Percentual de endividados em Manaus cai em agosto

O percentual de consumidores de Manaus endividados com cheques, cartões de crédito e carnês de loja, entre outros meios de pagamento, caiu pelo quinto mês consecutivo, na passagem de julho para agosto. Houve redução também na inadimplência, sendo que a capital amazonense seguiu na contramão da média nacional em ambos os casos. As informações foram extraídas da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). 

Na sondagem, 77% das famílias manauenses ouvidas (484.851) se dizem endividadas, patamar inferior ao de julho de 2020 (79,8%) e já idêntico ao registrado há exatos 12 meses. Foi o menor percentual do ano registrado em nível local. Em âmbito nacional, o indicador cresceu 0,1 ponto percentual e chegou a 67,5%, o maior da série histórica da sondagem, que começou em 2010. No comparativo anual, o índice registrou aumento de 2,7 pontos percentuais.

O índice de inadimplência na capital (25% e 157.352 famílias) encolheu pela segunda vez seguida na comparação mensal, ficando pouco abaixo do registro de julho (25,2%) e ainda acima do patamar de agosto de 2019 (20,1%). Só 7,3% disseram que devem poder quitar a dívida totalmente e 40,3%, parcialmente – contra os respectivos 4% e 38,7% de julho. A proporção de brasileiros inadimplentes subiu de 26,3% para 26,7% – a mais alta desde março de 2010. Em comparação com agosto de 2019, houve alta de 2,4 p.p.

A fatia correspondente às famílias que declararam não ter condições de quitar suas dívidas em atraso interrompeu uma série de três meses de alta para encolher de 14,4% (90.637) para 13,1% (82.370), entre julho e agosto. A retração foi ainda mais severa em relação à marca de um ano atrás (20,1). No país, o índice manteve-se praticamente estável, passando de 12% para 12,1%, embora tenha ficado bem acima do número de 12 meses atrás (9,5%).

Tempo e dependência

A maioria dos manauenses entrevistados (51,4%) se assume “muito endividada” – contra os 54,3% de junho. São seguidos bem de longe pelos que se dizem “pouco endividados” (13,8%) e “mais ou menos endividados” (11,8%), com níveis pouco aquém dos capturados na sondagem anterior (13,3% e 12,3%, respectivamente). Os consumidores com renda total de até dez salários mínimos predominam apenas no primeiro grupo. 

O tempo de inadimplência mostrou achatamento em Manaus, entre um mês e outro. Entre os manauenses inadimplentes, 48,9% devem há mais de 90 dias – com destaque para os que têm ganham até dez mínimos (51,9%). Foram seguidos pelos que estão atrasados entre 30 e 90 dias (41%) e pelo grupo pendente há menos de um mês (10%). Em julho, os números foram 61,3%, 31,4% e 7,3%, respectivamente.

Uma redistribuição semelhante se deu na estimativa de tempo para quitar as dívidas, na capital amazonense. A maioria (36,4%) estima permanecer comprometido com dívidas por mais de um ano (38,3%), ou entre seis meses e um ano (34,7%). Foram seguidos por aqueles que ficaram pendurados entre três e seis meses (13%) e menos do que três meses (5,9%). No mês anterior a divisão se deu na seguinte ordem: 35,3%, 36,4%, 12,2%, 6,4%

Cartão e comprometimento

Em Manaus, o maior vilão do endividamento e da inadimplência ainda é o cartão de crédito, mas este reduziu sua participação no bolo, de 95,5% para 94,7%. Diferente dos meses anteriores, o percentual foi maior para os que ganham menos de mais de dez mínimos (94,8%) do que para os que recebem acima disso (93,5%). Carnês (67,7%) estão na segunda posição, também reduziram sua fatia ante julho (66,1%), e aumentaram sua predominância entre os mais pobres (71,1%). 

Em média, as famílias de Manaus consomem 44,1% de sua renda para pagar dívidas – pouco abaixo dos 45% anteriores. A maioria esmagadora (65,2%) já compromete mais da metade dos ganhos mensais com dívidas. São seguidos de longe pelos que gastam de 11% a 50% (24,8%) e pelos que limitam os dispêndios a 10% (1,3%). No mês passado, essas fatias foram de 71,7%, 21,2% e 1,4%, respectivamente.

No entendimento do assessor econômico da Fecomércio AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), José Fernando Pereira da Silva, os dados da CNC mostram uma melhora substancial no panorama econômico para o consumidor de Manaus e, consequentemente, para o varejo também. Segundo o especialista, juros mais baixos, além do auxílio emergencial, ajudam a sustentar esse cenário.

“A maior oferta de crédito ajudou, assim como o auxílio emergencial, que deu um alento para o consumidor comprar itens básicos, embora possa representar uma bolha. Mas, o fato é que a quantidade de famílias endividadas e inadimplentes caiu. Os números mostram que a economia vem se recuperando, ainda que de forma lenta e gradual. Tenho esperança de que as coisas continuem dando certo”, comentou. 

“Benefícios emergenciais”

No texto distribuído pela assessoria de imprensa da CNC, a economista responsável pela pesquisa, Izis Ferreira, observa que 21,4% das famílias brasileiras endividadas afirmaram ter mais da metade da renda mensal comprometida com o pagamento das dívidas, demostrando a terceira queda mensal consecutiva do indicador, após este ter alcançado 22,4%, em abril. “Embora o endividamento tenha crescido mais entre as famílias de menor renda, a parcela média da renda dedicada ao pagamento de contas e dívidas por esse grupo caiu novamente, de 30,6% para 30,4%”, acrescentou.

No mesmo texto, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que as famílias com maior renda têm aumentado a poupança em detrimento do consumo, principalmente de serviços, enquanto a necessidade de crédito segue maior os que recebem menos. “Os benefícios emergenciais têm impactado positivamente o consumo, especialmente de itens essenciais, e auxiliado o pagamento de despesas, entre os brasileiros de menor renda. (…) As transferências emergenciais, conjuntamente às taxas de juros baixas e à inflação controlada em níveis historicamente menores, são fatores que favorecem o crédito e o poder de compra dos consumidores”, arrematou.

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