Os novos pecados capitais

A primeira e última vez que a Igreja Católica editou os “Sete Pecados Capitais” (gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça) foi no século 12 e em pleno século 21 num momento de crise moral ela volta a editar seus novos “Pecados Capitais” – modernos(?): poluição ambiental; manipulação genética; acumulação de riqueza excessiva; geração de pobreza; consumo e tráfico de drogas; experimentos moralmente discutíveis; e violação de direitos fundamentais da natureza humana. Tal decisão baseou-se no fato da banalização de tais “hábitos” e não “pecados” numa era de “globalização desenfreada” – no meu entendimento. O mais intrigante nisto tudo é a impressão que tenho de que a própria Igreja Católica, além de outras, estão incluídas na prática de pelo menos dois destes novos pecados. Não vou aqui mencioná-los.
Outra questão intrigante é o caráter da “prática da confissão” em relação aos novos “pecados”. Seriam eles todos confessáveis? Seriam eles de responsabilidade exclusiva do cidadão, da sociedade como um todo ou de ambos? Eis apenas o início da questão. Fica então a pergunta: Será que houve precipitação por parte da Igreja Católica ou de fato não são estes os novos pecados capitais? Vale ressaltar que os primeiros “Pecados Capitais” tinham cunho moral-espiritual, enquanto os “modernos” apresentam caráter material-capitalista. Por exemplo, por que a Igreja Católica não incluiu a pedofilia como um destes pecados? Será mera coincidência ante a crise moral atual?
Por que não são 70 os pecados em vez de 14? Existem tantos da própria natureza humana! Afinal, tudo o que é contrário a Deus é pecado em sua essência.
Há quem diga que o papa e os líderes de qualquer outra religião são “corruptores de consciências”, que acabam imputando seus dogmas, contra raciocínios críticos e individuais, além de científicos e racionais. É bom reafirmar muitas manifestações das sociedades contemporâneas no que concerne às idéias religiosas retrógadas, mentirosas e cheias de contradições, que se impõem como verdades(?) absolutas. Por exemplo, destruir o meio-ambiente é pecado? E não foi o que a Igreja Católica fez ao longo dos séculos, apoiando campanhas e mais campanhas de colonização e ocupação territorial, com devastações e tudo o mais?!
Outro tema recorrente e inevitável para o futuro da humanidade é a manipulação de células-tronco, que nenhuma igreja ou religião irá impedir que a ciência trate este e outros temas dentro de sua própria ética.
Em verdade todos os pecados, capitais ou não, foram e serão sempre editados na forma de “sepulcros caiados”, como disse Jesus: “… por fora beleza e brancura, por dentro a podridão”. Não há ser terreno capaz de condenar ou salvar.

Há pecados e pecados
Embora os pecados editados no século 12 tenham imposto sofrimentos inúteis à humanidade, isto vem mudando ao longo do tempo, pois muitos deles já se tornaram obsoletos e sucateados. Segundo especialistas, dentre os antigos pecados capitais o mais atual é a “inveja”. “Corrói como um câncer” – está dito na Bíblia.
“A “inveja” é um pecado inconfessável, ao contrário da “preguiça”, por exemplo, que tem um certo charme. O único processo de cura é admitir que se trata de um sentimento humano” (Zuenir Ventura: in “O mal secreto”). “É o excesso de amor aos bens materiais. O avaro dorme pensando em tirar do outro. Nos dias atuais, o neoliberalismo é avaro quando prega o lucro acima de tudo. É a avareza em estado exacerbado” (Carlos Heitor Cony: in “Os sete pecados capitais”). Para Luis Fernando Veríssimo a gula não é mais um vício, considerando a quantidade e a qualidade de publicações que cultuam a gastronomia como uma divindade: “… ela é a mãe de todos os pecados … foi por gula que Eva comeu o fruto da árvore da sabedoria e provocou a expulsão do casal do Paraíso, onde não havia pecado?”. Então a obesidade, por exemplo, é que se tornou o maior dos pecados?! “O gordo só é perdoado se for engraçado. O problema é que nem todo gordo tem uma histó

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