Pequena indústria definha no Amazonas

A crise da covid-19 derrubou o desempenho, a confiança e as perspectivas da pequena indústria, conforme pesquisa recentemente divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).  Março e abril contabilizaram reduções respectivas de 13 pontos e de 4,1 pontos, situando o indicador de PPI (Panorama da Pequena Indústria) em 27 pontos, em uma escala de zero a cem. Foram os dois menores números da série histórica, iniciada em 2013.

Embora os números sejam nacionais, Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e Sebrae-AM (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa do Amazonas) são unânimes em apontar que os empreendedores da manufatura local sofrem as mesmas dificuldades apontadas pelo levantamento da CNI para garantir a sobrevivência dos negócios em um ambiente que já aponta para depressão econômica. As entidades torcem também que a gradual abertura do comércio abra perspectivas para reverter o efeito dominó das políticas de isolamento social. 

O otimismo do começo do ano se deteriorou pela pandemia e segue o padrão já registrado pelo Icei (o Índice de Confiança do Empresário Industrial), que sofreu quedas consecutivas em março (-3,4 pontos), abril (-25,2 pontos) e maio (-0,1 ponto), atingindo 34,8 pontos. Quadro semelhante pode ser percebido no Índice de Perspectivas, que recuou 22,2 pontos entre março e abril e ficou em 29,2 pontos – menor patamar da série histórica – embora tenha melhorado em maio (31,7 pontos). O índice aponta que as perspectivas da pequena indústria seguem pessimistas e 13,7 pontos abaixo da média histórica.

A sondagem da CNI informa que a retração foi sentida em todos os setores, com maior ênfase na transformação (-17,7 pontos) e construção (-15,7 pontos). Em menor escala, aparece a indústria extrativa, com redução de 6,9 pontos. Nesse cenário, a situação financeira das pequenas indústrias se deteriorou, dado que o Índice de Situação Financeira tombou 9,1 pontos e atingiu 32 pontos. O valor é 4,4 pontos abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2019 e 5,2 pontos abaixo da média histórica do índice.

Queda de demanda no comércio, isolamento e piora da confiança dos consumidores são os principais problemas das pequenas empresas da indústria de transformação, conforme o relatório técnico do PPI. Como resultado, a inadimplência dos clientes e a falta de capital de giro também aparecem em destaque. “A falta de confiança contribui para a paralisação dos investimentos e dificulta a recuperação da atividade econômica”, completou o documento.

Auxilio tardio

Para o presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI, Antonio Silva, os números da pesquisa constatam o que já se sabia em relação à “grande dificuldade” da pequena indústria sob a crise econômica e a pandemia, e o fato desta se concentrar principalmente na falta de capacidade financeira. De acordo com o dirigente, faltam a essas empresas recursos para capital de giro e compra de insumos, fato que se agravou com a “queda vertiginosa” da demanda. 

“Tardou o socorro do governo e foram poucas as empresas que conseguiram algum financiamento, na maioria das vezes insuficiente. Sem caixa para compromissos, muitas foram obrigadas a dispensar mão de obra. Com referência à pequena indústria local, posso assegurar que a situação é a mesma constatada na pesquisa nacional. Não posso afirmar que o impacto é maior para esta, em comparação com comércio e serviços, mas posso dizer que a falta de capacidade financeira agravada pela pandemia traz mais dificuldades para a pequena indústria voltar ao patamar anterior à crise”, frisou.

Efeito dominó

Já a gerente da unidade de Gestão e Estratégia do Sebrae-AM, Socorro Correa, avalia que, dentro do universo dos micro e pequenos negócios, comércio e serviços sofreram maior impacto da crise da covid-19 do que a indústria, dado o contato direto com o público na forma tradicional de atendimento destas atividades. Mas a indústria não ficou de fora do efeito dominó gerado pela pandemia.

A dirigente lembra que a atual crise se deu pela paralisia do consumo, no rastro do isolamento social. Aos poucos, alguns segmentos comerciais começaram a se adequar a novos canais de venda, como redes sociais, aplicativos e plataformas, para sustentar a atividade. A receita não pode ser seguida pelos serviços,, cuja maioria não tem como prestar atendimento à distância, a exemplo de turismo, eventos e salão de beleza, entre outros. Já a indústria reduziu o ritmo ou parou, à espera da reativação do comércio presencial. 

“O baixo consumo das famílias diminuiu as vendas de comércio e serviços e ocasionou queda no faturamento das indústrias. A incerteza na demanda do consumidor e nas compras do varejo reduziu a produção e suspendeu investimentos. Imaginamos que junho já deva mostrar outro cenário, com recuperação parcial dos níveis de vendas para comércio e serviço. Mas, a indústria sentirá o efeito um pouco mais na frente”, arrematou.

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