19 de abril de 2021

Os super-manauaras e suas incríveis histórias

Ser um campeão dentro de um octógono. Ter a capacidade de nadar longas distâncias em um dos maiores rios de água doce do mundo. Ser um gênio da matemática. Enfrentar uma doença mortal. Donos de dons especiais, os super-manauaras existem e estão entre nós. Saiba quem são eles.

Aos 40 anos, o lutador de artes marciais mistas, Bibiano Fernandes exibe o fôlego de um garoto. Não é por acaso que ele segue como campeão absoluto do peso-galo do OneChampionship, a maior organização de MMA voltada ao mercado asiático. Para chegar ao topo do mundo, este manauara criado no bairro Alvorada, na Zona Leste de Manaus, teve que lutar e muito. O primeiro combate foi contra pobreza.

“Minha história começa ali em 1994, 1995, quando eu comecei a fazer jiu-jitsu. Eu não tinha uma boa condição financeira, mas eu gostei do esporte. Eu lembro que uma senhora pagou minha mensalidade por dois meses na academia e depois não tinha mais dinheiro. Eu falei para professor: ‘Mestre, não tenho mais dinheiro para treinar mais. Ele falou ‘Não esquenta, vai treinando aí. Quando acabar o treino tu fecha e limpa a academia. Eu fiz isso durante três anos. Eu me foquei em ser um lutador profissional. Hoje sou um profissional do esporte. Hoje graças a Deus a gente conseguiu evoluir bastante no esporte e conseguimos levar o nome de Manaus para o mundo”, comemora. 

O bairro Alvorada ficou pequeno para Bibiano, que partiu para combates no Japão, China, Estados Unidos entre outros países. O primeiro convite para lutar no Japão surgiu há 17 anos. “Me convidaram para fazer um evento internacional em 2003. Minha primeira viagem internacional foi para o Japão. Fui assistir o Pride (extinto torneio de MMA da Terra do Sol Nascente) e gostei das lutas. Voltei para Manaus, mas comecei a receber convites para lutar no exterior”, revela.

O primeiro título foi conquistado no MMA foi Dream Championship. Com o fim da organização, Bibiano migrou para o OneChampionship, para se tornar uma verdadeira celebridade do mundo da luta. Tudo isso sem jamais esquecer de onde veio. “Jamais vou renegar minhas origens, de onde saí. É quem eu sou. É o Bibiano, humilde, respeitador, mas muito batalhador, sempre com vontade de vencer”, diz o lutador que ressalta o que Manaus representa para ele. “Representa a natureza, a floresta, eu tenho orgulho de representar a floresta amazônica, que está dentro do meu sangue, dentro do meu DNA. Para mim isso é um orgulho. É um orgulho representar, a nós, os manauaras”, pontua.

Senhor das águas

Saindo do mundo da luta para o reino das águas. Aos 23 anos, o ultramaratonista aquático Vitor Gadelha é o único manauara a ter nadado da praia do Tupé até a praia da Ponta Negra, percorrendo a distância de 18 quilômetros, e também é o único a nadar da praia do Açutuba a Ponta Negra, no percurso de 30 quilômetros.    

“Para mim é uma grande honra ter feito essas duas provas. Não só essas, mas também as provas menores, como a Almirante Tamandaré (a travessia do Rio Negro). Fico muito feliz de ter sido o primeiro e até hoje o único manauara a ter feito e eu acredito que o melhor de tudo é estar podendo difundir as maratonas aquáticas, aqui em Manaus. Muita gente tem medo do rio Negro, então, fazendo isso, a gente consegue incentivar as pessoas a irem nadar, mesmo que na orla da Ponta Negra. Pra mim é muito gratificante está fazendo parte dessa história em Manaus”, diz Vitor.      

Enfrentou a morte

Há nove anos, Leandro Moraes Duarte, de 36 anos, enfrentou a morte de frente, quando foi diagnosticado com leucemia. “Eu sentia muitas dores nas pernas, fraqueza, tontura, até senti uma dor muito forte no baço”, conta. Depois de ser submetido a uma série de exames, Leandro recebeu o diagnóstico de leucemia.

“No início parecia até brincadeira. Minha esposa, Kelly Anne, 36, que é o meu anjo da guarda, ela tomou à frente porque eu não tinha condições de fazer exames. Conseguimos muita coisa através de outras pessoas. Mas quando ela chegou com o diagnóstico, eu disse: ‘Meu amor, quando a gente entra no ringue é pra lutar e eu vou lutar pra vencer’. Quando me deparei com a realidade vi que seria bem mais difícil. Mas eu lutei, mesmo com muita dor, com fé e esperança até que consegui receber o transplante”. A medula óssea, Leandro recebeu da irmã Maria Lúcia Moraes. “Fiz o transplante em Jaú, no interior de São Paulo”, relembra.

Vida nova em todos os sentidos, até quando o assunto foi tomar todas as vacinas como se fosse uma criança. “A imunidade da gente fica muito baixa e é preciso até tomar novamente vacinas que tomei quando criança”, explica.

Gênio da matemática

Daniel Bastos Amaral, de 14 anos, se tornou um super manauara a conquistar uma medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). “Quero poder usar essa paixão pela matemática para poder crescer em todas as áreas. Quero crescer mais e mais e surpreender os outros com mais conquistas”, sentencia.

Leandro Moraes 

Do diagnóstico de leucemia até o transplante realizado no interior de São Paulo, Leandro Moraes Duarte cumpriu uma dura jornada de 1 ano e meio. Hoje, curado, o pedagogo atua também como promotor do programa “Troco Solidário”, promovido pela fundação Sangue Nativo, e que tem a função de ajudar a arrecadar fundos para as pessoas, que estão em tratamento na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), vítimas de doenças do sangue.

Vitor Gadelha

Ultramaratonista manauara Vitor Gadelha conta que começou a praticar natação aos cinco anos de idade, com o pai, Pierre Gadelha.  Apesar de ter começado a nadar cedo, foi só aos 11 anos que ele começou a levar a sério o esporte. Hoje, Vitor é o único ultramaratonista de Manaus a realizar os desafios dos 18 e 30k. Além das provas no rio Negro, o nadador já disputou provas na Itália e na Grécia. Ao todo, em distâncias oficiais, ele nadou 207 quilômetros, só em provas acima de 15k.

Bibiano Fernandes

Para se manter no topo do MMA, Bibiano Fernandes conta que treina todos os dias e tem uma equipe multidisciplinar com preparador físico, nutricionista entre outros profissionais. “Eu tenho meu time que está sempre me ajudando”. O campeão de MMA, hoje, mora no Canadá, mas sempre que pode, visita a capital amazonense. “Eu gosto de estar todo ano aí em Manaus.  Se não estivesse nessa pandemia causada pelo novo coronavírus eu estaria aí”, pontua o lutador.       

Daniel Bastos 

Daniel Bastos Amaral, de 14 anos, levou ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). A mãe dele, Keithyane Lúcia Bastos, 33, fala com orgulho dos feitos do rebento. “Desde pequeno o Daniel sempre teve essa curiosidade de aprender. Quando ele era pequeno ele falava dos dinossauros, dos planetas, e ele foi se descobrindo. Ele sempre foi uma criança muito rápida nos cálculos. Em 2018 ele foi menção honrosa OBMEP. No ano seguinte ele conquistou a medalha de ouro”, explica.

Regi 

Não basta ser um super-manauara. É preciso também dar vida aos super-heróis da terra. Foi assim que o cartunista Reginaldo Moreira do Monte, de 40 anos, o Regi, deu vida a um herói legitimamente manauara: o Farinha Power.  “Eu resolvi fazer um super herói amazonense. Ele é um carinha que tem dificuldades como qualquer pessoa. Ele é um cara que cansou de ser passado para trás, cansou de ser assaltado, e sofrer bullying. Só que ele é meio leso, mas é gente boa”, brinca. 

Reportagem de Leanderson Lima

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