Pequena indústria deve evitar dívidas

Empresários não vão assumir compromissos financeiros sem retorno garantido

As indústrias de micro e pequeno porte vão enfrentar um ano difícil, com restrição do acesso ao crédito e demanda interna ainda enfraquecida, avalia o presidente do Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo), Joseph Couri.
Para enfrentar o cenário econômico em 2015, a estratégia é evitar o endividamento e cortar custos, afirma Couri, baseado no indicador da categoria, elaborado mensalmente pelo Instituto Datafolha a pedido do Simpi.
“Não acredito em um aquecimento da indústria no próximo ano, isso sem falar na concorrência dos importados que é desleal”, diz ele. Para o presidente do sindicato, o indicador de expectativas confirma essa avaliação de piora do cenário econômico para o próximo ano.
O Indicador de atividade da micro e pequena indústria de São Paulo de novembro, o último divulgado no ano, revela que mais da metade dos entrevistados acredita que a perspectiva para o mercado é de piora, 26% esperam que a situação atual não mude e 17% têm expectativa de melhora. Em novembro do ano passado, os componentes da pesquisa estavam em 33%, 42% e 23%, respectivamente.
Na avaliação de Couri, a retração da demanda interna tem sido a principal responsável pela queda nos resultados das empresas, mas com a recente desvalorização do real é possível observar o início do recuo da presença dos importados no mercado interno e um pequeno avanço da produção local. “Mas esse movimento [de recuo dos importados] ainda não aparece nas pesquisas e não está consolidado”, explica ele. Para que a recuperação da produção nacional se confirme, é preciso que o real continue desvalorizado, defende.
Entretanto, apesar de figurar entre as principais queixas dos empresários, de acordo com o levantamento, apenas 23% das empresas competem com importados, enquanto 56% afirmam não ter essa concorrência. No grupo que enfrenta a disputa com importados, 80% avaliam que as condições de competição são injustas.
Mesmo com o recuo dos importados, as fabricantes ainda terão que lidar com o endividamento no próximo ano e o aumento dos custos.
Segundo o Simpi, em novembro 41% dos empresários esperavam alta dos custos no próximo mês ante 29% do mesmo período de 2013, enquanto 53% não esperavam aumento frente a 68% na mesma base de comparação.
“A alta na tarifa de energia elétrica, que este ano subiu 41% para micros e pequenos, impacta diretamente o custo e as empresas não têm como repassar tudo para o consumidor”, destaca Couri. Para o próximo ano, ele diz ter ouvido especulações sobre um aumento de cerca de 18% da tarifa de energia, que pode ser aplicado ainda no início de 2015. O impacto que o reajuste terá nas contas das empresas, avalia ele, dependerá da área de atuação, com as maiores consumidoras no processo fabril sendo mais afetadas.
Atualmente, os empresários veem aumentos principalmente nos custos com matéria-prima e insumos (25%), mão de obra e salários (12%) e transporte e logística (3%). “Nós entendemos que esse caminho [reajuste] não tem volta, mas a nossa orientação para os empresários é que eles reduzam gastos”, conta Couri.
Além do corte de custos, o presidente do Simpi recomenda que os empresários não assumam compromissos financeiros baseados na expectativa de crescimento em 2015 ou sem retorno financeiro garantido. Segundo o levantamento do Simpi, quase metade (47%) dos empresários deixou de receber algum pagamento em novembro contra uma taxa de 33% no ano anterior.

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