Os países + seguros contra riscos naturais

O artigo apresenta os países mais seguros contra desastres naturais, a partir do World Risk Index.

O Brasil tem sido alvo de críticas internacionais por conta de diversos problemas ambientais, valendo refletir sobre alguns fatos:

a) alguns exemplos recentes de desastres ambientais: vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara (RJ) em 2000; vazamento de 4 milhões de óleo cru nos Rios Barigui e Iguaçu (Paraná) em 2000; chuvas na região serrana do RJ (2011) com deslizamentos e enxurradas que ceifaram 800 vidas; incêndio na Ultracargo (Porto de Santos) em 2015 sendo considerado na época o 2º maior do mundo; rompimento da barragem de Mariana (MG) em 2015 afetando 600 famílias e 1469 hectares de vegetação; rompimento da barragem de Brumadinho (MG) em 2019 ocasionando pelo menos 241 vítimas e a devastação de 134 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica e 71 hectares de Áreas de preservação permanente; aumento das queimadas e desmatamentos na Amazônia no ano de 2019 com a destruição criminosa de mais de 44 Km quadrados, dizimando a vida de milhares de insetos, animais e árvores, afetando a vida de centenas de indígenas e caboclos que vivem próximo a essas regiões; incêndio Museu Nacional que destruiu parte preciosa de nossa história; vazamento de óleo no litoral do Nordeste que já afetou a vida marinha e da população que vive em 15 praias da região;

b) nosso planejamento governamental é fraco. Segundo o Perfil dos Municípios Brasileiros (IBGE 2017), dos 5570 municípios do Brasil, mais da metade (59,4%) não tinham instrumentos de planejamento e gerenciamento de riscos em 2017. Apenas 1/4 tinham Plano Diretor contemplando a prevenção de enxurradas e enchentes, enquanto que 23% declararam ter lei e uso do solo prevendo essas situações. Segundo o estudo, a proporção de municípios afetados por desastres naturais é mais alta em zonas urbanas, por conta da construção de moradias, rodovias e outras obras que interferem na drenagem da água das chuvas e nos processos erosivos;

c) as partes envolvidas demoram muito a assumir as responsabilidades, sem contar que a impunidade é alta: nos exemplos acima, se repete o fato de governos e empresas envolvidas terem ignorado a situação ou classificado como meros acidentes, episódios que não poderiam ter sido previstos/evitados, contrariando laudos e notas técnicas, bem como investigações dos órgãos responsáveis. Vale lembrar também casos de retaliação contra os profissionais que atuam de forma séria e apontam os problemas. O aumento das queimadas na Amazônia e o vazamento de óleo no Nordeste são latentes, em que o Presidente e Ministros minimizam e tentam jogar a culpa para as ONGs, demitindo sumariamente o Diretor do INPE, Dr. Ricardo Galvão;

d) o Brasil tem sido ineficiente para lidar com as tragédias há décadas. O Banco Mundial realizou um estudo entre 1995 e 2014 que apontou que o Brasil perde R$ 800 milhões por ano por não conseguir dar uma resposta adequada aos desastres naturais;

e) além da ineficiência quanto a reconhecer o problema e corrigi-lo, ainda há outro ponto importante que é a prevenção com metodologias inovadoras para tornar a nação preparada para mapear os riscos e enfrentar os problemas ambientais. 

Sabe-se que problemas ambientais (sejam naturais ou por ação direta do homem) acontecem em todos os países e cidades, porém há países e cidades que estão anos luz em termos de preparação para enfrentar esses sinistros e prevenir que eles não ocorram.  

Neste sentido, recomenda-se aos gestores públicos, pesquisadores e demais leitores, o estudo do WorldRiskReport (WRR), uma publicação anual da Universidade das Nações Unidas que analisa a capacidade de 171 países em usar recursos financeiros e infraestrutura para enfrentar eventos recorrentes naturais, bem como adotar estratégias adaptativas para reduzir os impactos desses eventos ao longo do tempo.

Para o WRR, o conceito de Risco não está apenas calcado na probabilidade de um evento natural acontecer, nem no seu grau de severidade, mas considera sabiamente as condições de vida dos seres humanos, bem como o status do desenvolvimento da sociedade. Para eles, a prevenção e a habilidade de reagir, ajudar rapidamente, determina se um evento extremo natural se torna um desastre.

O WRR calcula o risco de cada país com base nos seguintes componentes: 

a) Exposição: exposição do país a eventos naturais tais como terremoto, furação, tempestades, enchentes, aumento do nível do mar, etc

b) Vulnerabilidade: variável focada na infraestrutura, nutrição, condições de vida e circunstâncias econômicas;

c) Capacidade de enfrentamento: variável dependente do governo, preparação e medidas para anunciar previamente o perigo, acesso aos cuidados de saúde, segurança e bem estar social;

d) Capacidade de adaptação: voltado para adaptar a a nação para reduzir os impactos negativos dos eventos naturais ocasionados pelas mudanças climáticas. Neste sentido, observam o planejamento de longo prazo criado para preparar e mudar a sociedade;

e) Suscetibilidade: probabilidade de sofrer danos no evento do desastre.

O que é interessante nesta metodologia é que o componente Exposição está ligado a esfera natural, enquanto os demais na esfera da sociedade. O grau de Vulnerabilidade é a soma da capacidade de enfrentamento, adaptação e suscetibilidade.

O WWR a cada ano prioriza um tema, é um relatório de alto nível profissional, sendo apresentado anualmente no Fórum Econômico Mundial. 

Para encontrar os dez países mais seguros, o WWR2017 será utilizado por conta do relatório fazer uma análise de 5 anos (2012 a 2016). Devido a limitação de espaço, será focado apenas na apresentação dos seguintes resultados:

R1) os dez países com maior risco de sofrer com os eventos naturais são: 1º) Vanuatu; 2º) Tonga; 3º) Filipinas; 4º) Guatemala; 5º) Bangladesh; 6º) Ilhas Salomão; 7º) Costa Rica; 8º) Camboja; 9º) El Salvador e 10º) Timor Leste;

R2) os dez países mais seguros, com menor risco de sofrer com os eventos naturais são: 171º) Catar; 170º) Malta; 169º) Arábia Saudita; 168º) Barbados; 167º) Granada; 166º) Islândia; 165º) Kiribati; 164º) Barém; 163º) Emirados Árabes e 162º) Suécia.

R3) Entre os 171 países, o Brasil ficou no 122º lugar.

Finalmente, que tal o leitor estudar os planos de longo prazo do governo do Brasil, do governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus para tornar a nação, o estado e o município, regiões exemplares no enfrentamento dos problemas naturais? Se não achou, então que tal começar a cobrar dos candidatos a Prefeito em 2020?

*Jonas Gomes da Silva é professor do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – [email protected]

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