2 de março de 2021

Parar de fumar exige seriedade e apoio

A nicotina do fumo diminui a capacidade de circulação sangüínea, aumenta a deposição de gordura nas paredes dos vasos e sobrecarrega o coração

O Dia Nacional de Combate ao Fumo nos leva a refletir seriamente sobre esse grave problema. A maioria das pessoas sabe o mal que o cigarro e o fumo causam para a saúde. Em qualquer maço de cigarros, por obrigação legal, há uma advertência: “fumar faz mal à saúde”, “fumar causa câncer”, “fumar causa impotência sexual”.
Fumar, além de todo mal que causa ao próprio fumante, compromete a saúde e o bem-estar de quem está próximo. O fumante passivo também acaba absorvendo substâncias em concentrações semelhantes às de quem fuma.
O cigarro é feito do tabaco, e contém mais de quatro mil substâncias tóxicas. Algumas são gasosas, como o monóxido de carbono (CO), e algumas são partículas, como o alcatrão, a nicotina. Esses complexos incluem arsênico, amônia, sulfito de hidrogênio e cianeto hidrogenado. O alcatrão, além dos radioativos urânio, polônio 210 e carbono 14, concentra várias substâncias que podem alterar o núcleo das células.
É por isso que a fumaça do cigarro produz irritação nos olhos, nariz e garganta, causando alergia respiratória em fumantes e não-fumantes. O monóxido de carbono da fumaça atinge os pulmões e dali segue para o sangue, reduzindo sua capacidade de carregar oxigênio. As células deixam de respirar e produzir energia, fazendo com que o fôlego da pessoa fique prejudicado, além aumentar o risco de doenças cardiovasculares e respiratórias.

O CO também prejudica a formação do feto. Fumar durante a gravidez acarreta sérios riscos, tanto para o bebê quanto para a mãe. Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e hemorragias ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma. A nicotina de um único cigarro da mãe é suficiente para acelerar o ritmo cardíaco do feto.
A nicotina do fumo diminui a capacidade de circulação sangüínea, aumenta a deposição de gordura nas paredes dos vasos e sobrecarrega o coração, podendo aumentar a chance de a pessoa ter infarto do miocárdio ou câncer. O pior de tudo é que a nicotina reforça no fumante a vontade de fumar, isto é, provoca a dependência e o vício.
Além de uma infinidade de doenças, o cigarro pode gerar ainda outros males: faltas ao trabalho; queda de produtividade; aposentadorias precoces; mortes prematuras; incêndios rurais e urbanos; acidentes de trabalho e acidentes de trânsito.
Os entendidos em tributação dizem que os gastos sociais com o tabagismo são muito maiores que o que se arrecada de impostos do cigarro. As doenças cardiovasculares são as primeiras causas de morte no país, bem como a bronquite crônica e o enfisema, e estão relacionadas ao fumo.

O câncer é a segunda causa de morte por doença no país, responsável por grandes gastos com tratamentos e internações hospitalares. Cerca de 90% dos casos de câncer pulmonar e 30% de todos os outros tipos de câncer são devidos ao tabagismo.
O cigarro é considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como o maior agente de poluição doméstica e ambiental. O menor consumo de cigarro está nas classes de maior rendimento familiar. Infelizmente, a população de menor renda, que tem saúde mais frágil, é a que mais gasta com cigarro, diminuindo às vezes a alimentação.
Para quebrar o hábito de fumar, é necessário fazer alguma forma de tratamento que elimine a dependência física e psicológica da nicotina. O acompanhamento de um médico e de um psicólogo é importante para ajudar a pessoa a vencer a ansiedade. Também um grupo de apoio religioso pode ser eficiente, bem como o estímulo familiar.
Não adianta ficar culpando e ofendendo o fumante. Precisamos ajudá-lo a vencer o vício, com caridade e perseverança. E não se pode deixar de contar com a graça de Deus. Pesquisas mostram que muitos fumantes deixaram o vício depois que abraçaram a fé.
O importante é não desanimar diante da luta contra o cigarro e todos os demais vícios que acabam fazendo companhia ao fumo, como o consumo de álcool.

Felipe Aquino é teólog

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