15 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Pequenos negócios continuam reféns do aluguel

Um levantamento feito em parceria entre o Sebrae e a FGV (Fundação Getúlio Vargas) revela que metade dos pequenos negócios do país funcionam em espaços alugados.  Desse montante de locatários, mais de 60% tiveram reajustes para cima no aluguel nos últimos 12 meses.

O estudo mostra ainda que a maioria desses empresários não têm ideia dos critérios usados para o reajuste dos contratos de locação. Segundo o Sebrae, 61% dos pequenos empresários que tiveram reajustes nos contratos ignoravam o índice aplicado ou citaram um indicador diferente do IPCA (Índice Nacional de Preços do Consumidor Amplo) ou IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)  que balizam o valor dos aluguéis.

Para Carlos Melles, presidente do Sebrae, esse desconhecimento por parte dos empresários é indicativo de uma baixa cidadania financeira. “O empreendedor precisa aprender a argumentar e negociar com seus fornecedores e com os proprietários dos imóveis que ocupa a fim de buscar condições mais favoráveis à manutenção do próprio negócio”, argumenta.

Embora o estudo não apresente recorte regional, a presidente do Sindimóveis-AM (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Amazonas), Márcia Duarte, afirmou que a tendência também molda o cenário no Estado. “Do ano passado até agora, com a alta da inflação, o IGP-M apresentou um aumento muito grande, o que também acabou inviabilizando alguns reajustes dos contratos de locação, quer sejam comerciais ou residenciais”.

A nível de comparação, o IPCA, que era o índice mais baixo que o IGP-M, também acabou tendo uma alta de 14,48%, por sua vez,  o IGP-M quase se aproximou a isso. “EM 2022, o IPCA acumula alta de 4,78% e nos últimos 12 meses ficou em 11,73%, então está acontecendo muito acordo entre as pessoas para fazer o reajuste. Não está sendo usado nenhum  outro índice o que tem usado muito são acordos entre locador e locatário para se chegar num meio termo em relação a esses reajustes”. 

Na avaliação da presidente do Sindimóveis-AM, a demanda destas operações em espaços alugados, está relacionada à pandemia, segmentos como ótica, doceria, conserto de celulares, além de muitos escritórios surgiram.“Toda essa tendência de mercado de novos empreendedores acabam indo para espaços alugados”. 

Outro fator atribuído por ela, é que toda pessoa que trabalha com serviço por mais que queira fazer um atendimento na sua própria casa acaba misturando negócio. “Por exemplo, quem tem um café,  consegue fazer reunião nesses espaços então, a expansão desses negócios é uma tendência muito grande”.

Segundo o Sebrae, o aluguel é o terceiro item que mais pressiona o custo dos pequenos negócios, perdendo apenas para o preço dos insumos e do combustível. Os segmentos nos quais o valor do aluguel causa maior impacto são academias, beleza, saúde e educação. 

No caso dos MEIs (microempreendedores individuais), o percentual que opera em espaços alugados é inferior (40%). Na avaliação de Melles, esse perfil de empreendedor busca reduzir ao máximo os seus custos de produção, por isso a maior parte opta por um modelo de negócio que dispensa o custo de aluguel.

Maior procura

Considerando o novo momento pós-pandemia, a retomada à rotina presencial também fez a demanda por imóveis comerciais aumentar. Após o boom do trabalho remoto, o setor vem demonstrando boas perspectivas. A performance de vendas de imóveis comerciais em 2021 foi uma das melhores conforme a Ademi-AM (Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas), o que ilustra a mudança. 

Muitas pessoas acabaram descobrindo como trabalhar em casa em espaços menores, mas isso não diminui a procura por imóveis comerciais no Estado. O Sindimóveis-AM, identificou alta de 15% na demanda por esse tipo de imóvel.  “Novos negócios surgiram em diferentes segmentos. As pessoas também acabaram buscando espaços maiores. Houve ainda instabilidade no valor do imovel comercial e também a gente contabilizou uma procura muito boa  mesmo após o trabalho remoto”, afirmou, Márcia Duarte Chagas.

Números

Conforme o levantamento, 47% dos empresários alugam o espaço onde seus negócios estão instalados; 63% dos pequenos negócios tiveram o valor do aluguel reajustado nos últimos 12 meses;

Entre os Microempreendedores Individuais, essa proporção é um pouco menor (40%), indicando que o MEI opera em sua própria casa, no domicílio do cliente ou em espaços públicos;

Sobre os reajustes, 25% tiveram o aluguel reajustado pelo IGP-M e 14% pelo IPCA.

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