3 de dezembro de 2021

“Para melhorar, escolher melhor”

Os desvios de conduta são traços humanos negativos que permeiam a política e outras atividades em sociedade. De fato, desvirtuar a realidade, falseando-a, e se aproveitar da função pública em benefício próprio, parecem ser características forte na práxis política de nosso país e em diversos lugares do mundo, nos quais  a Política ainda não tenha evoluído o suficiente, provavelmente porque a própria sociedade não tenha progredido para a verdadeira função desta importante atividade. Mesmo assim, apesar das decepções, penso que não devemos perder a esperança de que nosso país evolua progressivamente para um novo status político, em que os interesses coletivos e o bem comum preponderem sobre os meros interesses individuais e/ou de grupos de privilegiados. Para mim, isso deve estar acima das divergências ideológicas, porque a ideologia não pode substituir a Ética, mas deve nela estar fundamentada.

Com o passar dos anos, com as experiências e as decepções, pude constatar que diversas vezes a fundamentação ideológica parece ser mais um disfarce do que uma verdadeira visão programática. Tanto na esquerda quanto na direita parece ser muito mais fácil apontar o dedo e acusar do que praticar o que se apregoa quando se está no que se convencionou chamar de “poder”. Assim, o antigo PT oposicionista era contundente no seu discurso “ético”, mas quando conseguiu alcançar o domínio de muitas prefeituras, de governos estaduais e do governo federal, não conseguiu manter a mesma “atitude”, como se depreende dos escândalos do “Mensalão” e da “Lavajato”. De outro lado, observa-se que há sérios vícios no segmento de direita que adentrou o poder no Planalto Central, com discurso de severas críticas ao Centrão e suas práticas novivas, mas agora o tem como aliado preferencial. Acredito que as “armadilhas” do atual sistema político capturem lideranças dos mais diversos matizes, inclusive pessoas bem-intencionadas, mas que acabam por se submeter às regras não explícitas do jogo. 

Uma questão basilar ainda é a “distração” de grande parte dos cidadãos na hora de escolher seus representantes nos parlamentos. Anos atrás uma amiga, magistrada aposentada, me disse que nosso país só irá melhorar no dia em que os brasileiros valorizarem o voto para vereador, deputados e senador mais do que para os cargos executivos. Ou seja, no dia em que a população eleger majoritariamente representantes honestos, bem-preparados, vocacionados e comprometidos para defender o bem da sociedade acima dos seus próprios interesses pessoais. É o que ocorre em países mais evoluídos, em que os parlamentares, senão todos, mas a maioria, evita e fiscaliza a corrupção e não cede à certas tentações de estar no “poder”. Nessas nações, o cidadão não esquece facilmente o nome de quem votou, costuma acompanhar o desempenho do seu mandato e cobrar coerência com os compromissos assumidos na campanha. Por consequência, uma maioria parlamentar séria e comprometida com a sociedade, ajuda a fiscalizar os governantes, a contribuir com boas leis e outras proposituras valiosas, bem como ajudando a evitar desvios. 

Eu já me decepcionei comigo mesmo por acreditar que certos líderes promoveriam mudanças estruturais, que depois fui perceber, não eram de seu interesse maior, que era o de se manter no poder, com as vantagens dele decorrentes. Sei que nenhum ser humano é perfeito e que erros sempre irão acontecer, mesmo em sistemas políticos mais adiantados do que o nosso. No entanto, também sei que o Estado não deve ser apropriado por quem apenas deseja se beneficiar dele, seja pelos privilégios, ainda que “legitimados pela lei”, seja pela vaidade e status, seja pelo mero desejo de ficar rico de bens materiais. Se para manter o poder o agente político aceita fazer coisas que ele sabe estarem erradas, perde-se a essência do que seja a verdadeira missão da Política.

Por já ter me enganado, não tenho o direito de condenar nenhum eleitor por ter se equivocado. Mas posso – e penso que devo – afirmar que candidatos que gastam “rios de dinheiro” em suas campanhas milionárias costumam ser mais “presos” aos esquemas que, no futuro, irão lhe cobrar atitudes que ferem a ética e o bem comum. Por isso, sugiro que se desconfie de quem procura convencer  e conquistar votos pela força da grana, com campanhas caríssimas e que não prioriza compromissos verdadeiros que terá de cumprir no futuro. Se nós brasileiros melhorarmos as escolhas para as casas legislativas, em nível municipal, estadual e federal, os escolhidos poderão exercer seu poder, de fato, como legítimos representantes do povo! Os próprios governantes tomarão maior cuidado, porque saberão que serão fiscalizados e apoiados por quem não se vende, por quem honra o mandato popular. 

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