Os evangélicos e a democracia

O presidente Jair Bolsonaro elegeu-se em 2018 com amplo apoio dos evangélicos, esboçando teses conservadoras, que receberam o amplo apoio de lideranças do setor. Hoje ele diz que próxima vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal será de alguém “terrivelmente evangélico”. 

Estamos diante de evangélicos bem diferentes daquilo que eles foram quando começaram a chegar ao Brasil no início do século 19, justamente no momento em que o país estava se tornando independente. 

A Constituição do Império fazia do catolicismo a religião oficial de Estado. Foi intensa a luta dos evangélicos no Brasil, que tinha o catolicismo como religião de Estado, para afirmar as suas convicções de fé. Em tal processo, funcionando como associações voluntárias, as Igrejas protestantes encontraram na difusão de escolas, hospitais e práticas de leitura em todo o Brasil eficazes instrumentos de legitimação junto às populações mais pobres e também a alguns setores da elite letrada.

Quando a independência do Brasil completou 100 anos, em setembro de 1922, o reverendo H. C. Tucker, Secretário da Agência Brasileira da Sociedade Bíblica Americana, publicou sob o formato de opúsculo o trabalho A Bíblia no Brasil durante o século da independência nacional.

O texto relata o esforço feito pelos evangélicos norte-americanos em território brasileiro para distribuir volumes da Bíblia e do Novo Testamento traduzidos em Língua Portuguesa, ensinando concomitantemente a leitura e a escrita a diversos grupos de brasileiros.

O discurso, do ponto de vista ideológico e das posições políticas à época defendidas, é bem distinto das posições que assumem atualmente os evangélicos aliados do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. 

A defesa de valores democráticos e de garantia das liberdades individuais foi marca distintiva dos evangélicos no Brasil oitocentista e da primeira metade do século 20. Era assim que eles faziam frente à resistência de atuação no país, organizada contra os protestantes pelas autoridades da Igreja Católica.

Confirmando o seu caráter “iluminista”, as igrejas protestantes e as sociedades bíblicas americana e inglesa distribuíram muitos volumes da Bíblia, do Novo Testamento e de outros impressos e difundiram as pedagogias norte-americana e alemã entre nós.

Agora, nos aproximamos das celebrações do bicentenário da Independência do Brasil, inquietos com uma renitente interrogação: com quais protestantes a Educação brasileira está convivendo?

Foto/Destaque: Divulgação

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