Os traços do ofício de ser critico com desenhos

Hoje, 15, é o Dia do Desenhista, uma justa homenagem a um dos maiores gênios da arte, Leonardo da Vinci, que nasceu a 15 de abril de 1452, na cidade de Vinci, na Itália. Agora a homenagem se estende a todos aqueles que com qualquer peça que deixe traços os transforme em desenhos, sejam eles charges, cartuns ou ilustrações.

“Me considero chargista, cartunista e ilustrador, pois devido a experiência em alguns meios de comunicação impressas exerci todos esses trabalhos”, falou Elvis Braga, criador das ilustrações da caixa onde estava acondicionada a edição especial do JC do aniversário de Manaus do ano passado.

Elvis trabalha com arte há mais de 20 anos, tendo começado profissionalmente no jornal Diário do Amazonas. Depois passou para o Correio Amazonense, O Repórter e Amazonas EmTempo, onde atuou por dez anos.

“Gosto de desenhar todos os temas, principalmente as charges onde posso unir a crítica e o humor”, disse.

“Comecei os primeiros esboços com lápis 2b e 6b aos onze anos. Nos primeiros trabalhos, nas redações, usava nanquim para fazer arte final e lápis aquarela para colorir. Hoje, com a tecnologia, uso mesa digital. Mas ainda utilizo muito as técnicas artesanais para algumas ilustrações”, informou.

Elvis já ilustrou livros, revistas, cartilhas. No momento publica suas charges nos sites Humor Político e  Chargeonline. Ele garantiu que tem arquivados boa parte de seus trabalhos.

Para quem está começando, ainda rabiscando o papel, o desenhista ensinou.  

“Praticar sempre e ter paciência com os primeiros traços. No início nem tudo vai ficar perfeito. Com a persistência e tempo você vai adquirir segurança e firmeza na arte de desenhar”.

Em breve Elvis pretende publicar algumas aulas em suas redes sociais.

Miranda como inspiração

“Sou chargista, porque no trabalho diário que publico em A Crítica, faço charges. Sou cartunista, embora não esteja publicando regularmente, pois o cartum é uma modalidade de desenho de humor que não está, necessariamente, vinculado a eventos atuais. Sou ilustrador, pois trabalho com ilustrações para vários mercados, incluindo capas de livros, ilustrações internas, ilustrações de matérias especiais para revistas e outras publicações. E por fim sou desenhista, pois em todos essas modalidades, o desenho é a ferramenta ou o meio de comunicação principal”, detalhou Carlos Augusto Myrria, ou simplesmente Myrria.

Coincidentemente, Myrria começou fazendo charges para o Jornal do Commercio, em 1981. Também foi no JC que o desenhista viu pela primeira vez uma matéria sobre suas charges, o que volta a acontecer hoje.

“Depois do JC trabalhei no mercado publicitário e, em 1995, comecei em A Crítica, onde permaneço até hoje. No dia 2 de maio completo 25 anos no jornal, onde iniciei como ilustrador e passei a chargista, com a difícil tarefa de substituir Miranda, que havia falecido”, contou.

Miranda fez charges diárias, durante décadas, para o jornal A Crítica se consolidando como um ícone nessa arte, no Amazonas.

Myrria começou a desenhar ainda tão criança, que nem lembra quando foi.

“Meus irmãos mais velhos contam histórias de desenhos que eu fazia quando era bem pequeno e meu avô levava para mostrar aos colegas de trabalho. Mas eu mesmo não lembro. Lembro que não era fácil conseguir papel ou cadernos para desenhar. Então eu guardava os papéis de embrulhar pão (era assim que o pão era comercializado na época) e os sacos de papel nos quais vinham embrulhadas as compras, e os usava para desenhar”, revelou.

As charges através dos tempos

Depois que saiu do JC, durante algum tempo Myrria fez charges para A Notícia, outro importante matutino da cidade. Mais alguns anos e ele já estava no Diário do Amazonas onde, além de chargista, acumulou a função de chefe do setor de publicidade.

“Cada um desses veículos foi uma escola e onde pude acompanhar as grandes mudanças das tecnologias do mercado gráfico. No JC e A Notícia era o tempo do ‘linotipo’, quando os desenhos só podiam ser elaborados em traços e eram gravados em chapas de auto-relevo. Também era o tempo do regime militar e havia muita censura nas redações”, lembrou.

“No Diário do Amazonas já era o tempo do off-set, onde os desenhos eram transformados em negativos fotográficos e havia a possibilidade de se usar mais recursos como sombreamento e tons de cinza. Mas tudo era em preto e branco. Estávamos na abertura política e havia muita concorrência entre os jornais locais”, completou.

“Quando cheguei a A Crítica era o início da informatização e acompanhei a passagem da impressão em preto e branco para a colorida. Havia muita liberdade de expressão e a grande fatia de mercado que o jornal possuía levava meus desenhos a um número muito maior de leitores”, revelou.

Após a globalização das comunicações e a internet, na década de 1990, os trabalhos de Myrria não tiveram mais fronteiras.

“Hoje recebo feedback e manifestações de leitores de todos os lugares do Brasil e até do exterior”, comemorou.

“Nunca fiz lives sobre desenhos, mas gostei da ideia. Vou estudar a possibilidade de fazê-las”, adiantou.

Para quem sonha em ser chargista, Myrria aconselhou.

“Sem deixar seu brilhantismo, seja humilde. Somente assim você vai mais longe. Mas saiba que esse mercado é muito seletivo e disponibiliza poucas vagas. Então, seja humilde, mas seja o melhor”, finalizou.

Fonte: Evaldo Ferreira

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