Pará assume liderança na produção de pescado e supera Santa Catarina

Com produção de 200 mil toneladas, o Estado do Pará se tornou em 2009, o maior produtor de pescado do país, superando o tradicional líder, Santa Catarina, que produz anualmente em média 180 mil toneladas/ano.

Mas, segundo a Sepaq (Secretaria de Pesca e Aquicultura), este número deve aumentar, pois grande parte do volume produzido pelo Pará se refere à pesca de subsistência, que não entra na computação da produção. “O volume da produção atual que está sendo contabilizado não leva em conta os números de pesca de subsistência nem a atividade realizada na região do Xingu. Mas estamos próximos de alcançar os índices reais, pois criamos parcerias com a UFPA (Universidade Federal do Pará) e com a Eletronorte que irão nos ajudar a elaborar uma metodologia”, explicou o secretário em exercício da Sepaq, Constantino Alcântara.

Do total, cerca de 80% da produção do pescado no Estado é destinada ao consumo interno e apenas 20% à exportação. A piramutaba e o camarão são as espécies favoritas do mercado externo, formado principalmente por Japão, Estados Unidos e Europa. A indústria pesqueira paraense emprega diretamente três mil funcionários, além de pelo menos 145 mil pescadores artesanais.

No último ranking nacional apresentado pelo MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), com números referentes a 2007, o Estado de Santa Catarina era responsável pela produção de 184.493,5 toneladas, cerca de 17,20% do volume produzido nacionalmente. No mesmo período, o Pará estava na segunda colocação, com 12,12% de participação na produção brasileira e beneficiamento de 129.981,5 toneladas.

Irrigação e goiaba

Dois projetos de irrigação sobre plantações de goiaba paluma (variedade de polpa vermelha), implantados no município de Dom Eliseu, no sudeste do Pará, permitirão a colheita do fruto o ano inteiro, em vez de apenas nos meses de abril e maio. A tecnologia está sendo testada no início deste ano em duas propriedades de agricultores familiares, com o apoio do escritório local da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará).

O cultivo de goiaba exige água constante em seu ciclo, principalmente nas fases de floração e frutificação. Por isso, sem sistemas de irrigação, a safra estadual acaba sendo colhida somente após o período chuvoso. “O objetivo é descentralizar a safra”, informou o técnico agropecuário da Emater, Raimundo Salazar.

Dom Eliseu é o município da Amazônia que mais produz goiaba, com 330 hectares plantados, incluídos os pequenos, médios e grandes produtores. Dados da Emater indicam que os 52 agricultores familiares do município cadastrados como “plantadores de goiaba” produzem mais de mil toneladas por ano. Fora da época de safra, o Pará importa a fruta de Pernambuco.

“Além de estarmos aperfeiçoando a produção, já que a goiaba de Dom Eliseu é cultivada sob princípios de transição agroecológica, com menos agrotóxicos do que no processo convencional, a irrigação vai fazer com que os produtores paraenses atendam ao mercado local durante o ano todo. A ocasião é oportuna, também, porque o setor nordestino está em decadência devido à praga neumatóide”, explicou o chefe do escritório local da Emater, o engenheiro agrônomo Oduvaldo Oliveira.

Cada sistema de irrigação custa, em média, R$ 7,5 mil por hectare financiado pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Com o incentivo da Emater, o produto adquiriu melhor qualidade que resultou na assinatura de contratos com as indústrias. Hoje, 80% da produção é vendida, em média, a R$ 0,55 o quilo, para duas grandes fábricas de polpa congelada.

Os 20% restantes se constituem em “goiaba de mesa”, com a fruta in natura sendo comercializada, em média, a R$ 1,00 o quilo, nas feiras e supermercados de Dom Eliseu e municípios vizinhos, e ainda na Ceasa (Centrais de Abastecimento) do Estado do Pará, em Belém. “Esses preços de venda são considerados bons; trazem real lucro para o produtor”, garantiu Raimundo Salazar.

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