Pedro Superti lança livro para estimular mudanças

O livro ‘Ouse ser diferente’, de Pedro Superti, especialista em Marketing de Diferenciação, vendeu mais de dois mil exemplares somente na última semana de maio.

“Conseguimos que mais gente receba a mensagem do livro e se junte ao nosso exército de ovelhas negras”, falou o escritor. Superti chama de ovelhas negras as pessoas que aplicam técnicas de diferenciação em seus negócios e podem assim criar novos modelos, explorar novas idéias, tudo a ver com o pós-pandemia, conforme falou nesta entrevista ao JC.

Jornal do Commercio: Teve gente que continuou ganhando muito dinheiro, e teve gente que ‘quebrou’. O que você diria para os empreendedores que quebraram?

Pedro Superti: Na vida, todas as experiências acontecem para o nosso bem, todas mesmo. Ele precisa estar atento à mensagem que esse cenário veio lhe entregar. Se ficar no modo reativo, com medo, ressentido e reclamando, vai continuar apanhando. Mas se estiver aberto para focar no entendimento da mensagem que essa dificuldade veio trazer, estará pronto para aprender com a vida e enxergar o inimigo como mestre. As pessoas de sucesso quebraram e recomeçaram inúmeras vezes. A crise tem um alto potencial de transformar negócios e fazer mudanças profundas. Ela pode quebrar, mas pode ser uma porta que abrirá oportunidades ainda melhores. Para esse recomeço, o empreendedor precisa pensar: o que eu tenho que não foi embora junto com o meu negócio? Os meus contatos, o meu conhecimento de mercado, a tecnologia, a minha equipe, alguma máquina, o conhecimento comercial sobre o bairro onde eu atuo. Quem é empreendedor, o será para o resto da vida. O seu negócio não te define, seu produto não te define. Se for necessário, ele fará de novo e reconstruirá, não importa quantas vezes for necessário.

JC: O mercado voltará diferente em que pontos, depois da crise?

OS: Essa crise, que eu chamo de Coronacrise, criou um cataclismo que está abalando todos os negócios e mudando a geografia econômica mundial. Negócios que eram grandes, vão acabar; e mercados que não existiam, vão nascer. O mercado não vai mais aceitar marcas que operam no genérico, a diferenciação será o grande elemento de mudança dessa nova fase. Com esse período de isolamento, de estar em casa longe das pessoas, estamos voltando para o orgânico, para o natural e os empreendedores precisam abraçar isso. A empresa tem um empreendedor que não se esconde, que mostra o seu dia a dia, a rotina do que está acontecendo, os bastidores de como produz o seu produto ou compõe o seu serviço e, com isso, quem se identifica com tudo isso vai querer estar perto. Se o empreendedor continuar batendo na tecla de que o produto dele é melhor do que o da concorrência, sempre cairá na comparação. O pós-crise pedirá negócios que surpreendam, como a medicina, com a telemedicina; os cinemas, com o drive-in; o delivery. 

JC: Dê exemplos de negócios que perderam fôlego com a crise e também aqueles que encontraram novos caminhos e surgiram como promessa para o futuro.

OS: Os negócios que perderam o fôlego são aqueles que já estavam enfrentando algum tipo de crise e não olharam para o movimento de suas placas tectônicas. Pode ter sido desde uma grande indústria até um pequeno comércio, que fabricavam produtos ou vendiam serviços que não têm mais espaço no mercado. A maioria dos micro e pequenos negócios no Brasil foi afetada. Aqueles que conseguiram se reinventar saíram na frente e estão tendo fôlego nessa crise. Aqueles que não tiveram a visão de para onde levar o seu negócio, ou quebraram ou estão sofrendo bastante. Uma empresa parceira nossa, responsável por confecção de bolsas de kits, por exemplo, alterou toda a sua produção e começaram a fabricar máscaras. Um aluno do meu curso perdeu o emprego e decidiu ficar com o avô, que lhe contou muitas histórias de sua vida, inclusive que tinha trabalhado com caldo de cana. Essa história despertou memórias de infância do meu aluno, que montou a franquia ‘Caldo de Cana do Vô’. E já está vendendo muito bem. Por que deu certo para ele? Não é pelo produto em si, pelo sabor docinho, mas porque nesse momento estamos tão carentes que a gente quer se conectar com as pessoas que a gente gosta, e o caldo de cana resgata as nossas lembranças. Ele vende lembranças da nossa infância.

JC: O que o consumidor pós-pandemia vai querer como produto ou serviço? Na sua opinião os hábitos dos consumidores também vão mudar?

OS: Os hábitos dos consumidores já mudaram muito por conta dessa crise. As pessoas deixaram de consumir o supérfluo para se concentrar em comprar o básico. E isso tende a se estender quando a economia estiver reaquecendo. Sabe qual é o produto que o cliente mais quer? Esperança. O desafio dos empreendedores é entender como é possível transformar o que ele fabrica em algo ou o serviço que ele vende em algo que pode dar esperança – de que a tempestade vai passar, de que as coisas serão melhores no futuro.

JC: Como o empreendedor pode se antenar com o que o mercado vai querer daqui para a frente?

OS: Esse é o momento mais do que propício para o empreendedor se aproximar do seu cliente e entender o que mais mudou em sua vida, como pode ajudá-lo nesse período para que ele se sinta seguro e o que acredita que precisa mudar no seu negócio para manter esse relacionamento. A diferenciação será a grande mola propulsora das empresas no mundo pós-pandemia. Praticar isso não envolve somente trocar a embalagem de um produto, muito menos o logotipo da empresa. Diferenciação é ver o que os outros não vêem para fazer o que os outros não fazem. Não é trabalhar exaustivamente para vender mais, mas sim trabalhar dentro de mim mesmo, depois no meu negócio e aí as coisas se conectam.

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