Para motivar é preciso se incomodar

Tal comparação, percebida através da ativação de uma área cerebral vinculada ao registro de recompensas (corpo estriado ventral), provou um maior

Associar o estudo científico a hipóteses relacionadas ao desenvolvimento da motivação pode levar a reflexão sobre a necessidade de se compreender melhor tal questão e dela tirar maior proveito. Na recente publicação da revista Science observa-se o resultado de uma pesquisa realizada na Universidade de Bonn, na Alemanha, cujo relato afirma: “As pessoas não se importam apenas com o que elas próprias ganham; parece ser igualmente importante o que elas ganham relativamente a uma outra pessoa”.

Tal comparação, percebida através da ativação de uma área cerebral vinculada ao registro de recompensas (corpo estriado ventral), provou um maior funcionamento desta mes­ma região quando os pesquisados recebiam mais dinheiro que o seu concorrente durante as seções de perguntas que lhes eram feitas. Bingo! Ainda que se relacione tal fato a inveja, uma coisa tornou-se ainda mais evidente: o homem pode se motivar em níveis mais elevados se houver a presença de incômodo dentro de si.

Não se pretende aqui avaliar a inveja em si, mas os seus efeitos em relação ao desenvolvimento da motivação. Ela é apenas mais um tipo de incômodo existente. Portanto, a ênfase deve recair sobre o fato de que para motivar é preciso se incomodar.

Não é no sossego que se desenvolve a motivação. É uma ilusão esperar que alguém se motive sem nada fazer. A motivação não surge por acaso. É preciso existir motivo que a faça ativar e evoluir. E ainda, o estado de acomodação pode ser extremamente ruim, haja vista ele proporcionar as condições que desfavorecem o desenvol­vimento da motivação, levando à situação oposta em alguns casos, reduzindo o seu nível, e abrindo as portas para possíveis resultados: tristeza, apatia, desânimo, descrença etc.

É através do estado incomodado (ser competitivo, por exemplo) que a pessoa busca empreender algo. Não é fugindo das atividades, tanto pessoais quanto profissionais, que se encontrará uma condição adequada. Logo, quando se diz que o bom profissional é aquele que vai além do que se espera ao realizar mais e melhor, faz-se luz sobre a questão, não apenas por sua capacidade de superar, mas pelo ganho que se obtém, considerando-se que ocorrerá um maior desenvolvimento da sua motivação. Tal aumento produzirá ainda mais empenho e conseqüente resultado.
Não obstante, deve-se examinar, ainda, que empreender com entusiasmo é uma das parcelas do todo para se atingir o sucesso. Conhecimento, método, foco e outros requisitos fa­zem parte do pacote que cada um deve desenvolver para alcançar êxito. Mas tais itens não são também fatores que podem incomodar (por sua ausência ou pelo nível reduzido de sua presença) e servir de impulso ao desenvolvimento da motivação?

Em todo momento é possível encontrar incômodos que sirvam de alavanca para que a pessoa se motive. Cumpre-se ponderar finalmente acerca das razões existentes na natureza por fazer existir no ser humano a possibilidade do desenvolvimento da motivação e os fatores que levem a tal movimento. E, se o homem age em conformidade ou contrariamente a tal condição natural, resultando melhor ou pior estado para si mesmo.

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637) e diretor da Self Consultoria em Gestão de Pessoas. É professor e mestre em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: [email protected]

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