Percentual de desemprego no Amazonas diminui no 2º trimestre

O percentual de amazonenses na fila do desemprego caiu de 17,5% (330 mil) para 15,6% (303 mil pessoas), na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2021, depois do repique anterior. Em paralelo, o nível de ocupação da mão de obra no Amazonas avançou 5,5% e chegou a 52,2% (ou 1,6 milhão de pessoas), sendo puxado pela maior oferta de vagas na indústria e no setor de serviços. O Estado voltou a ficar acima da média nacional, tanto em termos de desocupação (14,1% e 14,4 milhões), quanto de desocupação (49,6% e 87,8 milhões).

A expansão da oferta de postos de trabalho, entretanto, foi acompanhada novamente por uma nova rodada de aumentos proporcionais na informalidade, que voltou a posicionar o Estado na terceira posição do ranking nacional. A taxa passou de 59,6% (927 mil) para 59,7% (980 mil), na virada trimestral, sendo ainda maior do que o número capturado no acumulado de abril a junho do ano passado (55% e 813 mil). Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Trimestral, divulgada nesta terça (31), pelo IBGE. 

A sondagem estimou que 52,2% (1,9 milhão) da população com 14 anos ou mais (3,1 milhões) estava na força de trabalho. A taxa de desemprego ficou aquém do percentual do mesmo trimestre de 2020 (16,5%) – embora o número absoluto tenha aumentado na mesma comparação (291 mil). Já o nível de ocupação (52,2%) cresceu 11,2% no confronto com segundo trimestre do ano passado (47,2% e 1,48 milhão). A taxa de participação na força do trabalho do Amazonas (61,8%) subiu 2 e 5,3 pontos percentuais, respectivamente. O IBGE contabilizou também que 1,20 milhão de pessoas estavam fora da força de trabalho.

Com o recuo na taxa de desemprego, o Amazonas (15,6%) caiu da sexta para a décima posição entre no ranking nacional das maiores taxas. A média nacional foi de 14,1% (o equivalente a 14,4 milhões). Os percentuais mais elevados de desocupação foram registrados em Pernambuco (21,6%), Bahia (19,7%) e Sergipe (19,1%), enquanto os mais baixos se situaram Santa Catarina (5,8%), Rio Grande do Sul (8,8%) e Mato Grosso (9%).

Informalidade e rendimentos

A “posição de ocupação” classificada pelo IBGE como “empregado” respondeu por mais da metade (825 mil) dos 1,6 milhão de amazonenses com ocupação profissional, no segundo trimestre de 2021. Desses, 30,8% (506 mil) estavam no setor privado, contingente 4,1% superior ao registrado um ano antes (484 mil), e 2,3% acima do trimestre anterior (494 mil pessoas). Em torno de 245 mil estavam no setor público, representando baixa proporcional de 7,4% no primeiro caso, e um acréscimo de 3,4%, no segundo.

No setor privado, 66,8% (338 mil) tinham carteira assinada, enquanto 33,2% (168 mil pessoas) não contavam com o mesmo benefício. A informalidade, por sinal, atingiu 87,84% (65 mil) dos trabalhadores domésticos no mesmo período (74 mil). O trabalho por conta própria foi a alternativa para 36,7% dos amazonenses ocupados (602 mil), sendo que 92,7% (558 mil) não possuíam CNPJ, com altas de 9,3%, na variação trimestral, e de 28,8%, na anual. O Amazonas apresentou o segundo maior percentual nesse quesito, em todo o país, ficando atrás apenas do Amapá (37,7%), além de superar o Pará (35,4%). Os “empregadores” corresponderam a 2,37% (38 mil) dos ocupados – mas, pelo menos 31,58% (12 mil) eram informais.

A agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura voltou a ser o setor que empregou mais pessoas no Amazonas: 19,87% ou 318 mil. O comércio (19,18% ou 307 mil) veio em segundo lugar, sendo seguido pela administração pública (18,06% ou 289 mil). A indústria (10,2% ou 168 mil) foi a atividade que mais incrementou trabalhadores (+16 mil) na base trimestral, seguida pelos serviços de arte, cultura, esporte, recreação, entre “outros serviços” (+15 mil), e de informação, comunicação e atividades financeiras (+12 mil). Em relação ao mesmo período de 2020, o destaque veio da construção (+71,5%), enquanto a única retração foi sentida na administração pública (-8%). 

O “rendimento médio real” dos trabalhadores do Amazonas foi de R$ 1.857. O IBGE considerou que o indicador ficou “estatisticamente estável” em relação em relação ao trimestre anterior (+0,9% e R$ 1.841) e perda de 16,4%, na comparação com o 2020 (R$ 2.221). Já a massa de rendimento alcançou R$ 2,720 bilhões, ficando 6,98% aquém do segundo trimestre de 2020 (R$ 2,924 bilhões) e 6,62% acima do trimestre inicial deste ano (R$ 2,551 bilhões). 

“Volta à normalidade” 

Em sua análise para a reportagem do Jornal do Commercio, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, considerou que os dados da Pnad Contínua referentes ao segundo trimestre deste ano trazem, em linhas gerais, boas noticias para o emprego no Amazonas. A principal delas, conforme o pesquisador, é a queda da taxa de desocupação, mas ele aponta outros dados positivos, como o aumento de pessoas ocupadas nas categorias formais de ocupação. 

“Há o fato também de que a maioria das atividades teve crescimento no número de ocupados – especialmente nas mais sensíveis, como construção. A informalidade não flexibilizou no trimestre, e ainda mantém uma alta taxa entre os trabalhadores amazonenses. Outro fator negativo tem sido a queda sequenciada do rendimento médio real. Em suma, foi um trimestre considerado bom para o emprego. Mas, é apenas um recomeço de uma trajetória desconhecida. Já que as circunstancias econômicas locais, são pouco previsíveis no momento.

Indagado sobre os eventuais motivos para o aquecimento na geração de ocupações no Estado – especialmente no caso dos postos formais, e se a tendência geral do mercado de trabalho do Amazonas, assim como o de outras unidades federativas, ainda é a de criação de postos de trabalho precários, o supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM avaliou que o cenário ainda não é propício para estabelecer se haverá mudanças nesse sentido, no curto prazo.

“Sem dúvida, a volta à normalidade, por conta da flexibilização das medidas de restrição do covid-19, foi a grande causa do aquecimento no trimestre. Possivelmente, os postos informais vão reduzir quando a economia estiver aquecida e a taxa de ocupação cair para níveis aceitáveis, tipo abaixo de 10%. Isso vai causar uma oferta de vagas formais”, concluiu, acrescentando que a última vez em que isso aconteceu foi no quarto trimestre de 2015 – no começo da crise que desembocou no impeachment –, quando a taxa estava em 9,1%.

Foto/Destaque: Divulgação

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