Uma demonstração de cultura que estava tão em voga há uma centena de anos, retorna com pequenas modificações atualmente. O que servia para preencher os começos de noite nos tempos antes da popularização da televisão e posteriormente da internet e das múltiplas atividades noturnas, havia desaparecido durante algumas décadas. 

Alguns encontros aconteciam em suntuosos salões. Contudo, a maior parte deles acontecia na residência de algum dos entusiastas. Havia apresentação de poemas ou a leitura de algum escrito. Também proliferaram clubes de livro, quer para a leitura e debates em grupo, quer simplesmente para troca temporária de livros. Funcionava como uma biblioteca entre amigos.

Muito mais tarde, em Manaus aconteciam encontros promovidos pelo escritor Armando  Menezes que reunia escritores, poetas ou simplesmente amantes da literatura. Com a morte dele, em 2017, as pessoas continuaram com os encontros, com uma parada por conta da Pandemia do Corona-vírus que assolou o mundo todo. Timidamente, como outras atividades, esta também retorna.

Paralelamente a isso, a Associação Brasileira de Poetas e Escritores Pan-americanos (ABEPPA)  que promovia encontros desde 2015, normatizou estes, dando-lhes o nome de Patologia Cultural, uma referência também a doença que atingiu o mundo, mas que os poetas tentam superar com poesia, voltando ao romantismo que não querem deixar esmorecer. A apresentação destes poetas acontece uma vez por mês com um número limitado de inscritos. Um modo semelhante acontecia em São Paulo promovido pela Cooperativa dos Poetas da Periferia (COPERIFA) que era muito concorrido e deve voltar a acontecer. A “desativação” desses encontros não os destruiu, embora, infelizmente, não retornem com todos seus membros.

O modelo adotado pela Patologia exige que os trabalhos sejam autorais, no entanto as apresentações são entremeadas por músicas que não precisam obedecer esse critério. Contudo, a criatividade é estimulada porque todos querem expor uma poesia nova. Assim como de poetas conhecidos, nem todos os trabalhos são excelentes, mas existem surpresas muito agradáveis. Afora a permanente homenagem a Armando Menezes, não existe distinção nem favoritismo entre os que se apresentam. Alguns, no início apresentam trabalhos tímidos, típicos de marinheiros de primeira viagem, mas com a orientação de colegas, vão melhorando gradativamente, elevando o nível da literatura regional que é um dos objetivos da ABEPPA. Outro objetivo é aproximar o escritor do leitor, mostrando que o escritor é do meio popular e é com o povo e o modo de vida deles, e seu, que ele busca sua “matéria prima” para escrever.

A concorrência com a internet não torna os escritores “obsoletos”, segundo acredita o escritor Paulo Queiroz, fundador da ABEPPA e organizador de movimentos culturais. A bela escrita também faz falta nas mídias sociais e sempre será necessária. Embora estudantes de todos os cursos usem simplesmente a cópia no computador, muitos leem o que pesquisam e enriquecem culturalmente com isso. O escritor não quer ser lido por obrigação, mas com prazer. Por isso a escrita deve ser cada vez mais esmerada.

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