Parte da CPI suspeita de comando paralelo no combate à covid-19

O ex-chanceler Ernesto Araújo depôs, ontem, na CPI da Pandemia. Suas declarações reforçam a suspeita quanto à existência de um comando paralelo no combate à Covid-19, em contraste com as orientações do próprio Ministério da Saúde, segundo o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM).

Omar disse que Ernesto Araújo não falou a verdade ao ser ouvido pela CPI. E o advertiu. “Peço para o senhor não mentir porque sofrerá as consequências”, afirmou o parlamentar durante o depoimento.  

Ernesto Araújo foi ouvido ontem na CPI da Pandemia
Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Vice-presidente da comissão, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) avaliou que as contradições apontadas por Ernesto Araújo comprometem a atuação de então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, na crise gerada pela falta de oxigênio e de vacinas e apontam para a importância do depoimento do ex-titular da pasta à comissão nesta quarta (19).

“A situação está difícil para Pazuello, é um movimento de abandono do ex-ministro da Saúde. A melhor coisa que ele teria a fazer amanhã (hoje) é colaborar com a CPI. Se não, todos os elementos o apontarão ele como responsável pela morte de centenas de milhares de brasileiros”, afirmou.

Relator da CPI, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) também concorda com a existência do comando paralelo da pandemia, a quem classificou como “gabinete das sombras”. Ele também afirmou que Pazuello está sendo “entregue aos leões”.

“Era uma espécie de ministério da doença, em contraposição ao Ministério da Saúde, que despachava com o presidente da República, que fazia as reuniões no Palácio do Planalto, estabelecia as políticas públicas, onde deveria ser gasto o dinheiro, da forma como entendesse correta, e até pensava em modificar bula de remédio por decreto presidencial, enquanto o Ministério da Saúde sequer vacina poderia comprar”, disse.

Defesa

Defensor do governo, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) discorda do entendimento dos senadores da oposição. “Pazuello vem para falar muitas coisas importantes. O habeas corpus concedido pelo STF ao ex-ministro da Saúde é para evitar abuso de poder. Gabinete paralelo? Isso é mais uma narrativa da oposição tentando criar crime”, questionou.

Segundo Eduardo Araújo, o Itamaraty agiu após ser orientado pelo Ministério da Saúde para que fosse viabilizada a utilização de uma aeronave para o transporte de oxigênio.

Omar Aziz rebateu o ex-ministro, afirmando que até mesmo o oxigênio doado pela Venezuela teve que ser transportado por estradas, o que, segundo o senador, teria atrasado a chegada em cinco dias, agravando ainda mais a situação em Manaus.

“Não permitiram que um avião fosse lá. Teve que vir de estrada. Enquanto estava morrendo gente sem oxigênio em Manaus, o oxigênio vindo da Venezuelana estava vindo de estrada. Um voo da FAB , se o Ministério das Relações Exteriores tivesse interferido, em uma hora ia e voltava!”, criticou Omar.

Ao responder a uma pergunta de Randolfe Rodrigues, Ernesto Araújo disse que não fez nenhum contato com o governo da Venezuela para pedir apoio humanitário à crise de oxigênio em Manaus nem para agradecer pela ajuda oferecida.

O senador Eduardo Braga (MDB) lembrou que, naquele período, morriam mais de 200 amazonenses por dia. Ele reforçou as críticas ao ex-ministro por sua atuação em relação à Venezuela.

“No dia 30 de janeiro, alcançamos o recorde de mortes no meu estado, tristemente: 225 mortos. E eu pergunto: por que a chancelaria brasileira, em defesa dos interesses dos brasileiros que lá vivem, não agiu proativamente, afirmativamente, para levar o oxigênio que estava mais perto para salvar vidas?”, questionou Braga.

Foto/Destaque: Leopoldo Silva/Agência Senado

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