18 de maio de 2021

Panificação no Amazonas cai 10% em 2020

Em direção oposta ao cenário nacional que alcançou 9% a mais em  faturamento, totalizando R$ 40 bilhões em 2020, dados divulgados pela Abimpai (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados), o segmento de panificação e confeitaria em Manaus teve redução de 10% no último ano. Segundo o Sindpan-AM (Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria  do Amazonas).

Com o mercado morno, em função da pandemia, na esteira dos impactos estão o fechamento de empresas, bem como redução de receitas e postos de trabalho. O número de estabelecimentos antes da pandemia somavam aproximadamente 1,5 mil padarias, concentrando cerca de 14 mil postos de trabalho.

“Tivemos empresas que reduziram seu quadro funcional em até 15%. Somos um setor predominante de empresas familiares”, comenta o presidente do Sindpan-AM, Carlos Azevedo.

Para completar, ele frisa que  houve  um impacto muito grande no reajuste de preço das matérias-primas em meio a um cenário de recessão econômica. “O principal ingrediente -a farinha de trigo, sofreu reajuste em 2020 superior a 40%”. 

A principal explicação para o aumento no valor do produto é que o Brasil importa de outros países e com a alta do dólar o produto encarece e quase que 90% do trigo consumido no Amazonas é importado. 

De acordo com Azevedo, o início de 2021 não está sendo fácil para o setor,  em face das restrições e do isolamento social, onde as padarias, apesar de continuarem operando, houve algumas limitações de atendimento.

“Esperamos a partir de abril, começar uma recuperação do setor, porém a venda de produtos próprios vem sofrendo retração. O momento é de planejar .Porém esperamos até o final de 2021, voltar aos níveis de 2019, porém tudo depende da retomada da atividade ao normal.

Vale lembrar que em ano pré-pandemia, o setor no Amazonas chegou a registrar crescimento de 3% em acumulados de 12 meses, com expectativas anual de altas de 5%.  

Nacional

A Abimapi com levantamento realizado pela consultoria Nielsen, apontou que juntos, os segmentos movimentaram R$ 40,5 bilhões, 9% acima do valor do faturamento alcançado em 2019 (R$ 37,1 bilhões) e 3,5 milhões de toneladas em volume de vendas, 6% a mais que o ano anterior (3,3 milhões de toneladas).

Os dados indicam que a alta do consumo das categorias se manteve firme durante 2020. A liberação das parcelas do auxílio emergencial pelo governo federal foi determinante para as vendas do setor, com os consumidores adaptando o orçamento apertado às necessidades básicas.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo primeiro semestre de 2020. Só no 1º quadrimestre do ano passado, os segmentos movimentaram R$ 9,6 bilhões, 5% acima do valor alcançado no mesmo período do ano anterior (R$ 9,1 bilhões).

Conforme o presidente-executivo da Abimapi,  Cláudio Zanão, entre março e abril os carrinhos ficaram mais cheios. As pessoas estocaram comida com medo do desabastecimento e passaram a fazer o maior número de refeições em casa, em virtude das medidas de distanciamento social para controle da covid-19.

Para este ano, o fator que deve ser determinante para o crescimento contínuo das vendas de derivados de trigo é a prorrogação do programa Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda do governo federal.

Outro ponto é a aceleração da alta do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e a dificuldade financeira das empresas que fizeram com que um quarto dos reajustes salariais em 2020 ficasse abaixo da inflação.

“Em 2021, o INPC continua elevado o que fará com que busquemos novas estratégias de negociação juntamente com as entidades laborais, sempre com foco na manutenção de emprego e renda do setor”, avalia Zanão.

“A expectativa é alcançar um crescimento de 3% a 5% em faturamento em 2021 das categorias Abimapi. Mesmo com o afrouxamento gradual das medidas de distanciamento social, as pessoas ainda se sentem inseguras para retornar ao consumo fora do lar, além disso, os produtos da categoria são relativamente baratos, pertencentes à cesta básica de alimentação e a população está menos capitalizada, revisando as suas prioridades de consumo”, destaca Zanão.

De acordo com o levantamento nacional, em 2020, as indústrias de pães movimentaram um total de R$ 9,2 bilhões -receita 11% a mais que em 2019 (R$ 8,3 bilhões e 584 mil toneladas) -resultante da venda de 652 mil toneladas de produtos, com crescimento de 12%.

Para Cláudio Zanão, evitar aglomerações e ficar em casa era e ainda é essencial no combate à pandemia, neste sentido, os pães e bolos industrializados se destacaram pela praticidade e prazo de validade dos produtos, que acabou se tornando fator determinante, impulsionado pelos canais de compra: super e hipermercados, estabelecimentos que se mantiveram abertos.

Sobre a alta no custo do trigo, ele comenta que a matéria-prima atingiu valores históricos em plena colheita, os produtores de trigo vêm negociando a safra atual com uma margem de lucro muito acima da média histórica o que retraiu as negociações no mercado da farinha, em um cenário em que os reajustes nas precificações são imprescindíveis. 

Nas massas, em média, 70% do custo é de farinha. Nos biscoitos, em média, o peso é de 30%, e nos pães e bolos industrializados, em média, de 60%. Sendo assim, qualquer variação no preço do trigo tem impacto direto para os fabricantes.

“Para frear o impacto dessa mudança de consumo, muitos fabricantes estão com um estoque maior de trigo e produto acabado, além disso, numa tentativa de manter preço atraente ao consumidor, as empresas estão mudando o portfólio, apostando nas embalagens mais econômicas e produtos com maior giro na gôndola”, completa Zanão.

O repasse aos custos já foi iniciado no início deste ano com um reajuste médio de 2% a 3%. De todo modo, este aumento tende a ser gradual, pois não há espaço para elevar os preços de uma só vez para o consumidor final.

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