8 de maio de 2021

Os desafios da educação no Amazonas

JOSÉ FERNANDO PEREIRA DA SILVA
Assessor Econômico
[email protected] 

A demora no processo da vacina contra Covid-19 pelo mundo é o grande desafio para uma retomada econômica mais acelerada. Entrementes, em nosso País, a estimativa é de que vivamos um primeiro trimestre de contração da atividade, especialmente, no setor mais afetado pela pandemia, o de serviços, que representa 63% do PIB. Ressaltamos a importância do setor de serviços, que deverá perpassar por uma plena recuperação da economia brasileira, que já sofre de problemas estruturais, que se arrastam por anos, se não forem superados não alçará voo.

De outra forma, em nosso estado do Amazonas, um dos maiores entraves ao nosso desenvolvimento sustentável, podemos assim dizer nos fundamentos socioeconômicos, reside na programação do nosso ensino em seus três níveis, principalmente do nível superior, se compararmos com o exame das complexas questões relacionadas com a demanda de pessoal qualificado, em função das novas metas do desenvolvimento da nossa Região baseadas em um amplo esforço no desenvolvimento de pesquisas e desenvolvimento tecnológico (bioeconomia, indústria 4.0, tecnologias emergentes na reinvenção digital).

Em recente pesquisa rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente (R$), segundo as Unidades da Federação – 2020, o Amazonas só ficou à frente dos estados do Maranhão e Alagoas.

Diante desse frustrante cenário, esboçamos algumas posições típicas, que nos permitirão, em nosso entendimento, correlacionar fatos de certas regiões em desenvolvimento à evolução cultural e técnica. Buscamos formulá-las, com base na observação de vários estudiosos das ciências sociais, em particular pedagogos, sociólogos e economistas de modo conceituar as relações entre a economia e a cultura, dentro do complexo quadro de transformações sociais, que acompanham o processo de superação do subdesenvolvimento.

Essa preocupação é recorrente em nosso Estado, em recente diagnóstico realizado, setores tradicionais de nossa economia revelaram baixa produtividade média no trabalho, traduzida em ínfima renda per capta, reduzido ferramental de trabalho, denunciado pela exiguidade do capital por trabalho ocupado, baixo nível de vida.

Ao lado disso, estão presentes a subutilização da mão de obra e a condição excedentária do fator humano.

Como corolário dessa desproporção na oferta de fatores, gera-se o clima de afrouxamento da disciplina do trabalho, das tolerâncias na administração pública e privada, de privilégios, nepotismo e discriminações na legislação e na cobrança de responsabilidades, de complacência nos costumes políticos e desestímulos no esforço pelo aumento da produtividade social.

Talvez aí se explique o elevado grau de dependência econômica e cultural de nosso Estado em relação a outras regiões.

Tornou-se comum em nosso meio, aceitarmos tacitamente soluções “técnicas” provindas de fora sem o mínimo de conhecimento ambiental e não raro desmerecendo valores locais. O maior exemplo desta assertiva são os inúmeros planos, programas encomendados, que hoje ornamentam as prateleiras.

Não faz muito tempo, participei de um debate sobre o Processo de Desenvolvimento do Amazonas, lá estavam vários estudantes universitários, curiosamente indaguei-os sobre as obras de dois amazonenses ilustres pensadores da nossa região, o professor Samuel Benchimol e o cientista Djalma Batista, e para minha surpresa, o desconhecimento dos acadêmicos era total. Diante disso, vem a pergunta. Qual será o nosso futuro se nossos estudantes desconhecem nossa Região?

Por outro lado, aproxima-se o período dos grandes debates eleitorais, provavelmente, a necessidade da evolução econômica de nosso Estado será o tema principal, baseado nas duas funções primordiais, SAÚDE e EDUCAÇÃO. Com certeza ninguém se elegerá defendendo as teses dos dois ilustres amazonenses. Todavia, se eleitos, jamais dignificarão o parlamento se não se utilizarem dos mecanismos cinzelados pelos dois Grandes Mestres.

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