Perdigão vira o jogo ­sobre a Sadia após oferta hostil arriscada pela rival

Custou caro para a Sadia a tentativa fracassada de compra da Perdigão feita em julho do ano passado. Transcorrido pouco mais de um ano da oferta de R$ 3,88 bilhões, a Perdigão está a um passo de virar o jogo sobre a rival e se tornar a maior companhia do segmento no país. O anúncio da fusão com a Eleva, controladora da Avipal (carnes) e da Elegê (lácteos), tornará a Perdigão líder em valor de mercado entre as empresas desses segmentos, além de assumir a liderança brasileira em receita.

“Foi depois da oferta da Sadia que a Perdigão adotou uma postura muito mais agressiva em termos de diversificação do negócio e diluição de risco. Comprou uma processadora de carnes na Europa, ampliou aquisições na área de bovinos e de margarinas e avançou muito em lácteos”, explicou o analista da Geração Futuro, Rafael Andréas Weber.

O mercado ainda desconhece os detalhes da operação de fusão entre a Perdigão e a Eleva, mas independente da forma final da operação (troca de ações, desembolso de capital ou ambos), o negócio dá forças para a Perdigão enfrentar eventuais concorrentes internacionais no mercado interno. Em 2006, quando recusou a oferta da Sadia, a empresa alegava haver “culturas empresariais” incompatíveis.

Cenário atual

Como outras companhias de capital aberto, as duas empresas se valorizaram no último ano, mas a Perdigão reduziu muito a distância que tinha sobre a rival. Em 30 de junho de 2006, o valor de mercado da empresa era de R$ 2,8 bilhões. O valor da Sadia no mesmo período era de R$ 3,9 bilhões. Na sexta-feira, a Perdigão valia R$ 7,5 bilhões, segundo avaliação do mercado. A Sadia havia alcançado R$ 7,8 bilhões. Com a Eleva, a Perdigão deverá incorporar um valor de R$ 1,4 bilhão. Na sexta-feira, as duas operações combinadas valiam R$ 9 bilhões.

As receitas da Perdigão também cresceram nos últimos meses. A Sadia ainda é a líder, fechou o período de um ano (findos em 30 de junho) com receita de R$ 7,7 bilhões. A Perdigão chegou a R$ 6 bilhões. A Eleva, no mesmo período, obteve uma receita de R$ 2,7 bilhões. Juntas, se tornam uma operação de R$ 8,7 bilhões, um bilhão a mais do que a Sadia. “É uma mudança importante. Do ponto de vista do negócio, a fusão com a Eleva dá à Perdigão um poder grande na exportação de frangos e isso afeta a Sadia”, avaliou os analistas do Banif (Banco Internacional do Funchal) que acompanham mercado de alimentos.

Para o analista do ABN Amro Real Corretora, Pedro Galdi, a fusão além de melhorar a performance da Perdigão no setor de carnes, mas dará um novo impulso no segmento de produtos lácteos. A Batávia é uma operação importante no Sul do país, mas a Elegê – marca da Eleva – além de deter negócio no sul e no Sudeste também tem presença forte no Nordeste e no Centro Oeste. “Acho que neste negócio, as sinergias de operação serão muito grandes” avaliou Galdi.

Perdigão e Eleva ainda não divulgaram oficialmente os prazos para a definição do modelo de fusão que será adotado pelas duas empresas. Entre a próxima quinta e sexta-feira, a Perdigão deverá divulgar o balanço do terceiro trimestre do ano. Pode ser que neste momento, a direção informe sobre a forma da operação e, quem sabe, o valor. Estimativas feitas pelo mercado apontam que o valor da Eleva poderá variar entre R$ 1,5 bilhão a R$ 2,3 bilhões.

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