Pandemia fechou 1060 lojas no Amazonas

Os impactos da pandemia do novo coronavírus levaram ao fechamento definitivo de pelo menos 1.060 pontos de venda do comércio varejista do Amazonas, durante o segundo trimestre de 2020. Em todo o país, a crise da covid-19 fez o setor amargar um saldo negativo de 135,2 mil lojas com vínculos empregatícios, entre abril e junho deste ano, número ainda maior do que o contabilizado ao longo de 2016 (-105,3 mil), auge da crise econômica anterior. Os dados foram divulgados nesta terça (25), pela CNC.

Todas as unidades da Federação registraram contração de empresas, sendo a maior incidência observada em São Paulo (-40,4 mil), Minas Gerais (-16,1 mil) e Rio de Janeiro (-11,4 mil). Em termos relativos, as maiores quedas na quantidade de estabelecimentos foram observadas nas regiões Norte e Nordeste, especialmente no Rio Grande do Norte (-14,3%), Alagoas (-13,2%); Roraima (-12%) e Rondônia (-11,8%).

A CNC lembra que a crise no setor coincidiu com a edição de diversos decretos estaduais e municipais que restringiram total ou parcialmente a circulação de consumidores em estabelecimentos comerciais, por meio da implementação do isolamento social, reduzindo significativamente as vendas presenciais – historicamente, a principal modalidade de consumo por parte do consumidor.

“Os números demonstram que o setor, que é o que mais arrecada e emprega, foi o que mais sofreu com a crise, dada a impossibilidade de abrir, o aumento dos custos e toda uma avalanche de dificuldades. Tivemos uma melhora a partir de junho, pela demanda reprimida e pelo simples fato de poder reabrir. Mas ainda é cedo para avaliar, porque os efeitos da crise são progressivos e vão se propagando”, ponderou o presidente em exercício da Fecomércio-AM (Federação do Comércio de Bens e Serviços do Estado do Amazonas), Aderson Frota.

Efeitos por segmento

Em todo o país, os segmentos mais atingidos pela crise da covid-19 foram os não essenciais. A lista inclui lojas de utilidades domésticas (-35,3 mil estabelecimentos ou -12,9%), vestuário, tecidos, calçados e acessórios (-34,5 mil ou -17%) e comércio automotivo (-20,5 mil ou -9,9%). Já o varejo de produtos de informática e comunicação foi o segmento a registrar as menores perdas absolutas (-1.200) e relativas (-3,6%).

No varejo essencial, menos afetado pelo isolamento social, as perdas se deram de forma menos intensa do que a média do setor (-9,9%). Foi o caso dos hiper, super e minimercados (-4,9% ou -12 mil lojas) e das farmácias, perfumarias e lojas de cosméticos (- 4,3% ou -5.300). Mesmo autorizado a funcionar na maior parte do país, o subsetor de combustíveis e lubrificantes foi indiretamente prejudicado pela menor circulação de consumidores (-12,2% ou -5.400).

A sondagem não informa números detalhados para o Amazonas, mas o presidente em exercício da Fecomércio-AM ressalta que segmentos como o de material de construção chegaram a passar por um boom recentemente, mas hoje não vão tão bem. Subsetores como o de calcados ainda amargam o fato de terem perdido o Dia das Mães, ao passo que o de confecções está com boas vendas, dependendo do estoque da loja – algumas não tiveram tempo hábil de se abastecer.

Demissões em massa

Na análise da CNC, a intensidade no fechamento de estabelecimentos das atividades comerciais entre abril e junho tende a refletir os respectivos desempenhos dos segmentos em termos de volumes de vendas, quando comparada aos três primeiros meses do ano. Ou seja, foram observadas perdas mais acentuadas nos ramos mais prejudicados pelas restrições ao consumo presencial.

“Embora recentes pesquisas do IBGE tenham revelado que apenas uma em cada quatro empresas comerciais tenha reduzido o quadro de funcionários em junho, o inédito fechamento de estabelecimentos com vínculos empregatícios no segundo trimestre reverberou no nível de ocupação apresentado pelo setor”, destacou a entidade, no texto da pesquisa.

Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) confirmam que a dinâmica implicou em demissões em massa.No segundo trimestre de 2020, foram eliminados quase 500 mil empregos formais em todo o país. No Amazonas, o saldo negativo acumulado entre abril e junho chegou a -15.273 postos de trabalho. O comércio contribuiu com a eliminação de vagas 2.978, no mesmo período, sendo abril (2.164) o fundo do poço.

Crise em “V”

A CNC avalia que, apesar do “grave quadro conjuntural” envolvendo o setor no segundo trimestre, o ritmo de recuperação das vendas tem surpreendido, dado o menor índice de isolamento social, a expansão do varejo eletrônico (+43% no volume de vendas e +117% no número de transações ante o segundo trimestre de 2019), os programas de suporte às empresas e o auxílio emergencial.

“Superada a fase mais aguda da queda no nível de atividade, a chamada recuperação em ‘V’ do volume de vendas do setor deverá se consolidar já no início do segundo semestre. Em junho, o índice de vendas com ajuste sazonal divulgado pelo IBGE encontrava-se 4,5% da média do primeiro bimestre. (…) Contudo, a mudança de hábitos do consumidor ao longo da pandemia tende a promover expansões menos intensas no número de lojas físicas”, ponderou a entidade.

Para 2020, a CNC projeta recuo de 6,9% no volume de vendas do varejo. Dado o cenário e a defasagem entre o crescimento das vendas e a abertura de novos pontos de venda no varejo nacional, a expectativa da entidade é que, o varejo brasileiro chegue ao final do ano com 1,252 milhão de estabelecimentos – 88,7 mil a menos, na comparação com o final de 2019.

“Não sei dizer se ainda teremos mais empresas fechadas, mas acredito que nossa queda de vendas será menor, entre 5% e 5,5%. O Amazonas, por exemplo, conseguiu aumentar sua arrecadação, mesmo na crise. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio aumentou e o auxilio emergencial vem ajudando a injetar recursos no setor. Torcemos por um desfecho mais favorável e buscamos medidas de alívio nos encargos, junto ao governo estadual, para podermos respirar melhor”, concluiu Aderson Frota.

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