Os bancos são os únicos que continuam lucrando em meio ao desespero da sociedade, dispara Wilson Périco

Liderando ações em defesa do Amazonas, movimentando parcerias construtivas na direção da solidariedade, o empresário Wilson Périco, presidente do CIEAM, Centro da Indústria do Estado do Amazonas, integra um conjunto de iniciativas no combate à pandemia da Covid-19. E mais: debate com esses parceiros formas de resguardar a economia, para que sejam mantidos empregos e empreendimentos. Este foi o mote para, juntamente com Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho do CIEAM, mobilizar aproximadamente 50 atores do tecido social, cidadãos do setor privado e outros ligados ao setor público, para encaminhar problemas da economia e da vida social. Eles se juntaram no Comitê Indústria ZFM Covid-19. “Nunca passou na nossa cabeça discutir a prioridade entre vida x economia, precisamos primeiramente pensar nas pessoas, e aí, mesmo os dois sendo extremamente importantes, a prioridade é e será, SEMPRE, preservar a vida.” Confira a entrevista.

1.  FOLLOW-UP: mesmo isolado pela pandemia, Wilson Périco transita virtualmente em meio a seus parceiros de luta, acompanhando avanços e desafios do Comitê Indústria ZFM Covid-19. Conte para nossos leitores sobre o protagonismo do setor privado em tempos de pandemia?

WILSON PÉRICO: Protagonismo com sofrimento! Toda a atividade produtora está sofrendo com as sequelas dessa situação!! Nós da indústria já estávamos apreensivos com o risco, já confirmado, de falta de abastecimento de componentes oriundos da China. Agora, com a necessidade de um isolamento, que provocou o fechamento do comércio, temos 22 indústrias com paralisação, total ou parcial,  são em torno de 50 mil trabalhadores em férias coletivas ou licença. No entanto, estamos TODOS engajados em encontrar as soluções para superar esse momento da melhor maneira possível. Temos SENAI, FPF (Fundação Paulo Feitoza) e UEA desenvolvendo ventiladores pulmonares com a HONDA, BIC, Transire e SAMEL. Decidimos buscar, projetar e executar essa solução! Esse equipamento alivia o sofrimento e salva vidas.  A UEA desenvolveu máscaras e shields (protetores faciais) para atender o pessoal da Saúde. A BDS, Bicho da Seda, empresa de uniformes profissionais, está produzindo aventais e macacões para a equipe de saúde! A Whirlpool doou 1.000 shields. A RECOFARMA, a Magama, a Atem, a Pharmakos estão produzindo álcool em gel e a Magistral, juntamente com a Videolar, as embalagens! E já conseguimos “exportar” para Roraima, onde há escassez desse material tão essencial. Em suma, não estamos medindo esforços para atender a demanda de nossa sociedade!

2.  FUP: Dentre as medidas de mitigação da crise anunciadas pelo governo, estão o acesso ao crédito junto aos bancos. Qual é o relato dos empresários ao bater à porta do setor bancário?

WP: Infelizmente as medidas anunciadas pelo Governo Federal ainda não foram percebidas pelas empresas. Nem Caixa  Econômica Federal nem Bradesco tinham tais linhas de crédito, nas condições anunciadas pelo Governo Federal. Aliás, os bancos são os únicos que continuam lucrando em meio ao desespero da sociedade! Isso é, no mínimo, vergonhoso, numa situação de tanta dificuldade das micro e pequenas empresas! Vai afetar toda  atividade produtiva, pequenas, médias e grandes empresas, e além da indústria, o comércio e serviços, colocando em risco os empregos dessas empresas! Até quando vamos suportar esse protecionismo ao sistema financeiro?

3.  FUP: A movimentação do setor privado tem chamado a atenção das pessoas neste momento de reclusão necessária. É muito importante destacar essas ações para fomentar o tão necessário espírito solidário. Importa mais a vida ou a economia?

WP: Temos muitas incertezas sobre o amanhã. O isolamento, os impactos com relação às vidas das pessoas, os impactos econômicos e, em meio a isso, o heroísmo e entrega dos servidores públicos. Tudo isso nos toca, nos motiva e nos faz crescer como cidadãos. Nunca passou na nossa cabeça discutir a prioridade entre vida x economia, precisamos primeiramente pensar nas pessoas, e aí, mesmo os dois sendo extremamente importantes, a prioridade é e será, SEMPRE, preservar a vida.

4.  FUP: As empresas sabem dos riscos de derretimento de seus negócios como sabem do que precisam para sobreviver. Como operar para que o poder público comece a tomar medidas de mitigação antes que seja tarde?

WP: Temos que trabalhar sempre em conjunto, tanto com o governo federal e o governo local. Essa aproximação expande e floresce responsabilidades. Por outro lado, temos uma certeza. A primeira é: tudo isso vai passar! Também, tudo será diferente após essa pandemia: a relação comercial, interna e entre os países; a relação entre capital x trabalho, as relações sociais, a forma como viveremos será diferente! Também é verdade que sairemos dessa e estaremos mais fortalecidos como pessoas, sociedade, Estado e país! Vai dar certo!!!

*Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]

Fonte: Cieam

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