11 de agosto de 2022
Prancheta 2@3x (1)

Para o Iedi, manufatura passou por recuperação nos últimos sete meses

O desempenho da indústria brasileira nos últimos meses preenche três requisitos para se falar de um processo efetivo de recuperação. Primeiro, trata-se de um processo de aumento de produção que já se prolonga por sete meses de forma ininterrupta

O desempenho da indústria brasileira nos últimos meses preenche três requisitos para se falar de um processo efetivo de recuperação. Primeiro, trata-se de um processo de aumento de produção que já se prolonga por sete meses de forma ininterrupta. Segundo, porque esse crescimento é virtualmente generalizado para todos os segmentos da indústria, seja por categoria de uso, seja por ramos de atividade. Terceiro, julho mostra índice de variação, na margem, bem mais expressivo do que em meses anteriores, um indicador de que o setor ganhou dinamismo em sua trajetória de ascensão. Não há nada no horizonte que ameace a continuidade desse processo no segundo semestre, razão pela qual é possível esperar que, no último trimestre, o emprego industrial também cresça de modo mais consistente.
Em julho, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a produção industrial cresceu 2,2% frente a junho, na série com ajuste sazonal, abrindo o segundo semestre do ano com um crescimento mais robusto. Esse ritmo mais forte é o resultado de um desempenho positivo em 23 dos 27 ramos da indústria pesquisados pelo IBGE. Vale destacar, nessa passagem de junho para julho, o aumento da produção de máquinas e equipamentos (8,9%), bem como o avanço de 4,5% na metalurgia básica. Ainda nessa comparação, observa-se que, em todas as categorias de uso, a produção cresceu: o setor de bens de consumo duráveis foi o que mostrou melhor desempenho (aumento da produção de 4,6%), seguido por bens intermediários (2%), bens de capital (1,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (1%).
Os dados do IBGE também mostram que os níveis de produção da indústria geral e de seus segmentos estão muito abaixo dos registrados em 2008. No entanto, constata-se um arrefecimento das quedas nos últimos meses. Na comparação com igual mês do ano anterior, a produção caiu 9,9% em julho, recuo bem menor do que aqueles observados nos meses anteriores de 2009 (cuja média está acima de –13%). Esse resultado reflete um comportamento generalizado na indústria: de um total de 27 setores, em 21 as taxas de variação negativas na produção vêm perdendo ritmo, com destaque para máquinas e equipamentos (de -29% para -20,2%), veículos automotores (de -23,6% para -21,5%), metalurgia básica (de -27,8% para -19,2%) e borracha e plástico (de -19,6% para -12,5%), entre outros.

Taxas negativas

Segundo dados do IBGE, a indústria geral assinalou crescimento de 2,2% em julho frente a junho na série com dados dessazonalizados. Frente ao mesmo mês do ano anterior, a produção industrial continua registrando taxas negativas. Na comparação com julho de 2008, a produção industrial brasileira apresentou recuo de 9,9%, contra –10,9% visto em junho e –11,2% em maio. No ano até julho, a indústria geral acumulou queda de 12,8%, a menor taxa negativa vista em 2009. No acumulado dos últimos 12 meses frente a igual período imediatamente anterior, houve queda de 8%.
Em relação ao mês imediatamente anterior, com dados já livres dos efeitos sazonais, todas as categorias apresentaram avanços na produção. As taxas mais elevadas foram registradas pelos segmentos de bens de consumo duráveis (4,6%) e de bens intermediários (2%). Em seguida aparecem: bens de capital (1,4%) e bens semiduráveis e não duráveis (1%). Frente a julho de 2008, todas as categorias de uso assinalaram resultados negativos, com destaque para a os bens de capital (–23,9%), devido à queda de todos seus subsetores, principalmente os bens de capital para construção (–51,9%) e bens de capital para peças agrícolas (–44,7%). Acima da média do desempenho geral da indústria nessa comparação (–10,2%), encontramos: bens de consumo semiduráveis e não duráveis (–3,2%), bens de consumo duráveis (–4,1%). Os bens intermediários registram índice 11,6% inferior a julho de 2008. Na variação acumulada nos primeiros sete meses de 2009, mais uma vez os destaques negativos foram os bens de capital (–23,16%) e bens de consumo duráveis (–17,3%), seguidos pelos bens intermediários (–15,1%) e semiduráveis e não duráveis (–3,2%).
A partir dos dados dessazonalizados, observou-se que, dos 27 ramos de atividades pesquisados pelo IBGE, 23 apresentaram nível de produção superior na passagem de junho para julho. Os destaques por ordem de contribuição foram: máquinas e equipamentos (8,9%), metalurgia básica (4,5%), alimentos (1,9%), máquinas para escritório e equipamentos de informática (12,1%), borracha e plástico (5,6%), minerais não metálicos (3,6%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (4,5%). Em sentido oposto, os principais recuos foram verificados em máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–6,3%) e refino de petróleo e produção de álcool (–1,1%).

Veículos automotores

No confronto julho de 2009/julho de 2008, o recuo da produção foi generalizado, atingindo 23 dos 27 ramos industriais, com destaque para: veículos automotores (–21,5%), seguido por máquinas e equipamentos (–20,2%), metalurgia básica (–19,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (–28,1%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–25,4%) e produtos de metal (–20,0%). Positivamente, o resultado mais significativo foi da indústria farmacêutica (8,6%).
No acumulado entre janeiro e julho de 2009, apenas quatro segmentos industriais apresentaram crescimento. Os destaques negativos, por ordem de contribuição, foram: veículos automotores (–23,3%), máquinas e equipamentos (–27,7%), metalurgia básica (–26,5%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (–38,3%), outros produtos químicos (–13,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (–25,1%). Em sentido oposto, os resultados positivos mais importantes vieram dos setores farmacêutico (10%) e de outros equipamentos de transporte (13%).

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