5 de julho de 2022
Prancheta 2@3x (1)

 ‘PDT aposta na força da mulher’ no Amazonas

Pré-candidata pelo PDT ao governo do Amazonas nas próximas eleições, a defensora pública Carol Braz, também ex-juíza, defende uma maior inserção das mulheres na política. Ele traz propostas desafiadoras – a tomada de decisões coletivas sobre as mais diversas demandas em parceria com as comunidades, possibilitando a viabilidade de projetos que levem benefícios a todos os estratos sociais, compartilhando ideias, sugestões, interesses, sempre respaldados por expertises e técnicos.

Oriunda de família simples, sem apadrinhamento político ou apoio de qualquer liderança com tráfico de influência na política, Carol ficou sob os holofotes da mídia e do cenário eleitoral no Amazonas. Foi escolhida pelo PDT de Leonel Brizola para ser a virtual representante do partido ao cargo majoritário, enfrentando adversários de peso como Amazonino Mendes, o atual governador Wilson Lima, que tentará a reeleição, e o senador Eduardo Braga, nomes que (à primeira vista) assustariam qualquer candidato estreante para uma função tão desafiadora no comando do Estado, principalmente sendo mulher.

O próprio presidenciável Ciro Gomes veio a Manaus para anunciar a pré-candidatura de Carol Braz pelo PDT ao governo, tendo ainda Luís Castro, ex-deputado estadual, consultor e advogado, como o escolhido do partido para disputar o Senado.

A defensora quer transformar a vida das mulheres através da educação, por onde construiu toda a sua trajetória de uma carreira bem-sucedida. “Foi estudando que consegui ser juíza, defensora pública. E pretendo dar essas mesmas oportunidades às pessoas que encontram, hoje, tantas dificuldades para estudar. O conhecimento deve ser compartilhado e chegar no mesmo nível a todas as camadas da população”, ressalta a pré-candidata. “A política também é lugar para as mulheres. Junto com os homens, vamos fazer um Amazonas melhor”, acrescenta. “E o PDT aposta na força da mulher”, afirma.

Carol vê, ainda, a sociedade muito desigual no Brasil, principalmente na política, um universo mais de homens.. No Amazonas, as mulheres são, hoje, 52% de todo o eleitorado amazonense, mas têm pouca representatividade política. A Câmara Municipal tem apenas quatro delas entre os atuais 41 vereadores. Na Assembleia Legislativa, são apenas quatro deputadas. “Precisamos mudar esse cenário político, tendo voz em todas as decisões e mostrando também que as mulheres têm condições de fazer política”, defende.

Carol Braz participou da série de lives ‘Mulheres Em Ação’, comandadas pela jornalista e editora Lilian D´Áraújo e a relações públicas Adriane Oliveira, do Jornal do Commercio. O tema em debate foi ‘Mulheres na Política – a Importância da Representatividade’.

Jornal do Commercio – Hoje, temos uma mulher disputando um cargo desafiador na política. Realmente, a sra. é ousada….?

Carol Braz – Adoro essa palavra ousadia. Quando penso, estamos lutando contra poderosos, são pessoas fortes. Para Davi era impossível matar Golias. Mas é uma luta em que acredito a cada dia.

Braz é Pré-candidata pelo PDT ao governo do Amazonas nas próximas eleições

Existem mais e mais pessoas nos abraçando, querendo essa transformação. E na minha vida tudo que eu consegui foi com muita luta, com muitas dificuldades. Não venho de família rica, venho de família simples. Tive que estudar muito, para passar em concurso, não é fácil. Tive oportunidades.

Não posso me calar  diante de um povo que está sem oportunidades. Agradeço a Deus pelas oportunidades que tive. Precisamos usar a política para melhorar a vida das pessoas. Estou na luta junto com todas as mulheres, queremos fazer esse Amazonas melhor. Quero que muitas mulheres se sintam representadas por nós.

Precisamos de mais mulheres em todos os lugares. Os desafios são grandes num universo tão masculino. Precisamos romper muitas barreiras e estou na luta com todas as mulheres. Tenho uma vida estabilizada no meu cargo, mas não posso me calar diante do sofrimento da população.

Da dor de outras mães, de pais  que veem seus filhos sem ter uma educação de qualidade, uma saúde eficiente. É por isso que aceitei esse desafio para mostrar que as pessoas também precisam participar desse processo.

Se a gente não meter a cara, vamos ser governados por quem não tem compromisso com o povo. Então, chegou a hora de mostrar – a política é lugar para quem é trabalhador, sério, a política também é lugar para mulheres.

JC – A sra. foi convidada para ser candidata pelo PDT. Em geral, muitos partidos não fazem questão de ter mulheres em seus quadros. Quais são as suas principais bandeiras?

CB – Eu me senti muito lisonjeada porque, realmente, a gente tem muitas dificuldades. E um partido apostar numa mulher, que nunca foi candidata e não tem nenhum parente na política, sem nenhum padrinho, como se fala, é realmente surpreendente.

É o reconhecimento de um trabalho. Então, fica aqui a minha gratidão ao presidente do partido, que veio a Manaus, ocasião em que foram anunciadas a minha pré-candidatura ao governo, de Luís Castro para o Senado, com a presença do presidenciável Ciro Gomes, mostrando que o partido não está brincando.

O PDT está realmente apostando no Amazonas, na força de uma mulher. Isso me deixa muito feliz e também com uma responsabilidade muito grande de acertar, de trazer a bandeira da educação, uma bandeira muito forte no PDT.

Carol foi escolhida pelo PDT para ser representante do partido, enfrentando adversários como Amazonino e Wilson Lima

O PDT é um partido que desde Leonel Brizola fortalece a criação dos Cieps, que são as escolas de tempo integral. E quando batemos na tecla de igualdade de direitos, vemos que as mulheres têm dificuldades para se inserir no mercado de trabalho. Junto com os homens, vamos fazer um Amazonas melhor.

E quando a gente protege uma mulher vítima de violência doméstica, a gente diz “mulher seja independente, trabalhe. Tenha seu próprio recurso”.  Aí, chega uma hora que a gente precisa refletir – a sociedade está preparada para uma mulher independente? Não. O Estado não dá a contrapartida necessária, como creche em tempo integral para que ela possa trabalhar.

A gente luta por essa bandeira, estamos defendendo toda a família para ter uma renda melhor. Tudo começa com a educação. A minha principal bandeira é a educação, sou fruto da educação. Só pude transformar minha vida porque tive oportunidade de estudar. E me dói ver crianças que não têm a mesma oportunidade que eu tive. Precisamos ter um olhar humanizado.

JC – O interior está praticamente isolado. Em geral, as políticas públicas nunca chegam. Há muitas demandas. Como avalia a questão? Tem viajado para essa região?

CB – Tenho andado muito no interior. Incrível como muitos problemas que acontecem em municípios distantes também se repetem em cidades vizinhas.

Se você chega ao Careiro da Várzea, o celular já não funciona. Como poderá haver uma educação de qualidade e melhoria de outros serviços se a internet é hoje algo básico? É como água, luz.

Então, é preciso urgentemente trabalhar a questão da conexão. Às vezes, parece que é maldoso, porque querem que o povo não tenha conhecimento sobre o que está acontecendo. É muito cômodo para os governantes deixar o povo sem saber.

Em Tefé, descobrimos que existem projetos proeminentes para tratar a água usada por ribeirinhos, o tratamento do esgoto, 80% da população ribeirinha ainda faz as suas necessidades na terra, aquilo vai pra água, e crianças morrendo de diarreia.

O que mais dói – a solução existe, mas falta vontade política para aplicar o saneamento básico. É o poder público que deve fazer isso. Os projetos foram internacionalmente reconhecidos. É algo que nos choca e o que mais nos motiva a desafiar tudo para resolver. A gente não vai conseguir resolver tudo, mas vamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance.

Precisamos de mais mulheres em todos os lugares. Os desafios são grandes num universo tão masculino. Precisamos romper muitas barreiras e estou na luta com todas as mulheres.

Carol Braz – candidata do PDT ao Governo do Amazonas

JC – Qual o percentual de eleitores mulheres no Amazonas….?

CB – As mulheres são maioria no colégio eleitoral. São pelo menos 52% do total. Mas a gente não tem essa igualdade de representatividade. Nunca tivemos uma mulher governadora do Amazonas, prefeita.

Hoje, são 62 municípios, só temos seis prefeitas, menos de 10%. Dos 41 vereadores de Manaus, apenas quatro são mulheres.  Dos 24 deputados, só quatro são mulheres.

Não queremos dizer que as mulheres são melhores. E sim mostrar que precisamos ter essa paridade, de estar em todos os lugares tomando também as decisões. Já temos essa veia administrativa na família, por que a mulher também não pode utilizar isso administrando o Estado? Hoje, temos 38% de mulheres mães solo.

JC – A sra. pode mensurar quantas mulheres quer ver na Assembleia Legislativa?

CB – Tenho lutado muito para reunir mulheres para esse desafio. Mas os políticos estão rodeados sempre de muitos homens.  Falo que podemos estar em todos os lugares. Vimos que as mulheres foram as que responderam melhor à pandemia.

Governos com mulheres no comando são menos corruptos. Biologicamente, existe alguma diferença? Não. Essa mulher sabe da dificuldade que tem em escolas. E quando vira gestora, melhora a educação.

A mulher é responsabilizada por crimes, mas não existem políticas públicas para elas. É preciso ter um olhar sensível para essa questão. É hora de trazer mais mulheres para a política.

JC – A pandemia mostrou as fragilidades de nosso Estado. Caos na educação, na saúde, sem infraestrutura básica para atender às demandas da população. Qual a sua visão sobre a crise?

CB – A crise na saúde vem desde outros governos. Não aconteceu só agora. Nos municípios do interior, não existe UTI. Só agora, com a pandemia, Parintins passou a ter. Não há internet funcionando regularmente. Sempre andei muito nas comunidades. Quando deixei de ser juíza para ser defensora foi para conhecer de perto essas questões.

Fiz várias ações. Vi muitas famílias olhando aquela escola com piscina não funcionando nos fins de semana. Tudo poderia funcionar com custo zero para o Estado, desenvolvendo várias atividades. A estrutura existe, mas não há vontade política.

Deveriam abrir as escolas nos finais de semana para maior interação com as comunidades.  O nosso plano de governo é melhorar a industrialização, construir empreendimentos que gerem empregos e renda. Estamos construindo nosso plano de governo em parceria com a população.

A nossa prioridade é a industrialização para gerar mais empregos e renda, seguindo as metas do nosso presidenciável Ciro Gomes. Precisamos lutar pela ZFM, ampliar a nossa matriz econômica, industrializar o que nós temos aqui, com os produtos da floresta. E cadê as empresas para explorar esse grande potencial?

JC – Em geral, o Estado não cumpre a função social de combate às drogas, uma questão assumida mais por voluntários, resgatando pessoas vítimas dessas mazelas. O problema é visto em todas as áreas – no centro, nas periferias e na zona rural de  Manaus. Como analisa um problema tão desafiador?

CB – É uma questão que, às vezes, é jogada para baixo do tapete. E que atinge muitas famílias. Para combater essa questão, precisa acontecer de forma transversal.

Se temos escolas de tempo integral, o jovem vai estar ocupado nessas atividades. A criança em casa está sujeita a ser cooptada pelo crime. O poder público não  consegue chegar a todos os lugares.

Eu defendo um poder público atuando junto com as comunidades. Toda comunidade tem uma igreja, um grupo de esporte, que precisa do apoio do poder público.

O que é público não é do governo, é nosso. A política é para construir junto com a coletividade. O ponto de partida é a necessidade popular.  Essas igrejas poderiam dar aulas de música, o Estado entra com os equipamentos e a comunidade fica responsável pelas aulas.

Me refiro a todas as comunidades religiosas. Hoje, vejo o Estado distante da população. Gosto de estar perto e perguntar o que as pessoas precisam. A população vai se surpreender vendo a governadora perguntando sobre as necessidades das comunidades.

Existem pessoas que se doam. Há muitos voluntários que chegam com comida. Vemos pessoas da Igreja Católica e da Cáritas ajudando. Vamos tratar essas pessoas com dignidade, eu defendo as parcerias. Vamos somar juntos. Eu vou fazer a diferença na vida das pessoas.

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