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Paralisação das montadoras pode afetar mercado de automóveis no Amazonas

O desastre climático que aconteceu no Rio Grande do Sul já está afetando a logística de transporte e abastecimento de peças para a indústria automotiva. Até mesmo algumas fabricantes estão suspendendo suas atividades de produção. Para o Amazonas, um dos possíveis reflexos pode ser a dificuldade na entrega de veículos 0km. Informação que não é descartada pelo  Sincodiv -AM (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado do Amazonas).

Segundo João dos Santos Braga Neto, que lidera o Sincovid, é fato que a calamidade no Rio Grande do Sul terá impactos na cadeia de produção devido à presença de diversas fábricas de peças na região. No caso específico da GM  (General Motors), é importante destacar que a empresa também possui uma unidade fabril em Gravataí (RS). 

A recente inundação que causou grandes estragos no Rio Grande do Sul já impactava a produção das principais montadoras do Brasil. A GM suspendeu temporariamente a produção em Gravataí, onde são fabricados o Onix e o Onix Plus, enquanto a Volkswagen interrompeu as operações nas suas fábricas em São Paulo. Inicialmente, as linhas de montagem ficarão paradas por 10 dias em Taubaté e São Bernardo do Campo, e por 11 dias em São Carlos. 

Até o momento, a única planta que continuará operando normalmente é a de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, ao menos por enquanto.

“Contudo, ainda não é possível mensurar as consequências disso, mas é certo que haverá uma redução na produção. Estava previsto encerrar o ano com aproximadamente 3 milhões e 200 mil carros fabricados no Brasil e agora já se fala em 2.900, ou seja, uma diminuição de 300 mil carros. Acho que daqui uns 30 dias a gente pode ter uma avaliação um pouco melhor sobre esse cenário e projeção”, comentou o dirigente sindical, João dos Santos Braga Neto. 

Cenário preocupa

Wigner Rezende, empresário do setor no Amazonas e representante do grupo Mavel que atua com as marcas Mavel Volkswagen automóveis, Rezende Caminhões e ônibus Volkswagen dentre outras, demonstra preocupação e ressalta que a Volkswagen parou 3 fábricas por 15 dias;  São Carlos ( motores) Anchieta e Taubaté,  sobre influência da restrição das peças.

Conforme o empresário, o Estado do Rio Grande do Sul tem uma forte base industrial, o que influencia toda a cadeia de suprimentos da indústria automotiva nacional e do Mercosul. 

“Em relação a alguns modelos de ônibus, as empresas já comunicaram que não estão mais aceitando pedidos para entrega ainda este ano, apenas em 2025. Na manutenção dos veículos, já estamos lidando com escassez de peças. Isso resultará em maior tempo de paralisação dos veículos e aumento do custo das peças”.

Ele pontua que devido à distância dos centros de fornecimento, terão que recorrer ao uso de fretes aéreos para minimizar as paralisações dos veículos. “Essa situação afeta tanto automóveis quanto caminhões. A falta de produtos para vender é extremamente prejudicial para o setor. As margens de lucro dos automóveis e peças são apertadas e os custos fixos são significativos. É provável, ainda que teremos pátios vazios a curto prazo. O cenário poderá melhorar ou piorar nas próximas semanas, portanto, permaneceremos atentos”, analisou Rezende. 

Nota

Em nota oficial divulgada à imprensa, a Volkswagen informou que “Em função das fortes chuvas que acometem o estado do Rio Grande do Sul e o povo gaúcho, alguns fornecedores de peças da Volkswagen do Brasil, com fábricas instaladas no estado, estão impossibilitados de produzir neste momento. Por esse motivo, a Volkswagen do Brasil iniciou hoje (20/5/24) férias coletivas nas fábricas Anchieta, Taubaté e São Carlos. Anchieta e Taubaté terão 10 dias de férias coletivas. A fábrica de motores de São Carlos terá férias de 11 dias para parte do time de produção. A fábrica de São José dos Pinhais, neste momento, seguirá produzindo normalmente. A Volkswagen do Brasil se solidariza com o povo sul-rio-grandense e reforça sua convicção de que a reconstrução desse estado será realizada com a mesma grandeza dos gaúchos”.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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