Perdas acumuladas na indústria

Pelo quinto mês consecutivo o PIM (Polo Industrial de Manaus) registrou redução no índice de postos de trabalho, impulsionando o saldo total de perda de mão obra no Estado. Conforme os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), no mês de junho a indústria de transformação contabilizou saldo negativo de 222 postos de trabalho, na redução entre admitidos e desligados. A variação negativa foi de 0,22% em relação ao mês anterior. Entre os setores que começam a sinalizar melhores resultados está o da construção civil com a geração de 167 postos de trabalho.

Conforme o Caged, nos últimos 12 meses o saldo entre admissões e desligamentos da indústria amazonense totaliza menos 1.573 vagas, com variação negativa de 1,55%.

De acordo com o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, há pelo menos três anos o Estado, principalmente as fabricantes do PIM, sofrem com a instabilidade na geração de empregos. No período de 2014 até este ano mais de 50 mil postos de trabalho foram encerrados no distrito industrial.

Na avaliação de Périco, somente uma mudança no setor econômico brasileiro pode resultar em recuperação produtiva local e logo, na geração de empregos.

“A estabilidade de empregos ainda não chegou ao Amazonas. Desde 2014 não temos crescimento quanto a postos de trabalho, da mesma forma como acontece com a indústria nacional. O nível de incerteza é grande e temos que aguardar a aprovação e implementação das medidas econômicas por parte do Governo Federal. Somente essas ações podem resgatar a confiança do consumidor e consequentemente refletir no consumo e na geração de empregos”, disse o empresário.

Além da indústria, outro setor que também apresentou resultados negativos consecutivos quanto à mão de obra nos últimos três meses foi o comércio. Em junho o segmento registrou o saldo negativo de 152 vagas e variação de menos 0,16%. Na comparação com o mês anterior o número apresenta novo aumento no volume de desligamentos, quando o segmento contabilizou saldo negativo de 123 postos.

Segundo o presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba Antonio Filho, o comércio seguiu na perda de mão de obra durante todo o primeiro semestre e a esperança, na sua avaliação, está na implementação da reforma trabalhista. O empresário considera que as mudanças impostas à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) proporcionarão segurança jurídica aos empresários e empregadores. Consequentemente, ele assegura que haverá geração de empregos. “A reforma trabalhista é um alento aos empresários e proporciona segurança jurídica a quem quer investir. A nova legislação nos permitirá ousar, empregar mais porque teremos mais tranquilidade para investir. Com certeza, essa reação acontecerá paulatinamente e acredito que até o final do segundo semestre poderemos ter melhores resultados”, comentou.

Filho acredita que além das novas legislações trabalhistas o comércio poderá ter melhores resultados gerados pela injeção do décimo terceiro e também pelas datas comemorativas como o dia dos pais, das crianças, natal e ano novo. “Nesse período geralmente contratamos serviço temporário e também geramos empregos formais. A segurança jurídica somada ao aumento na demanda resultará em mais contratações”, estima o presidente.

Um setor que registrou saldo positivo entre o volume de admitidos e demitidos, em junho, foi o da construção civil. O segmento contabilizou acréscimo de 167 postos de trabalho e
saiu da escala negativa após cinco meses consecutivos de perda de mão de obra. Os números, ao serem comparados mensalmente, apontam diminuição gradativa no volume de encerramento de empregos. Em janeiro deste ano o setor obteve o saldo negativo de 491 vagas; seguido dos meses de fevereiro (426), março (394), abril (244) e maio (108).

Conforme o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas), Frank Souza, no período de janeiro a maio deste ano o volume de vendas apresentou crescimento de 26% em relação a igual período de 2016, resultado de ações como por exemplo o Feirão da Casa Própria e convênios como o firmado com a Prefeitura de Manaus, facilitando a aquisição de habitação por parte do funcionalismo municipal. A melhora no cenário econômico e a retomada na confiança do consumidor também contribuíram para a retomada na contratação de mão de obra do setor, segundo ele.

“Vários indicadores estão contribuindo para a melhora dos resultados do setor. A redução da inflação, da taxa de juros, as ações implementadas e parcerias resultam na recuperação do setor imobiliário. Vale ressaltar que a maior oferta de crédito por parte do Governo Federal é a porta de entrada para a contratação de mão de obra. A economia dá sinais de recuperação e retomada na confiança do consumidor. Uma novidade, é que pretendemos lançar convênio com o Governo do Estado. Com tudo isso, acredito em melhores resultados no segundo semestre”, disse.

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