6 de maio de 2021

Participação feminina na política ainda é pequena

Suas vozes, agora, ecoam em todos os segmentos –além do âmbito familiar, na política, na área de educação, nas artes, comandando grandes corporações econômicas, industriais, na ciência, no avanço tecnológico, enfim em toda a dinâmica que marca a trajetória econômica e social da humanidade.

São as mulheres, que cada vez mais conquistam seus espaços, tolhidas por tantos anos na esteira de uma sociedade patriarcal que vem de longe, muito longe, cerceando suas atuações e poder de decisões.

Elas contestam, hoje, ferrenhamente o rótulo de feministas, um argumento de quem não deseja vê-las crescer e atuar com a mesma habilidade e capacidade dos homens. Nada disso, sem rotulação, sem estigmatização, questionam suas principais lideranças. Querem mesmo é marcar sua presença na sociedade para mostrar do que são capazes, contribuindo para um mundo melhor a todos, sem distinção, independente de raça, cor e orientação sexual.

E, atualmente, veem como um dos maiores exemplos desse empoderamento feminino a chanceler Angela Merkel, que comanda a Alemanha com muita competência, mesmo em situações adversas como a atual e grave pandemia de coronavírus. Sem incluir quantas delas já ganharam o prêmio Nobel, outro grande destaque sobre a atuação das mulheres.

“Nunca quis medir força física com os homens, até gosto quando um deles carrega uma cadeira pra eu sentar. Quero ser igual em cérebro, na forma de pensar”, diz a professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Terezinha Fraxe, candidata à reitoria nas eleições da instituição que ocorrerão no próximo dia 10. “Muitas mulheres, como eu, lutamos pela força da mulher, por mais voz da mulher”, acrescenta ela.

Fruto de grandes lutas que marcaram a história da mulher, esse empoderamento não se vê, porém, tão forte na política do Amazonas. Os números falam. Dos 41 vereadores eleitos no último pleito em Manaus, somente quatro mulheres conseguiram se reeleger, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A cidade ficou, ainda, entre as cinco capitais do país com a menor participação feminina no legislativo municipal. Foram eleitas a professora Jacqueline (Podemos), Thaysa Lippy (Progressista), Glória Carratte (PL) e Yomara Lins (PRTB).

Entre elas, apenas Thaysa e Yomara são estreantes na política. Jaqueline e Glória Carratte se reelegeram.  A bancada do Amazonas, em Brasília, também não tem nenhuma mulher parlamentar na atual legislatura.

São 11 deputados federais e três senadores. De 1945 até hoje, o Estado teve apenas uma senadora, Vanessa Graziottin (PCdoB), que deixou o cargo, em 2010, por não conseguir a reeleição.

Ainda no primeiro mandato, Thaysa Lippy avalia que muitas mulheres não se interessam pela política por várias razões, tendo como principal motivo o fator cultural. “A mulher tem um perfil de cuidar de casa, dos filhos, dos afazeres domésticos, ao contrário dos homens que assumem comandos do poder”, afirma.

Para a vereadora, essa falta de interesse acaba numa menor participação das mulheres nos parlamentos. “Precisamos incentivar para mudar esse cenário. As conquistas só existem se tivermos uma luta”, acrescenta. “As políticas públicas só serão ampliadas para o sexo feminino se tivermos mais mulheres participando dentro das casas legislativas e até no poder executivo”, salienta.

Muito pouco ainda

Também, em 2018, o Amazonas só elegeu quatro deputadas estaduais, de um total de 24 parlamentares na Assembleia Legislativa -Joana Dar´c (PL), Alessandra Campelo (MDB), professora Therezinha Ruiz (PSDB) e Mayara Pinheiro (PP).

Alessandra Campelo alerta que é necessário dar continuidade às ações de combate à violência contra a mulher. Desde o ano passado, com o isolamento social por conta da pandemia, aumentaram os índices de violência doméstica, familiar e de feminicídio no Amazonas, segundo dados oficiais.

A parlamentar preside a Comissão da Mulher, da Família e do Idoso da Assembleia Legislativa do Amazonas. E afirma que o feminicídio é, muitas vezes, o estágio final da violência contra a mulher.

“No ano passado, esse tipo de crime cresceu 18% no Estado. A comissão acompanhou de perto os casos, oferecendo apoio psicossocial e jurídico às famílias e vítimas de violência, acompanhando julgamentos. Começamos 2021 já em isolamento social e vamos intensificar as ações de combate a esse crime no período”, diz a deputada.

Glória Carrate é a vereadora com mais tempo na CMM (Câmara Municipal de Manaus). Foi eleita pela primeira vez em 2001 e agora está no sexto mandato.

A vereadora avalia que permanecer na Câmara, sendo mulher, é mais difícil que ganhar eleição. “Eu falo: não é ganhar a eleição, é você sobreviver. É um mundo bem competitivo, principalmente com os homens. Eles não poupam as mulheres, vão para cima, derrubam”, afirma.

Carrate compartilha da opinião de que as mulheres têm conquistado espaço, mas não com apoio dos homens. “A mulher está tendo conquista por ela ter se desempenhado muito, por ela estar preparada e por ela ir mesmo para a luta. Não por alguém facilitar alguma coisa como eles falam que facilitam. Isso não existe”, acrescenta.

Em 2018, o TSE confirmou que as candidaturas femininas representaram apenas 30% do total de candidatos, ou seja, o mínimo exigido por lei. Mas, no passado, já foi pior. Em 2006, apenas a deputada Alessandra Campelo foi eleita deputada estadual.

De acordo com ONU, o Brasil não tem uma boa participação feminina em parlamentos. Num ranking de 33 países latino-americanos e caribenhos, o país ocupa a posição 32ª de inclusão das mulheres na política.

Ainda segundo as Nações Unidas, que oficializaram o Dia Internacional da Mulher, que acontece neste domingo (8 de março), no Brasil, só 10% de parlamentares são mulheres. O número chama atenção porque o país é composto, em sua maioria (51,7%) por mulheres.

Foto/Destaque: Divulgação

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