Parintins sempre, apesar de Datena e Maldonado

Muitas pessoas me falaram, no ano passado, sobre um vídeo vazado da primeira transmissão da Band, ao vivo para todo o Brasil, do internacionalmente conhecido Festival de Parintins. As informações são de que neste vídeo os apresentadores Datena e Patrícia Maldonado faziam comentários maldosos a respeito da terra onde nasci. Não acreditei por achar que comportamento deste tipo não se adequaria ao nível de uma rede nacional de televisão. Puro engano: na semana passada chegou via e-mail o conteúdo completo que pode ser visto no site do youtube através do vídeo 1, http://www.youtube.com/watch?v=eLJJ2TYtAT8, e do vídeo 2, http://www.youtube.com/watch?v=lQwo5eHxb5M&feature=related, através de uma reportagem do programa Pânico na TV, da Rede TV.
O conteúdo mostra os “repórteres” Datena e Maldonado falando mal do Festival de Parintins, demonstrando total falta de ética e de respeito através dos comentários debochados e inconsequentes. Vieram, comeram, beberam, curtiram as mordomias. No ar falavam maravilhas… nos intervalos soltavam palavrões, debochavam e demonstraram que não gostaram e que estavam ali obrigados pelo trabalho. Tipo do comportamento condenável sob todos os pontos de vista, principalmente no aspecto da ética, do caráter, e principalmente na revisão que precisa ser feita no Brasil não somente na questão da intolerância racial, mas na social e cultural também. Comportamento decente se espera de pessoas conhecidas e tidas como profissionais. O fato mostra o contrário. Como dar credibilidade a pessoas que ao gravar um programa diz uma coisa e por trás pratica o contrário?
Não sabemos o que as autoridades constituídas, os parintinenses, as agremiações ou os diretores da Band fizeram quando os vídeos foram divulgados para o mundo. Faço a minha parte no sentido de desmascarar essas pessoas perante a sociedade e mostrar a seguir as tantas opções que este município nos oferece, sempre de braços abertos, recebendo bem até quem não merece a nossa atenção.
Parintins tem, com justa razão, um imensurável tesouro de valiosíssimos títulos que não são expostos como deveriam, mas está galgando um caminho laborioso que certamente vai trazer à tona em seu tempo certo. Sua posição geográfica, encravada no coração da floresta, envolvida pelo rio Amazonas, já constitui um dádiva da natureza.
Longe dos holofotes e da mídia que projetam o festival folclórico pelo mundo afora há preciosidades humanas que atuam nos bastidores, dos mais simples e menos abastados, até aos mais intelectualizadas, sempre a serviço de Parintins, executando um serviço de formiguinhas. Tudo para que os milhares de visitantes possam se sentir bem recebidos e tenham conforto suficiente para voltar à ilha e ainda atrair novos amigos.
A experiência vivida recentemente com a alteração da data do espetáculo, com um visível acréscimo do número de visitantes, revela que apesar de quase meio século de um evento previamente organizado e que tem um determinado custo financeiro, as mudanças propostas foram muito bem assimiladas. Isso prova que nada configura desafio que o povo parintinense não consiga transpor, vencer com desenvoltura e valor.
Paris do rio Amazonas, como carinhosamente é tratada, vai muito mais que uma ilha amazônica. Além do famoso festival folclórico, nossa ilha tem um calendário de eventos que ocupa o ano inteiro e deve receber a merecida atenção, pois também representa as manifestações acaloradas de fé, de participação, de prazer revelado em cada gesto, em cada esforço para que tudo aconteça da melhor forma possível. Parintins dos bois bumbás, das Pastorinhas, da Exposição Agropecuária, da já tradicional Festa do Réveillon, da Paixão de Cristo, do Carnailha, de Nossa Senhora do Carmo e de tantos outros momentos, de movimentos populares que ajudam a consolidar para o Brasil e para o mundo a imagem do berço cultural das alegorias gigantes, das alegrias constantes de um povo criativo e trabalhador.

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