Edson Arantes do Nascimento será enterrado hoje. Pelé viverá enquanto permanecer a magia de seu belo futebol. Nascido na cidade mineira de Três Corações, assim como os Beatles tornaram famosa a cidade de Liverpool; e Elvis, Memphis, Pelé também levou ao conhecimento do mundo a cidade de Santos. De lá ele partiu para o mundo e lá também encerrou sua trajetória no planeta. Mas o rei do futebol mundial conheceu cidades no mundo todo. Morou em Nova Iorque, entre 1975 e 1977, quando jogou no Cosmos, e Manaus teve o privilégio de receber o maior jogador de todos os tempos em quatro ocasiões, 1968, 1970, 1971 e 1974. E nas quatro oportunidades o rei deixou sua marca registrada: os gols.
No dia 7 de agosto de 1968 o Jornal do Commercio destacava na sua página de esportes: ‘Delegação do Santos estará hoje em Manaus’.
O time do Santos veio a Manaus disputar uma partida contra o Fast Clube, no estádio Gilberto Mestrinho, depois Ismael Benigno (Colina). Naquele ano o estádio Vivaldo Lima estava em construção e seria inaugurado, inconcluso, somente dois anos depois.
Apesar de Manaus já contar com o belo Hotel Amazonas, inaugurado em 1951, recebendo VIPs do Brasil e do exterior, a delegação do Santos, talvez por economia, ficou hospedada na Maromba, sítio de propriedade da Arquidiocese de Manaus. Naquela época os times não ‘nadavam’ em dinheiro como os de agora. A matéria dizia que a Maromba estava localizada na Estrada de Flores, atual avenida Constantino Nery, ‘num ambiente calmo e de muito conforto’. A Maromba permanece como um aprazível espaço da Arquidiocese. A delegação santista fez suas refeições no Chapéu de Palha.
Duas vitórias
O jogo do Fast com o Santos foi articulado por Flaviano Limongi, então presidente da FAF (Federação Amazonense de Futebol) se revestindo de tamanha importância que até o árbitro Manuel Ramos, paulista, veio a Manaus junto com a delegação santista, já o Fast estava empolgado, pois, de acordo com o JC, ‘nos últimos interestaduais alcançou grande sucesso principalmente contra o Vasco, Madureira e Flamengo’, muito embora a matéria não defina o ‘grande sucesso’.

O Santos chegou ao aeroporto de Ponta Pelada no dia 8, para o jogo que seria no dia seguinte. Naquele ano de 1968 ainda faltavam quase dez anos para a inauguração do aeroporto internacional Eduardo Gomes, que aconteceria em 1976, junto com o Tropical Hotel, que também não deveria existir nem em projeto.
Em entrevista ao JC, Pelé disse que havia recebido uma proposta para jogar no Nápoli, da Itália, bem como também recusou proposta do Real Madrid e do Internazionale, de Milão. “Estou muito bem por aqui e por aqui quero ficar”, disse ele. E cumpriu sua promessa. Só saiu do Santos, em 1975, para jogar no New York Cosmos, encerrando sua carreira dois anos depois.
Com o Fast o resultado não poderia ser outro. 3 x 0 com gols de Pepe, Pelé e Verneck, todos no segundo tempo. Após essa partida, o time paulista seguiria para outra, no Rio Grande do Norte, mas o Nacional apressou-se em propor um segundo jogo na capital amazonense, prontamente aceito pelos jogadores e pela delegação da Vila Belmiro, e mais uma vez o Santos mostrou porque era o melhor time do mundo. No dia 11, em outro jogo numa Colina novamente lotada com cerca de 16 mil pessoas, o placar final foi Santos 2 x 1 Nacional. Pelé e Verneck com um gol de Pretinho, pelo Nacional.
Último jogo
No dia 5 de abril de 1970, às vésperas da Copa do Mundo do México, que aconteceria dois meses depois, a Seleção Brasileira veio a Manaus, e Pelé também. A manchete de capa do JC era ‘Manaus em festa vê Seleção do Brasil’. Uma foto aérea com quase metade da página, mostra o Vivaldo Lima ainda muito distante de ser concluído, ainda assim os organizadores não titubearam em realizar a partida. 27 estações de rádio vieram de todo o Brasil para cobrir o evento. A Seleção jogou contra um selecionado amazonense e venceu por 4 x 1, mesmo placar da final contra a Itália, na Copa, no dia 21 de junho. Marcaram os gols Carlos Alberto Torres, Paulo César Caju, Rivelino e Pelé. Mário Viana se consagrou marcando um gol contra a Seleção pelo selecionado amazonense.

Pelé voltou novamente a Manaus em 7 de outubro de 1971, ainda mais consagrado como tricampeão mundial, para outro jogo contra o Nacional. Na ocasião recebeu o título de Cidadão Benemérito do Amazonas outorgado pela Assembleia Legislativa e entregue pelo governador João Walter de Andrade (1971/1975), porém, não teve pena dos amazonenses. O Santos venceu por 5 a 1 e Pelé deixou o dele. A manchete do JC foi simples e direta: ‘Cidadão do Amazonas’.
Em 28 de abril, pelo Brasileirão de 1974, Pelé jogaria uma última vez, em Manaus, no Vivaldo Lima, contra o Nacional. Como não poderia deixar de ser, o Santos venceu por 1 x 0, gol de Pelé. Uma curiosidade: Pelé se despediu do Santos, jogando em Santos, contra o Rio Negro, em 2 de maio de 1974, pelo Brasileirão. O rei marcou seu último gol pelo ‘Peixe da Vila Belmiro’, na vitória de 3 a 0.
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