Peixes de viveiros não oferecem risco para rabdomiólise, garante Embrapa

O consumo de peixes criados em viveiros não apresenta risco para a rabdomiólise, segundo técnicos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). O Amazonas já registra 55 casos da doença da ‘urina preta’, como é conhecida popularmente a infecção. Até agora, apenas uma pessoa morreu no Estado.

As maiores ocorrências foram registradas em Itacoatiara. Manaus, Autazes, Parintins e Silves também notificaram pessoas que adoeceram após consumirem peixes das espécies pacu, tambaqui e pirapitinga.

Até ontem, a FVS-RCP (Fundação de Vigilância Sanitária em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto) não havia confirmado se o surto de rabdomiólise na região tem como causa o consumo de peixes nesta época do ano.

Reunindo infectologistas, enfermeiros e outros especialistas do Estado e do Ministério da Saúde, uma força-tarefa está em Itacoatiara investigando se os casos da doença da ‘urina preta’ têm relação com a ingestão de pescados em Itacoatiara.

Para prevenir novas ocorrências, A SES-AM (Secretaria de Estado da Saúde) determinou a suspensão da comercialização de peixes durante 15 dias em Itacoatiara. “É uma medida preventiva que deve durar até a conclusão da investigação do surto”, disse o secretário estadual de Saúde, Anoar Samad.

Gerente do programa Floresta em Pé da FAS (Fundação Amazônia Sustentável), Edvaldo Corrêa disse que o peixe de viveiro é mais seguro para o consumo, ao contrário das espécies capturadas em rios e lagos que têm maior possibilidade de contrair doenças e contaminar as pessoas.

“A produção é controlada. Os animais são monitorados constantemente, começando na alimentação até na execução de medidas de prevenção a doenças”, explica Corrêa. “São pescados oriundos de lagos controlados”, afirma ele.

Edvaldo Corrêa ressalta que, além de manter a floresta em pé e contribuir para a preservação da biodiversidade amazônica, a produção de peixes em cativeiros gera empregos e renda a milhares de comunidades na capital e no interior do Estado.

Esta semana, Manaus está comercializando dez toneladas de tambaqui que vieram da Reserva de Mamiaurá, no Médio Solimões. O líder comunitário Dalvino Gomes garante também ser seguro consumir o peixe oriundo dessa região. “Lá, nunca foi registrado um caso da doença”, afirmou. “Não oferece nenhum risco ao consumidor”, acrescenta.

Impactos

A partir de 21 de agosto, quando começaram a ser notificados os primeiros casos de rabdomiólise no Amazonas, a comercialização de peixes caiu pelo menos 30%. Até os criados em viveiros e que são vendidos na capital deixaram de ser consumidos nesta época.

Mesmo assim, há os que não se intimidam em continuar degustando o principal prato da culinária regional, apesar das orientações das autoridades de saúde para evitar o consumo de peixes no período.  

“Vivi um tempo em Curitiba e vim embora por dois motivos – pelo frio e por falta de peixes”, diz a aposentada Auxiliadora Montenegro. “Vamos nos esbaldar consumindo pescado”, afirma ela.

Os feirantes também se preocupam com o recuo dos negócios por conta da rabdomiólise. “Temos contas pra pagar, precisamos sustentar nossas famílias, mas não podemos desistir nunca”, diz Jason Douglas, vendedor de peixes em feira.

Segundo uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o Amazonas é, hoje, o Estado que mais consome peixes no Brasil. É uma média de 14 quilos por pessoa, enquanto em outras regiões esse consumo chega a 2,5 quilos, no máximo.

Hoje, 95% dos restaurantes do Amazonas comercializam peixes de viveiros, fato que dá mais qualidade e garantia para os consumidores. Dono de restaurante, o empresário Rafael Ponte disse que decidiu investir na piscicultura, agregando mais valor aos seus negócios

“Eu mesmo beneficio, faço os cortes devidos, seguindo as regras das boas práticas de saúde”, afirma ele. “É importante ganhar a credibilidade dos consumidores sabendo que eles estão consumindo um produto de qualidade, sem riscos”, diz.

Foto/Destaque: Divulgação

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