Perdas de vestuário atingem 14,15% no faturamento do exercício de 2009

Disposta a recuperar as perdas de 2009 que contabilizaram um encolhimento de 20% na produção do setor em relação a 2008, o que resultou numa queda de 14,15% no faturamento, a indústria do vestuário local projeta crescer 4,5% em 2010. A performance positiva é do Sindconf-AM (Sindicato das Indústrias de Confecções de Roupas e Chapéus, Material de Segurança e Proteção do Estado do Amazonas) que tem como foco o setor eletroeletrônico que deve crescer devido a Copa do Mundo.

O presidente da entidade, Engels Lomas de Medeiros, disse que os empresários que trabalham com uniformes profissionais apostam também no setor de construção civil e engenharia, que devem iniciar obras importantes para a Copa de 2014. “O setor privado deve continuar em alta por conta da quantidade de hotéis hoje em construção”, comentou.

Seguindo as previsões dos analistas econômicos de que o PIB nacional deve crescer em torno de 4,5% neste ano, o dirigente avalia que esse crescimento é importante para distanciar os empresários da crise financeira provocada pelos países ricos e se abateu em todo o mundo.

Segundo Engels Medeiros, até o início de 2009, o mercado regional do setor de roupas profissionais estava em franco crescimento com índices acima da média nacional, acompanhando o crescimento de demanda do PIM (Polo Industrial de Manaus), das obras da Petrobras -referente ao gás e petróleo-, e da construção civil, principalmente nas obras do governo. “Com a crise contabilizamos uma queda de 20% na produção do setor, haja vista que a indústria reduziu suas encomendas drasticamente”, informou.

Os indicadores industriais recentemente divulgados pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) apontam que o setor de vestuário e calçados do PIM teve seu faturamento encolhido de US$ 21.19 milhões, em 2008, para US$ 18.19 milhões no ano passado, o que resultou numa queda superior a 14%.
Medeiros comentou que o setor de roupas profissionais, que ainda é o mais expressivo no Amazonas -se tratando da indústria do vestuário-, depende muito da performance da indústria do PIM, muito prejudicada no ano passado, principalmente o setor de duas rodas, que fechou em queda.

Apesar do recuo, a indústria do vestuário local conta com outros setores para se manter atrativa, como o de energia elétrica, que utiliza uniformes antichama -não pegam fogo nem choque-, utilizados pela Amazonas Energia e suas terceirizadas.
Formado por mais de 140 empresas formais, entre micro, pequenas médias e grandes que fabricam desde fardamento escolar e profissional, passando por confecções, o setor tem empresas participando de licitações fora do Estado, cujas encomendas são produzidas em Manaus. Dados da Sindconf-AM apontam que a industria do vestuário gera em torno de 35 mil empregos entre diretos e indiretos, computando todos os ramos de atividade do setor.

Segundo Engels, a organização é a melhoria da qualidade dos produtos são fatores fundamentais para que as empresas do setor se profissionalizassem e passassem a competir com as de fora. “Não se pode mais apostar no menor preço sem qualidade contra maior preço com qualidade. As empresas que compram devem apostar no custo x benefício. As que produzem devem confeccionar produtos com qualidade, cuja venda resulte em lucro e entregar no prazo solicitado”, enfatizou.

Mercado crescente

Com o foco voltado para roupas profissionais, a Kosturas. Com quer crescer 30% em 2010 ante ao ano passado. A empresa atende indústrias do PIM, o setor de petróleo e gás e escolas particulares. O diretor industrial da empresa, Fernando Martins, disse que a fabricante teve um leve recuo por conta da crise, mas nem por isso ficou no vermelho. “Na medida que o setor fabril do PIM reduziu suas atividades, as encomendas para novos fardamentos também encolheram, porém com a volta das atividades à normalidade, as indústrias retomaram os pedidos”, informou.

Na opinião de Martins, o mercado do vestuário está sempre em ascensão, considerando que as atividades corporativas –indústria, comércio, serviços e a construção civil- utilizam uniformes e têm seus períodos de renovação do fardamento, tendo em vista o tempo de vida útil dos mesmos que varia de acordo com as atividades desenvolvidas pelos clientes. “Pode ser de três em três meses, seis em seis e até um ano”, disse, ressaltando, no entanto, que a média do período de troca do vestuário varia entre cinco e seis meses.

Produzindo em média de 5 mil a 6 mil peças por mês, a Kosturas.Com emprega 15 funcionários fixos. No entanto, uma gama de pessoas são chamadas para dar reforço no período de maior sazonalidade. “Quando a demanda de encomendas aumenta chamamos mais pessoas para trabalhar”, informou, ressaltando que a sazonalidade do mercado não permite que se mantenha o quando de profissional sempre ativado.

Uma das dificuldades do setor ainda é a matéria-prima que vem de fora do Estado por falta de fabricantes de tecidos no mercado local e na região. A mão de obra também mereceu um destaque do empresário ao afirmar que muito precisa ser feito neste campo, visando qualificá-la. “Cada indústria de confecção tem procurado treinar seus profissionais de costura, porém quando os mesmos estão capacitados são atraídos para outras empresas”, informou.

Empresas associadas ao Sindconf-AM oferecem diversidade de produtos com marca própria

Hoje as empresas associadas ao Sindconf-AM em sua maioria já participaram de programas de treinamentos específicos e são qualificadas na produção que vai de roupa de malha, abadás, colegiais, sociais, vestuário de moda praia, infantil, bermudas e camisas, até roupas especiais como os uniformes antichama.
Órgãos como o Senai (Serviço Nacional da Indústria), Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa no Amazonas) são apontados pelos empresários do setor como incentivadores do setor. “O presidente da Fieam, Antonio Carlos Silva, desde que assumiu a direção do órgão tem sido um grande incentivador, inclusive nos ajudou a criar o Polo da Moda em Manaus, que vai completar um ano de atividade em maio e conta com três empresas residentes e 20 associadas”, garantiu Engels Medeiros.

A coordenadora do polo, Emmanuelle Pampolha, informou que cada empresa tem sua marca própria, o que lhes credencia a vender diretamente para os lojistas. Em recente desfile realizado no polo, situado no bairro Alvorada, do qual participaram sete empresas incubadas, vários lojistas que atuam com confecção se fizerem presentes. “Estamos realizando parcerias com faculdades -que tem curso de moda-, visando treinar os fabricantes de roupas”, informou.
Emmanuelle contou que a produção do polo está dividida em moda praia, infantil e adulto, onde estão sendo utilizados itens da floresta e couro de peixes nas roupas, o que permite colocar o DNA da região na moda local.

Dados nacionais

A Abravest (Associação Brasileira do Vestuário) vai promover uma grande liquidação neste ano porque toda a indústria de roupas precisa estar dentro das novas regras da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Em setembro do ano passado, a entidade decidiu que a norma que padroniza os tamanhos das roupas nacionais terá que ser usada por todos os fabricantes. Assim, uma calça 40 deve servir para quem tem esse manequim em qualquer loja, independentemente da marca. Com isso, os lojistas e fabricantes precisam livrar-se de 5,5 bilhões de peças que estão fora dos novos padrões, o equivalente a um ano de produção da indústria nacional do vestuário.

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