Pastor divide PSC e causa revolta

O PSC (Partido Social Cristão) está dividido quanto à manutenção do nome do pastor evangélico Marco Feliciano (SP) para a presidência da CDHM (Comissão de Direitos Humanos). Parte dos 17 membros do partido na Câmara é favorável à substituição de Feliciano, conforme apurou o iG depois do tumulto que suspendeu a sessão desta quarta-feira(6).
Embora haja uma preferêcia de parte do partido pela deputada Ana Lúcia (PSC-AC), apontada por opositores do pastor como moderada, Feliciano se mantém como candidato devido a apoio de outros pastores que compõem o campo majoritário da legenda. Ana está listada pelo partido como vice-presidente.
O nome do pastor enfrentou forte resistência na Comissão de Direitos Humanos em função de declarações com teor “homofônico” e racista pelo deputado em seu Twitter. A reunião foi marcada por bate-bocas, gritaria, vaias e protestos. “A candidatura dele fere o regimento. O deputado afirmou que a Aids é um câncer e que os africanos (negros) são amaldiçoados”, protestou Erika Kokay (PT-DF).
“Dentro do PSC, há membros com cabeça diferente (a favor dos direitos civis)”, segundo Ivan Valente (PSOL-SP). Segundo o deputado socialista, a CDHM foi abandonada no processo de composição da chapa que elegeu Henrique Eduardo Alves para a presidência da Câmara, devido à perda de importância nos últimos anos. O esvaziamento por parte de partidos grandes como PT, PMDB e PSDB teria permitido ao PSC controlar, por meio de um acordo de líderes, cinco cadeiras das 18 titulares – além de três suplentes. “Esse esvaziamento aconteceu porque existem comissões mais apetitosas, por onde passam recursos”, diz Valente.

Nação cristã

A tensão entre evangélicos e manifestantes acirrou os ânimos na comissão ontem. De um lado, manifestantes gritavam que “racismo é crime” e que o “Estado é laico”. Em resposta, um integrante da bancada evangélica afirmou que “o Estado laico está circunscrito dentro de uma nação cristã”.

Esvaziamento por partidos

Após o protesto de manifestantes contrários à eleição de Feliciano, o atual presidente da comissão, deputado Domingos Dutra (PT-MA) ignorou o acordo feito entre os líderes partidários que cedeu o comando do colegiado ao PSC. “Vou devolver para a Mesa Diretora da Câmara o abacaxi que os líderes criaram”, afirmou.
O encerramento da sessão foi considerado uma afronta ao regimento interno pelo líder do PSC na Câmara, Anderson Moura. “Ele (Dutra) sabe que não pode encerrar a sessão”, declarou antes de se dirigir, com os 17 integrantes da bancada, para a sala do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB).

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