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Pecuária do Amazonas ensaia recuperação no desempenho no primeiro trimestre, segundo dados do IBGE

O Amazonas registrou uma escalada nos abates bovinos, no primeiro trimestre deste ano. A pecuária amazonense de corte – que inclui frangos, suínos e bovinos – seguiu a média nacional, após dois trimestres seguidos de quedas, em meio à crise da vazante. 

O mesmo se deu na produção de ovos de galinha, que esboçou recuperação, após um período de declínio. Mas, a produção leiteira, que vinha em trajetória ascendente, sofreu refluxo. É o que revelam os dados locais de três das pesquisas que integram as Estatísticas da Produção Pecuária, medidas pelo IBGE.

Assim como ocorrido em todo o país, o Amazonas teve alta no número de abate de bovinos. Foram 47.790 cabeças contra as 39.682 acumuladas nos três meses anteriores, uma diferença de 20,4%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2023 (37.117 cabeças), o incremento foi de 28,7%. Mas, a produção foi declinante entre janeiro (17.335), fevereiro (15.546) e março (14.909). Bois (34.755) representaram 72,72% do total, sendo seguidos pelas vacas (12.606). Novamente, não foram registrados abates de novilhos/novilhas, ou de vitelos/vitelas. 

Após amargar dois trimestres consecutivos de queda, o Amazonas alcançou a maior alta do Norte do país, embora tenha ficado apenas na quinta colocação em termos de pesagem de carcaças (11,1 mil toneladas) dentro da região, em uma lista liderada pelo Pará (204,51 mil toneladas). Também está na 19ª posição do ranking nacional, em números absolutos de animais abatidos. Os maiores vieram de Mato Grosso (1.706.758 cabeças), Goiás (1.002.935) e São Paulo (932.763). Paraíba (13.213), Rio Grande do Norte (15.722) e Piauí (23.027) ficaram no outro extremo.

Na média nacional, o abate de bovinos fechou os três meses iniciais de 2024 com alta de 1,6% sobre o trimestre anterior, e 9,30 milhões de cabeças – o melhor resultado da série história, iniciada em 1997. O confronto com o mesmo período de 2023 confirmou uma escalada de 24,6%. 

O mesmo não se deu nos abates de suínos e frangos, que totalizaram 13,95 milhões (-1,4% e -1,6%, respectivamente) e 1,59 bilhão (+4% e -1,2%) de cabeças. O IBGE-AM informa que, mais uma vez, a insuficiência de informantes não permitiu a divulgação de dados sobre os abates de suínos e de frangos no Estado. 

Leite e ovos

O pior desempenho veio da produção leiteira, com apenas 2,34 milhões de litros de leite cru, 19,59% a menos do que no quarto trimestre de 2023 (2,91 milhões) e 6,4% abaixo do patamar dos três primeiros meses do ano passado (2,50 milhões). 

O Estado ficou na última colocação do ranking brasileiro, que foi liderado por Minas Gerais (1,6 bilhão de litros). Na média nacional, a atividade desacelerou 4,47% na virada trimestral, mas cresceu 3,33% em relação ao mesmo acumulado do ano passado. 

Já a produção de ovos de galinha marcou recuperação, após três trimestres seguidos de quedas. Tradicional destaque da pecuária amazonense, a atividade produziu 11.913 mil dúzias de ovos em 2023, avançando 6,49% sobre o total obtido nos três meses finais de 2023 (11.187), e obtendo um resultado 10,08% superior ao do acumulado de janeiro a março do ano passado (10.822). Já a quantidade de galinhas poedeiras (1,83 milhão) encolheu 0,54% na virada do ano, mas decolou 18,83% na comparação com igual intervalo de 2023.

Acostumado a liderança no ranking da região Norte, o Estado voltou a ficar atrás de Tocantins (12.167 mil dúzias). Em âmbito nacional, o Amazonas ocupa o 15º lugar de uma lista com São Paulo (290 milhões) e Rio de Janeiro (1,5 milhão) nos extremos. Na média nacional, a produção de ovos de galinha progrediu nas variações trimestral (+2,80%) e anual (+6,80%), atingindo 1,10 bilhão de dúzias.

Baixa representatividade

O IBGE-AM ressalta que a produção de carne bovina é uma atividade industrial influenciada por circunstâncias econômicas e até mesmo sociais. O chefe de Disseminação de Informações da representação regional do órgão de pesquisa federal, Luan da Silva Rezende reforçou que, a despeito das variações, a produção pecuária do Estado nas três atividades analisadas continua sendo residual e minoritária.

“O abate de bovinos apresentou aumento significativo, mas o Amazonas ainda contribui com menos de 1% da produção nacional. A produção de leite cru sofreu queda substancial, mas o cenário não mudou muito: a produção do Estado corresponde a menos de 0,1% da brasileira. Já a produção de ovos foi a maior desde a primeira metade de 2022, o que é bastante positivo, mas ainda estamos longe dos números vistos em 2021”, analisou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o supervisor da pesquisa, Bernardo Viscardi, aponta que os resultados da pecuária bovina se devem a uma “ampla oferta” de animais para o abate. “São provenientes de um ciclo de maior retenção de fêmeas, observado entre 2019 e 2022, quando o preço dos bezerros estava em alta e a atividade reprodutiva das fêmeas tornou-se atrativa para os pecuaristas. A partir de meados de 2022 observamos o ciclo inverso: o preço dos bezerros caiu e as fêmeas passaram a ser destinadas ao abate com maior intensidade”, explicou.

Já a queda da produção de leite foi classificada pelo pesquisador como “cíclica”. “Temos um declínio sazonal de produção em algumas bacias leiteiras importantes entre esses períodos. Com relação ao primeiro trimestre de 2023, tivemos um barateamento dos custos de produção em relação ao ano passado, além da valorização do produto ao longo do período e regularização das chuvas entre janeiro e março. Apesar da retração dos preços em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, o setor apresentou aumento de produção nesta comparação”, comparou.

“Questão climática”

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, considerou que o desempenho da pecuária amazonense de corte foi “alvissareiro” no primeiro trimestre, tanto pelo volume de abate, quanto pelo peso de carcaças. “Isso mostra aquecimento da atividade, a despeito da queda nos preços da arroba do boi, em níveis nacional e regional. O resultado positivo é reflexo principalmente do fortalecimento da pecuária no Sul do Estado, que já recebeu anteriormente o status de livre de aftosa sem vacinação e que permitiu a valorização da cadeia produtiva”, asseverou.

O dirigente assinalou à reportagem do Jornal do Commercio que a alta da produção de ovos mostra a força da competitividade do polo granjeiro amazonense, que consolida posição de destaque regional e nacional. Mas, se mostrou preocupado com o curto prazo. “A redução na produção de leite tem relação direta ainda dos efeitos negativos da vazante do ano passado e da queda nacional e regional do preço do leite e do queijo. A perspectiva para os próximos meses dependerá muito da questão climática e da intensidade do verão e da estiagem, que traz impactos para as pastagens e também para a logística de insumos e animais”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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