O estudo da política tem como objeto o entendimento da relação entre governantes e governados, entre aqueles que mandam e os que obedecem. Esta reflexão é feita há milênios pelas mais diferentes civilizações e grupos humanos.

Todavia, é na Grécia Antiga que o pensar sobre a política ganha a importância merecida, e desde então nunca mais deixa de ser o centro das meditações sobre a civilização, o poder, os reis e os povos

Se Sócrates é considerado por muitos – inclusive por mim – o patrono da Filosofia, ele mesmo foi o formulador do grande dilema moral sobre a política: afinal, o que é uma sociedade justa?

Este é o grande ponto de meditação do pensamento político Ocidental, pois uma sociedade justa, para alguns, por representar um caos social, para outros. Para evitar os erros oriundos do relativismo moral e das ideologias salvacionistas de plantão, o debate político tem debatido muito a esse respeito.

Platão e Aristóteles foram os maiores artífices filosóficos da Antiguidade e colocaram a reflexão sobre a política num patamar superior em suas preocupações. Platão entendeu a política como um poder hierárquico de organização da pólis, onde a autoridade legítima estaria depositada no Rei-Filósofo. Aristóteles, por sua vez, é adepto da cultura cívica, quer dizer, de uma legitimação cívica do poder centrada na educação dos cidadãos da pólis.

Cícero abriu as portas da Retórica e do Direito no pensamento político, contribuindo para a consolidação do ideal sofista do debate parlamentar, para o livre exercício da argumentação como forma de consentimento.

Da Patrística cristã até os fins da Idade Média, S. Agostinho e S. Tomás de Aquino destacam-se por pensarem a relação entre o poder temporal, e o poder supra-histórico, atemporal, eterno e divino. Afinal, conforme ensinamento dos Evangelhos, “dai a Cesar, o que é de Cesar…”.

No auge do Renascimento, Maquiavel revoluciona a teoria política ao marcar a diferença entre o poder político e a moral. A laicização das relações políticas tornou-se um dogma, uma necessidade histórica que colocou o Estado na condição de guardião da ordem e da segurança dos seus cidadãos/súditos. Os fins passaram a justificar os meios na doutrina do maquiavelismo.

Os contratualistas (Hobbes, Locke, Rousseau, Hume e Kant) pensam a política como um contrato entre um estado ancestral e o estado presente, entre a vida na natureza e a vida cívica. As doutrinas do contrato social dão as bases do constitucionalismo e da democracia, do liberalismo e do republicanismo.

Montesquieu, Mill, Burke e Tocqueville evidenciam todas as vantagens de uma sociedade pautada nos preceitos da liberdade, onde a separação dos poderes, os direitos individuais e coletivos, as formas democráticas de participação, e a liberdade e igualdade tornam-se imperativos importantes para a vida em sociedade.

Os conflitos oriundos da sociedade industrial e da expansão da economia de mercado produziram uma reflexão crítica a respeito dos rumos conflitivos da ordem política de então. Românticos, anarquistas, nacional-socialistas e marxistas surgem como paradigmas doutrinários das revoluções modernas.

Os clássicos da política formam um quadro filosófico coeso do pensamento político que sinalizam a evolução da política até os dias de hoje. O estudo desses pensadores ainda é importante para entendermos a política como ela é. 

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