Para Abraciclo, polo de duas rodas está muito próximo do topo

Jornal do Commercio – A indústria do PIM tem realmente o que comemorar neste dia 25 de maio?

Moacyr Alberto Paes – Apesar da retração na atividade produtiva, a indústria do PIM tem razões para comemorar o Dia da Indústria: 1) O PIM hoje é uma realidade e está consolidado e inserido, com muita importância, dentro da economia brasileira. 2) O setor de duas rodas está em segundo, e muito próximo de ser o primeiro, em faturamento do PIM, demonstrando um crescimento bastante significativo de indústrias, investimentos e empregos.

JC – Há sinal positivo de aquecimento de produção e venda neste primeiro quadrimestre de 2009? 

Paes – As indústrias do setor já estão sentindo melhoras, principalmente a partir do mês de março. Além disso, há a confiança que deverá melhorar ainda mais no decorrer deste ano, principalmente se houver continuidade dos incentivos concedidos pelos governos estadual e federal de combate à crise.

JC – Pode-se afirmar que as indústrias do PIM estão começando a realmente sair da crise?

Paes – Podemos afirmar que o pior da crise já passou. Agora é o momento de buscar alternativas para incrementar a produção, através de produtos mais atraentes e competitivos para os consumidores.

JC – A ajuda dos governos –estadual e federal– para conter os efeitos negativos da crise, entre os quais o setor de duas rodas, contribuiu de fato para que as empresas não tivessem um cenário pior, de produção e venda e dos postos de trabalho do PIM?

Paes – Ações rápidas e eficazes do governo do Estado do Amazonas e da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) foram importantes para que a retração não afetasse em escala maior as indústrias do setor. Destacamos o apoio do governo estadual para que ocorresse a isenção da Cofins (Contribuição Financeira para o Financiamento da Seguridade Social) pelo governo federal, o que será fundamental para a recuperação do setor de motocicletas.

JC – O último relatório do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), aponta recuperação do mercado de trabalho no país. Porém, no Amazonas houve queda de 15 mil postos de trabalho no primeiro quadrimestre. Como o senhor avalia esse resultado?

Paes – É importante destacar que a crise é agravante e atinge o mundo todo. As estatísticas pontuais têm que ser analisadas com muito cuidado. No caso do setor de duas rodas, graças ao esforço dos fabricantes e apoio do governo e do Sindicato dos Metalúrgicos, houve a manutenção do nível de empregos, não colaborando para o saldo negativo.

JC – Os cinco principais segmentos do PIM apresentaram resultados positivos no comparativo entre os meses de março e fevereiro. O segmento de duas rodas, por exemplo, obteve faturamento de US$ 367,187 milhões e crescimento de 29,32%. Esse resultado é um sinalizador de que o setor começa a reagir?

Paes – Sem dúvida. Porém, ainda é necessário que a demanda cresça muito para chegarmos próximo ao resultado do ano passado.

JC – A produção de motocicletas, motonetas e ciclomotores no primeiro trimestre de 2009, conforme indicadores industriais divulgados pela Suframa, aponta uma produção de 308,11 mil unidades, o que representa uma queda de 47,58% se comparado aos 587,80 mil produzidas no primeiro trimestre de 2008. Avalie esse resultado.

Paes – Os números refletem a proporção que afetou o setor, portanto dificilmente chegaremos ao mesmo patamar de 2008. Porém, o importante é esclarecer que nos números deste ano há uma parcela que os fabricantes tiveram que antecipar na produção no ano passado, em função da passagem da especificação de Promot II para o Promot III (legislação de emissão de gases) e, portanto, os números do trimestre seriam menores que 2008, independentemente da crise.

JC – Diante do atual cenário dá para projetar o segundo semestre de 2009?

Paes – Acreditamos que o segundo semestre será melhor que o primeiro, principalmente se repetirmos os resultados atuais que estamos obtendo.

JC – Dá pelo menos para equiparar a 2008 quando o PIM fabricou 2,37 milhões desses produtos?

Paes – Dificilmente atingiremos o mesmo patamar do ano passado, até porque, como explicamos, houve um adicional estratégico de produção naquele ano. Porém, se atingirmos um número próximo de 2 milhões de motocicletas já será um bom resultado.

JC – Quantas empresas do setor existem no PIM atualmente?

Paes – As associadas à Abraciclo são: Moto Honda, Yamaha, Suzuki, Harley Davidson, Kasinski, Dafra, Brasil & Movimento (Sundown), na produção de motocicletas e Caloi Norte, Prince Bike e Brasil & Movimento (Sundown), produzindo bicicletas. Além destas, o Polo Industrial de Manaus ainda conta com mais oito empresas entre indústrias instaladas e outras com projeto aprovado na Suframa, algumas em fase de instalação.

JC – Quantos empregos diretos gera o setor?

Paes –A força de trabalho hoje conta com, aproximadamente, 17 mil empregos diretos das empresas associadas, acrescido das outras empresas não associadas, sem levar em conta o polo de componentes para a indústria de veículos e de duas rodas.

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