Os simbolismos da renúncia de Sergio Moro

No início do Governo Bolsonaro, que havia dois pilares principais a lhe dar sustentação: Sergio Moro simbolizando o combate à corrupção e a força da Lava Jato e Paulo Guedes no âmbito do liberalismo econômico. Um desses alicerces ruiu, com o pedido de demissão de Moro.

Há quem diga que Moro saiu atirando. Não foram tiros. Política e simbolicamente, foi disparado um míssil teleguiado na direção da presidência da república. O ex-juíz e, hoje, ex-ministro, lembrou de sua entrada no governo com o compromisso de focar ações no combate à corrupção, ao crime organizado e ao crime violento. Mais do que isso, Moro destacou que, segundo as conversas com Bolsonaro, gozaria de carta branca para nomear e fazer a gestão de sua equipe.

Com vistas à reeleição em 2022, Bolsonaro e os bolsonaristas já temiam ter em Moro um fortíssimo adversário. Na lógica bolsonarista, o “presidencialismo de coalizão” foi substituído pelo presidencialismo de confrontação. Para manter seus apoiadores, nas redes e nas ruas, o bolsonarismo confrontou inimigos reais e imaginários, internos e externos, no campo oposto do espectro político e, também, até os próprios aliados e, ainda, ataques cotidianos à imprensa.

Convocação para atos contra o STF e o Congresso Nacional, divulgação de fake news, ataques ao Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tudo isso, junto, agora, voltará para aqueles que dispararam. Bolsonaro resolveu conquistar apoio parlamentar. E onde? Justamente, no Centrão, com figuras como, por exemplo, Roberto Jeferson.

Negociar cargos para obter apoio político e, pior, querer mexer na estrutura da Polícia Federal foi, para Moro, o ato final de uma relação há tempos insustentável. O pronunciamento de Moro foi duríssimo.

Nunca é demais lembrar que Moro teve embate com Lula, uma das maiores expressões políticas do Brasil, levando o petista à condenação e prisão.

Os atores políticos, no Congresso Nacional, e fora dele; lideranças no bojo da sociedade e os formadores de opinião, já começam a questionar se, com a pandemia, seria melhor ou não iniciar um processo de impeachment. A resposta está no entendimento se a presença de Bolsonaro é um fator de liderança e segurança ou de tensão e insegurança política com graves consequências ao país.

Fonte: Redação

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