Operação Sangria gera novas prisões em Manaus

A PF (Polícia Federal) deflagrou, na quinta-feira (08), a segunda fase da Operação Sangria, que investiga fraudes na compra de 28 ventiladores durante o período mais agudo da pandemia do novo coronavírus no Amazonas.

Em coletiva à imprensa, o delegado federal Henrique Albergaria disse haver fortes indícios sobre a influência direta do vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida, no esquema fraudulento para aquisição dos equipamentos.

Ontem, a PF amanheceu fazendo buscas na sede do governo do Estado, na Compensa, zona oeste de Manaus, e no gabinete do vice-governador. A operação foi deflagrada junto com o MPF (Ministério Público Federal).

O vice-governador Carlos Almeida acumulou a função de secretário de Estado da Saúde nos 100 primeiros dias da gestão do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), cargo que o permitia fazer ingerências diretas nas decisões da SES-AM (Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas), segundo a Polícia Federal.

Os policiais federais também fizeram buscas na casa do vice-governador e apreenderam documentos, mas a PF não revelou o que continha na documentação apreendida. A operação prendeu cinco pessoas, entre elas, o  ex-secretário de Saúde Rodrigo Tobias, que substituiu Carlos Almeida no cargo.

Os outros presos foram Dayana Meija, ex-secretária executiva de Saúde; o empresário Gutemberg Alencar; o médico Luiz Carlos Avelino Júnior, marido da ex-secretária de Comunicação do Amazonas Daniela Assayag, e Ronaldo Gonçalo Caldas dos Santos, todos suspeitos de participação no esquema.

As prisões foram determinadas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). “O processo de contratação dos ventiladores foi todo manipulado pela empresa investigada para demonstrar que a negociação era legal. Constatamos isso a partir dos materiais apreendidos na primeira fase da operação e em diálogos interceptados com autorização judicial”, informou o delegado Henrique Albergaria.

De acordo com o delegado, os cinco presos durante a operação seriam, ontem, remanejados para um dos presídios de Manaus após depoimentos na sede da PF. Antes, porém, fariam exame de corpo de delito.

O governo do Amazonas divulgou, ontem, nota informando “que está contribuindo com a apuração dos fatos pela Polícia Federal e órgãos de controle e que a ação de busca e apreensão, desencadeada nesta quinta-feira (08/10), envolve, em grande parte, pessoas que já não fazem mais parte da estrutura de governo, bem como servidores que não atuam como ordenadores de despesas ou tenham poder de decisão na estrutura do Estado ou da investigação em questão”.

‘Canalizador’

O delegado Henrique Albergaria disse que o ex-secretário Rodrigo Tobias atuava como “canalizador” da alta cúpula do governo para fraudar a compra dos equipamentos. Os respiradores foram vendidos pela empresa ‘Vineria Adega’, especializada em venda de bebidas alcoólicas, através de uma manobra chamada pelo delegado como triangulação.

“Outra empresa vendeu os respiradores à loja de bebidas por R$ 2,4 milhões, que repassou os equipamentos ao governo do Amazonas por R$ 2,9 milhões”, explicou o delegado durante a coletiva. A CGU (Controladoria Geral da União) registrou um superfaturamento de R$ 496 mil na negociata. Um sobrepreço de 133,67%, segundo atestou um laudo pericial da Polícia Federal.

De acordo com o delegado, os investigados são suspeitos de praticar crimes como “peculato, lavagem de dinheiro e ainda de promover a dispensa de licitação fora das  hipóteses previstas em lei”. Segundo ele, foram apurados indícios de participação de um empresário que funcionava como “elo” entre a cúpula do governo e a empresa contratada para a compra dos respiradores.

Questionado, o delegado não respondeu se o empresário era dono da adega ou o marido da ex-secretária Daniela Assayag. “Ainda está sob investigação pela operação”, limitou-se a dizer.

A operação também constatou a existência de uma empresa internacional que funcionava como fachada, com endereço residencial, para onde seriam enviados os recursos desviados da compra de ventiladores, segundo a Interpol, que mantém parceria com a PF, informou o delegado.

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