Panorama das economias brasileiras e mundial

Para muitos economistas, a economia brasileira passa por paradoxos próprios da recuperação econômica pós pandemia que se passa em outras economias no mundo, como a taxa de juro em alta, taxa de inflação em alta e taxa cambial em alta. O avanço do processo de vacinação está causando a retomada das atividades econômicas de modo gradual, quanto mais se avança no processo, mais recuperação da mobilidade econômica se alcança. Também, ressalta-se que essas novas cepas da infecção da COVID-19 impõem novas limitações e devem prejudicar as atividades neste começo de recuperação. Essas condições se estenderão à maioria dos países no mundo, até o segundo semestre de 2022, esse novo quadro pode incluir também a possibilidade de lockdowns, isto é, de restrições severas à circulação de pessoas, para conter a transmissão de nova variante delta, antes de generalizar-se a vacinação.

Conforme noticiam economistas do FMI – Fundo Monetário Internacional, “medidas fiscais de apoio à recuperação econômica serão provavelmente mantidas em alguns países desenvolvidos, como já se anunciou nos EUA, no Japão e na União Europeia. Na maioria desses países a tendência será a busca do reequilíbrio orçamentário, com menores gastos governamentais e maior arrecadação possível”. Os economistas do FMI “ressaltam a importância da cooperação internacional para a recuperação econômica, defendem atenção especial a jovens, mulheres e trabalhadores informais e pregam políticas voltadas para a construção de uma economia mais verde”. E para os Economistas pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia – CEA, o desempenho assimétrico da economia mundial está associado primordialmente à evolução desigual da imunização contra o coronavírus e as diferenças na Política Econômica – PE  de cada país, para enfrentar a recessão da COVID-19. Assim como, o aumento das atividades econômicas reflete a baixa base de comparação em função da retração verificada em 2020, a vigorosa retomada dos EUA e China, a expressiva elevação dos preços das commodities e a flexibilização das medidas de distanciamento social nos diversos países. Se pode fazer notar que o fim das medidas fiscais de combate à crise econômica provocada pela Covid-19 no final de 2020 é um elemento adicional de arrefecimento do dinamismo das economias em países subdesenvolvidos e, em países que abandonaram a Política Monetária – PM expansionista, a recuperação será ainda mais prejudicada para os próximos anos. E, em observações gerais, os Economistas do CEA, apontam que a recuperação da economia mundial veio acompanhada de um aumento da inflação e que essa elevação é causada primordialmente, pela forte elevação de preços, após a deflação do segundo trimestre de 2020, e  pelo expressivo aumento nos preços das commodities agrícolas e minerais em caráter mundial. Por sua vez, em economias subdesenvolvidas altamente dependentes do comércio internacional, como é o caso do Brasil, as pressões inflacionárias de 2021 devem se projetar para 2022, impulsionadas pelo aumento dos preços de alimentos em geral, aumento dos juros no mercado e pela desvalorização da moeda(R$).

Por outro lado, a crise econômica do coronavírus tem acentuado o hiato que separa as economias latino-americanas – LA das economias de países desenvolvidos, mesmo que o processo de digitalização tenha avançado, ele está vinculado a tecnologias avançadas, como a internet por banda larga 5G em alguns países da LA – e, como inteligência artificial, internet das coisas e big data, sendo que os avanços tecnológicos vem ocorrendo nas etapas de comercialização e não de produção em geral, como no caso do Brasil em algumas áreas. O Brasil convive na instabilidade política e nas incertezas das políticas sanitárias com relação ao impacto maior da variante Delta do coronavírus sobre o nível das atividades econômicas, o desempenho da economia brasileira em 2021 pode ser prejudicado pela mudança na Política Monetária – PM dos Estados Unidos, pela crise energética que gera o risco de apagões e, pelo efeito negativo da instabilidade política sobre as expectativas dos capitalistas (investidores). Mesmo que esteja vislumbrando retomada econômica, a recuperação da economia brasileira ainda não se faz sentir no mercado de trabalho. Apesar do efeito positivo da retomada da economia sobre o emprego, nos mêses de maio e junho, o número de ocupados ainda registrava um déficit de 6,7 milhões de postos de trabalho em comparação com o ano-mês anterior à pandemia. As consequências, não há perspectiva de  futura reversão da crise de desemprego, em curto prazo. No trimestre encerrado em maio, a taxa de desemprego foi de 14,5%, totalizando 14,8 milhões de desempregados. E, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE registrou em maio/2021, 33 milhões de pessoas subutilizadas, ou seja, 29,3% da força de trabalho encontrava-se desempregada, fora da força de trabalho ou trabalhando menos do que gostariam, um contingente superior a toda a força de trabalho da Argentina e da Venezuela juntos.

Como observa-se desde o início desse artigo, que a possibilidade de uma recuperação do crescimento econômico veio acompanhado de inflação em alta e, em julho, o Índice de Preço ao Consumidor Ampliado – IPCA acumulado em doze meses alcançou 9%, levando a previsão de elevação dos preços nesse semestre de 2021 para o patamar de 7% ao ano. Na atualidade, a taxa inflação tem sido puxada pela elevação dos preços de alimentos em geral, parte causado por fenômenos climáticos, e de transportes (preço de fretes e combustíveis), implicando forte pressão sobre o custo de vida da população, acarretando à parcela da população de renda mais baixa, mais sofrimento, pobreza e fome, com os efeitos do aumento da inflação.

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