Pecuária, pesca e fruticultura são atividades promissoras para 2021

Embora seja um setor essencial, especialmente no contexto de uma pandemia e das medidas de isolamento social, a agropecuária não passou ao largo dos impactos econômicos da crise da covid-19. Mas, apesar das dificuldades contingencias e das deficiências estruturais, o setor conseguiu avanços em 2020 e se prepara para novas conquistas no Ano Novo. Fruticultura e aquicultura, assim como a pecuária sustentável despontam como as atividades mais promissoras da agropecuária amazonense, em 2021, conforme fontes ouvidas pela reportagem do Jornal do Commercio.

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, pondera que, embora 2020 tenha sido “extremamente desafiador e difícil”, trouxe vários resultados positivos para o setor agropecuário. No entendimento do dirigente, o setor vem conquistando gradativamente um papel central no desenvolvimento econômico do Brasil em geral e do Amazonas em particular.

A pandemia, prossegue Muni Lourenço, trouxe dificuldades para a produção rural, incluindo comprometimento do escoamento da produção em parte significativa do ano, dificuldades no transporte de insumos e restrições a canais de comercialização – como feiras e mercados. O setor também teria sido impactado pela alta dos preços de matérias primas, em decorrência da apreciação do câmbio e da alta no custo de grãos para ração animal.

“Isso ocorreu porque grande parte da produção nacional de milho e soja foi destinado à exportação, o que comprometeu severamente a rentabilidade em segmentos como avicultura, bovinocultura de leite, aquicultura, etc. Mas, em 2020, o setor também conseguiu alcançar uma conquista histórica, que foi o reconhecimento nacional de livre de febre aftosa, sem vacinação para 13 municípios amazonenses. Foi uma novidade que colocou o Sul do Estado em um excelente patamar no contexto da pecuária brasileira”, ponderou.

Regularização fundiária

O presidente da Faea destaca a importância do reconhecimento, por parte dos governos federal e estadual, de que a agropecuária é atividade essencial, não estando sujeita à paralisação e interrupção da cadeia de insumos durante a pandemia. “Isso foi fundamental para que o abastecimento regular de alimentos para a população fosse mantido. Mas, o setor rural também se ressentiu da necessidade de aceleração e desburocratização da regularização fundiária e ambiental dos imóveis rurais, situação que dificultou o acesso de produtores a linhas de crédito”, ressalvou.

No entendimento de Muni Lourenço, um dos fatores que podem ditar o ritmo da produção rural do Amazonas, em 2021, será justamente a maior flexibilização das regras de dispensa e licenciamento ambiental. Outro ponto determinante estaria na relação de câmbio e custos de produção, dada a preocupação dos agricultores com a alta no preço de insumos, especialmente fertilizantes e adubos, precificados em dólar.

“O desempenho da atividade rural do Amazonas, em 2021, a nosso ver, dependerá da recuperação consistente da economia. Isso, por sua vez, terá relação com a superação de desafios internos, como a aprovação das reformas Administrativa e tributária. Mas, acreditamos no aumento da produção agropecuária amazonense no próximo ano”, asseverou.

Ações e programas

Já o titular da Sepror (Secretaria de Produção Rural do Amazonas), Petrúcio Magalhães Júnior, avalia que o setor primário foi valorizado e apresentou resultados positivos em 2020, mesmo em tempos de pandemia. Várias ações, projetos e programas foram criados e executados durante o “ano atípico”, conforme o secretário estadual, gerando “grandes conquistas” para a agropecuária do Amazonas.

Um dos destaques é o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), que compra a produção de mais de 2.000 agricultores familiares do Amazonas, localizados em 55 municípios. Esta é destinada a 157 entidades socioassistenciais, que beneficiam 162 mil pessoas no Estado. Destinado pelo governo federal, o recurso previsto para o biênio 2020/2021 é de R$ 13,4 milhões – o maior na região Norte.

O secretário estadual destaca também ações de valorização da pesca e da piscicultura, por meio de programas como o “Peixe no Prato”, que ajudaram a alavancar as atividades ao incentivar o consumo de pescado a preços acessíveis. “Aproximadamente 10,5 toneladas de tambaqui, sardinha, pacu e curimatã, foram comercializados por piscicultores e pescadores, gerando mais de R$ 50 mil em recursos para os feirantes, atendendo um público de 8.400 pessoas”, informou, acrescentando que a pesca artesanal, ornamental, esportiva, indígena e manejada vêm se destacando no Amazonas.

A posse dos 113 candidatos aprovados no concurso público da Adaf (Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas) e a 42ª Expoagro (Exposição Agropecuária do Amazonas) – que movimentou em torno de R$ 60 milhões na inédita edição digital deste ano – fazem parte do pacote estadual para o agronegócio, em 2020. A arrecadação de mais de 40 toneladas de alimentos em três feiras de Manaus para beneficiar 28 mil famílias em situação de vulnerabilidade social, pelo Programa Estadual de Combate ao Desperdício de Alimento, também está na lista, assim como o pagamento da subvenção (R$ 3,6 milhões) a 750 produtores malta e juta, entre outras realizações.

Indagado sobre as atividades agropecuárias com maior potencial para 2021, o secretário estadual salientou que as 21 cadeias produtivas selecionadas pelo Sistema SEPROR são promissoras, “cada uma na sua região vocacionada”, mas não deixou de apontar que piscicultura, fruticultura tropical e a pecuária sustentável estão entre os principais destaques.

“O abacaxi da região de Novo Remanso, distrito de Itacoatiara, foi destaque nacional em 2020. Em junho, o fruto recebeu o selo de Indicação Geográfica, do Instituto Nacional de Procedência. Em novembro, o abacaxi foi declarado Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas, por meio da lei n°5.306, sancionada pelo governo do Amazonas. Os agricultores que trabalham com este cultivo recebem apoio do Idam [Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas]”, exemplificou.

Superação e planejamento

Para o titular da Sepror, 2020 foi ano de superação, já que ninguém estava preparado para o enfrentamento da pandemia com as dimensões da covid-19. “O mundo sofreu e terá de tirar lições para seguir em frente. Tivemos perdas de pessoas muito queridas e importantes no setor primário. Apesar das mudanças que tivemos de fazer no planejamento e orçamento do Sistema Sepror, o governo restringiu o mínimo possível as atividades produtivas para que o agro continuasse a abastecer as cidades. Devemos agradecer aos produtores rurais, técnicos extensionistas e todos do setor primário que enfrentaram essa guerra e não pararam de produzir comida”, frisou. 

A expectativa, segundo Petrúcio Magalhães Júnior, é superar a pandemia em 2021 e retomar ações e projetos para diversificar a matriz econômica e interiorizar o desenvolvimento, com o apoio às cadeias produtivas “de grande potencial”. O secretário estadual destaca que a agropecuária amazonense vem se destacando com participação de 6% do PIB do Estado e o valor bruto da produção superou R$ 7 bilhões, no ano passado, a maior série dos últimos 18 anos. Indicadores do IBGE e da Conab, por outro lado, mostrariam a expansão na produção de grãos no Sul do estado, da avicultura, fruticultura e da pecuária locais.

“Esses avanços comprovam que é perfeitamente possível promover desenvolvimento com sustentabilidade. Precisamos quebrar o tabu de que não temos cultura para produção de alimentos no Amazonas. A vocação principal do interior é o setor primário, a bioeconomia, a produção agrícola, pecuária sustentável, pesca artesanal, extrativismo e piscicultura. Temos de agregar mais valor aos produtos, fortalecer o empreendedorismo, cooperativismo e atrair empresários e novas agroindústrias”, defendeu.

Segundo o secretário da Sepror, a meta estabelecida no planejamento estratégico do setor primário é dobrar a participação da atividade no PIB amazonense para 12%. “Estamos plantando o futuro e confiantes nos investimentos que o Programa Agro Amazonas vai fazer no setor primário nos próximos dois anos. São mais de R$ 800 milhões de investimentos para diversificar a matriz econômica do Amazonas e garantir nossa biodiversidade”, arrematou.

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