A Procuradoria-Geral da República investiga o deputado federal Paulo César Quartiero (DEM-RR) por suspeita de ter comandado um protesto de ruralistas que bloqueou a BR-174 e isolou o Estado de Roraima.
Ele é suspeito de ter incitado a prática de crimes e ateado fogo na rodovia. A manifestação foi em junho do ano passado e fazia parte de um ato nacional contra a política federal de demarcação de terras indígenas.
Em Roraima, cerca de 2.000 participantes fecharam a rodovia com pneus, caminhões, tratores e carretas. Pneus foram usados para fazer uma grande fogueira e impedir a passagem dos veículos. Aberto a partir do boletim de ocorrência registrado pela polícia durante o protesto, o procedimento preliminar da PGR relata indícios de pelo menos três crimes cometidos pelo deputado.
“Trata-se de procedimento administrativo criminal instaurado a partir da cópia do boletim de ocorrência policial […] que noticia fatos que configurariam, em tese, a prática de incêndio e incitação ao crime ocorridos durante o bloqueio de rodovia federal e teriam sido praticados, possivelmente, pelo deputado federal Paulo Cesar Justo Quartiero”, diz ofício do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
No documento, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, Janot pede a abertura de inquérito contra o deputado, defendendo a necessidade de aprofundar as investigações. Solicita ainda que Quartiero seja ouvido assim como os policiais rodoviários federais que registraram o boletim de ocorrência.
Por ora, o ministro Joaquim Barbosa, relator da apuração, determinou que sejam encaminhados ao Supremo “o resultado das perícias realizadas e de todas as outras eventuais informações referentes aos acontecimentos investigados neste inquérito”.
O despacho de Barbosa, que ainda não se posicionou sobre o depoimento de Quartiero, foi de 30 de dezembro, pouco antes dele entrar em férias.

Outro lado
Quartiero afirma que tem orgulho de ter participado do protesto na saída norte da rodovia, que dá acesso à Venezuela, mas classifica como “ridículo” o pedido de investigação do Ministério Público. Diz ainda que foi ameaçado pela tropa de choque da Polícia Militar do Acre.
“Tinha um monte de pneu que estava criando dengue e aproveitamos para fazer a limpeza sanitária, queimamos tudo”, diz, sobre a fogueira de pneus que ajudou a fechar a rodovia.
Apesar de dizer que a manifestação “foi feita com disposição” por um “pessoal aguerrido”, o deputado garante que foi um ato pacífico.
Segundo Quartiero, os representantes do Ministério Público são ativistas da questão indígena e ele um opositor. “Eu não tenho a simpatia do MP e também não dou refresco a eles”, afirma.
“É mais uma cortina de fumaça para cobrir a realidade. A Polícia Federal e o Ministério Público blindam a corrupção em Roraima. Quem reclama contra isso, é perseguido”, critica.
O deputado tem colecionado processos e investigações, em especial pela atuação na reserva indígena Raposa Serra do Sol. Representante dos produtores, ele chegou a ser preso em 2005 por liderar protestos contra a demarcação da reserva.
Questionado se sabia que sua participação no protesto de junho passado está sendo investigada, ele disse que já nem se preocupa mais. “Um a mais, um a menos. Quando meu salário não é sequestrado [pela Justiça], uso o dinheiro para pagar advogado. Vou responder a mais essa acusação e vou ser vitorioso”, diz, afirmando que as acusações não têm fundamento.
Perguntado se foi ele quem organizou a manifestação, ele afirma: “Eu participei. Quem organizou foi a Polícia Federal e o Ministério Público. Primeiro, pela perseguição e revolta que desperta na população local. Segundo, pela omissão e falta de interesse de averiguar os delitos cometidos contra os direitos humanos da população de Pacaraima. Eu simplesmente acompanhei o encaminhamento dos fatos”.

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