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Operação Itacoatiara contra a vazante

Preocupa a vazante dos rios, no Amazonas, neste ano, pois pode ser pior que a do ano passado quando a régua de medição do nível do rio Negro, localizada no Porto de Manaus, marcou o recorde negativo de 12m70, em 26 de outubro de 2023, isso dez anos depois do recorde negativo anterior, de 14m48, ocorrido em 30 de novembro de 2013. A grande preocupação é que o nível das águas, ainda enchendo, está bem aquém do mesmo período no ano passado. Em 13 de junho de 2023, a régua de medição marcou 28m30. Este ano, no mesmo dia e mês, a marcação atingiu apenas 26m81, ou seja, 1m49 a menos o que, se continuar nesse ritmo, poderá causar acontecimentos piores dos ocorridos em 2023, com rios se transformando em filetes de água, peixes e botos morrendo, a população ribeirinha sem água e o manauara enfrentando calor extremo. Os rios ainda estão enchendo. Mas até quando? A maior cheia do Negro, 30m02, aconteceu em 16 de junho de 2021, data bem próxima. A qualquer momento as águas começarão a baixar, processo que, em média, demora de quatro a cinco meses. Só nos resta pedir que a natureza tenha pena de nós, que muitas vezes não temos pena dela.

Antevendo essa situação de caos, também na economia, pois no ano passado os grandes navios cargueiros não conseguiam chegar até Manaus trazendo insumos para as indústrias do PIM (Polo Industrial de Manaus), o Super Terminais está tomando medidas proativas para minimizar o impacto na indústria regional e está pondo em prática a Operação Itacoatiara.

Píer flutuante

A Operação Itacoatiara consiste em colocar, na frente daquela cidade, no baixo Amazonas, um píer flutuante. O píer mede 240m de comprimento por 24m de largura e será equipado com três guindastes Konecranes ESP10, cada um com 64 metros de lança e alimentados por quatro geradores de 500 Kva, incluindo um gerador de backup.

Os guindastes Konecranes ESP10, que haviam sido instalados em Manaus em setembro de 2023, podem atender navios até a classe Super Post Panamax, com capacidade operacional de até 22 contêineres enfileirados, e têm capacidade máxima de içamento de 125 toneladas.

Em Itacoatiara o Super Terminais adquiriu uma área exclusivamente para montar um porto e realizar a operação com mais facilidade. O terreno possui 300 mil metros quadrados, localizado na margem esquerda do Amazonas, tem acesso por rodovia asfaltada pela estrada do aeroporto de Itacoatiara, e fica distante 1,4 km do porto público da cidade.

O objetivo da Operação Itacoatiara é que os navios cargueiros sejam descarregados no píer e de lá até Manaus, a viagem seja feita em balsas cujo calado médio é de 2m60, enquanto o de um navio pode ultrapassar os 20m. Com isso, o transporte de cargas até Manaus não seria afetado.

“As operações ocorrerão 24 horas por dia, sete dias por semana, em três turnos. O objetivo principal é descarregar 100% da carga dos navios e seguir com a operação de balsas até o Porto de Manaus. Essa estrutura permanecerá disponível de setembro a dezembro, ou até que o calado do rio seja normalizado”, afirmou Marcello Di Gregório, diretor do Super Terminais.

A Operação Itacoatiara foi desenvolvida por Heitor Augusto, engenheiro naval da empresa PGE.

Marcello, “as operações ocorrerão 24 horas por dia, sete dias por semana, em três turnos”

Internet da Starlink

O píer flutuante ficará posicionado a 100m da margem, onde a profundidade do Amazonas chega a 34 metros, o que permite a recepção de todos os tipos e tamanhos de navios. O tempo de viagem estimado do Porto de Itacoatiara até o Porto de Manaus, subindo o rio, será de 18h (cerca de 200 km ou 108 milhas náuticas), e 12h descendo.

“A Operação Itacoatiara é uma iniciativa do Super Terminais para amenizar os impactos da vazante severa na indústria amazonense, não apenas trazendo os insumos para o PIM, mas também fazendo o escoamento da produção das indústrias, contribuindo com a estabilidade econômica da região frente aos desafios climáticos”, disse Marcello.

Além dos guindastes, a operação contará com plataformas elevatórias, empilhadeiras e demais equipamentos necessários para as operações. Numa verdadeira operação de guerra, o porto será abastecido com depósito de óleo diesel, serviços para a atração dos navios, e para reparos e mergulhos, se necessários. Equipes de segurança, médica, e de combate a incêndios, além de serviços gerais para a coleta de resíduos, afinal de contas o Super Terminais mantém o título de o único porto verde do Brasil. O porto contará, ainda, com internet da Starlink.

Como Manaus, em toda sua existência, sempre foi abastecida principalmente via rio Amazonas, a Operação Itacoatiara torna-se crucial nesse momento. Ano passado, devido à inesperada vazante recorde, a indústria local, segundo dados do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) teve um prejuízo avaliado em mais de R$ 1 bilhão.

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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