20, mas não é o ideal para a nova configuração econômica que as empresas vivenciam hoje. “No sistema de produção em massa, as indústrias produzem com base na previsão de vendas, o que é um risco. Já no sistema enxuto de produção, criado pela Toyota, as indústrias só fabricam o produto por demanda, depois de tê-lo vendido”, diferenciou.
Cláudio Barbosa afirmou que o modelo de produção enxuta já é praticado há 50 anos no Japão. No Ocidente, o sistema é conhecido há 20 anos e no Brasil, há dez. “Entre as principais características dessa ‘nova’ lógica de fabricação, estão a eliminação de estoques e a compactação das linhas produtivas”, disse o especialista.

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