Pequenas empresas têm maior prejuízo com avanço do Covid-19

As medidas de restrição à circulação de pessoas e de isolamento social para minimizar a propagação do Covid-19 minaram os pequenos negócios. Sondagem do Sebrae aponta que 90% das micro e pequenas empresas do Amazonas já sofrem retração no faturamento – contra 89% da média nacional. No Estado, a maioria absoluta (52%) sofreu perdas superiores a 50% nas vendas. 

Diante disso, 39% dos empreendedores amazonenses adiantam que terão de encerrar os negócios de vez, dentro de no máximo um mês, caso as restrições permaneçam por mais tempo. O número é igualmente superior ao da média nacional (36%). Em seguida, vem aqueles que suportariam de dois a três meses nessa situação (25%) e os que conseguiriam estender o prazo para três a quatro meses (9%) ou até cinco a seis meses (6%). 

Em face da queda de vendas, 60,8% dos empreendedores do Estado já alertavam que precisariam solicitar empréstimos para manter o negócio em funcionamento, sem gerar demissões – no Brasil, 54% enfrentavam essa dificuldade. Vale notar que a pesquisa foi feita antes do fechamento total dos segmentos não essenciais de comércio e serviços, estabelecido por decreto do governo do Estado.

Os encargos com financiamentos estão entre os custos mensais que mais pesam nos balancetes das companhias amazonenses, juntamente com matérias-primas, segundo 43% dos empresários ouvidos. Custos com pessoal e aluguel (ambos empatados com 38%) vem na sequência, assim como os dispêndios com pagamento de tributos (28%).  

Apesar disso, a maioria (35%) das empresas do Amazonas ouvidas pelo Sebrae disse que o custo das matérias-primas diminuiu no período da pesquisa, 30% avaliaram que seguiu igual e 27% detectaram aumento. Custos com pessoal seguiram na mesma, conforme 45%, mas 29% acham que ficou mais caro e 14% arriscam dizer que diminuiu. Situação semelhante ocorreu no caso dos alugueis: 69% não viram mudanças, mas 8% consideram que subiu e 7% acreditam que até ficou mais barato. 

O levantamento do Sebrae foi realizado em todo o território nacional, entre os dias 20 e 23 de março, junto a um universo de 9.105 donos de pequenos negócios – sendo 79 (ou 0,9% do total) deles com sede no Amazonas. As empresas contam com média de 7,6 funcionários – entre familiares, empregados fixos e temporários, formais e informais. Em torno de 37% delas faturam até R$ 6.000 por mês e 18% conseguem movimento de R$ 7.000 a R$ 15 mil.  

Capital de giro

Na avaliação da gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, em linhas gerais, os números do Amazonas seguem de perto os da média brasileira. O ponto realmente fora da curva detectado na pesquisa junto ao micro e pequeno empresariado local – e que compromete a sustentação dos negócios em tempos de quarentena – é a maior dependência de financiamento.

“O impacto vem principalmente no capital de giro, que influencia a capacidade da empresa de pagar fornecedores, adquirir novas mercadorias e manter o pessoal, podendo gerar o problema social do desemprego. É preocupante, porque a maioria das empresas não suporta ficar mais de um mês assim. Outra dificuldade vem do preço das mercadorias, que pode ter caído para as pequenas indústrias, mas aumentou para o comércio, principalmente no caso dos alimentos”, explanou.

Socorro Correa informa que o Sebrae vem atuando junto a bancos públicos, como Caixa Econômica e Banco do Brasil, para contornar essa dificuldade e lembra que a Afeam já anunciou recursos para esse fim. Para a executiva, medidas como a prorrogação do pagamento do Simples e os auxílios emergenciais a empreendedores também ajudam. “É um dinheiro que estimula o consumo e ajuda a economia. Só lamentamos que, no caso do auxilio para folha de pagamento, as microempresas não tenham sido contempladas”, ponderou.   

Medidas de socorro

Em nível nacional, 33% dos micro e pequenos empresários entrevistados pelo Sebrae dizem acreditar que o país deve levar um ano ou mais para voltar ao normal. Disseram também que, mesmo vendendo online, o faturamento anual recuaria 74%, com políticas de isolamento social mantidas em dois meses. A crise levou 42% das empresas brasileiras a fechar temporariamente e fez com que 26% reduzissem a jornada de trabalho.

Em texto veiculado por sua assessoria de imprensa, o presidente do Sebrae, Carlos Melles, considerou que a pesquisa confirma a importância e a urgência de medidas de socorro às pequenas empresas, que representam 99% de todos os empreendimentos do país e geram mais da metade dos empregos formais. “A situação provocada pela pandemia exige de todos os agentes públicos o compromisso pela busca de soluções concretas e rápidas para os problemas que essas empresas estão enfrentando no dia a dia da crise”, frisou.

O dirigente ressalta que a instituição está atuando junto às diferentes instâncias de governo, ao Congresso e ao Judiciário para o desenvolvimento dessas soluções. “O Sebrae está, nesse momento, ao lado dos empresários e disponibilizando todo o apoio por meio das diferentes plataformas de atendimento”, encerrou. 

Fonte: Marco Dassori

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